Sinuca de bico

O ex-presidente Lula correu o mundo apregoando o etanol. Mas, por um pequeno "lapso" de planejamento, estamos importando álcool de milho dos EUA

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postado em 11/08/2012 17:53 Boris Feldman /Estado de Minas
O governo está em dificuldade para retornar aos 25% a proporção de etanol na gasolina. Quando chegou a entressafra da cana com a perspectiva de falta do combustível verde, o jeito foi reduzir a mistura para 20%. A entressafra acabou, mas os volumes de produção de álcool ainda são insuficientes para aumentar a proporção. Para quem tem automóvel flex e abastece com gasolina, voltar a mistura de etanol para 25% seria uma ótima notícia, pois alguns motores estão “batendo pino” com a proporção menor de álcool anidro: quanto menos, menor a octanagem final.

No passado, a redução de 25% para 20% mal era percebida pela maioria dos motoristas. Mas, nos últimos tempos, a engenharia das fábricas carregou na taxa de compressão dos motores flex, para conseguir maior eficiência. E, quanto mais taxa, mais octanagem deve ter o combustível. Ou seja, quanto mais etanol tanto melhor. Foi por isso que as montadoras se preocuparam quando a presidente autorizou a reduzir a proporção do álcool para até 18%. Só autorizou, porque as fábricas pressionaram contra a redução e os 18% jamais saíram do papel.

E por que o percentual não volta para 25%? Porque o etanol continua faltando, já que os usineiros estão desestimulados a produzi-lo, pois seu preço é baixo. E não pode subir, pois está limitado nos 70% do preço da gasolina. Que também não sobe porque o governo quer evitar inflação.

E o pior: o falastrão do ex-presidente Lula saiu pelo mundo apregoando o etanol e as perspectivas eram de o Brasil se tornar o maior exportador de álcool do planeta. Mas se esqueceu de um detalhe: além do discurso, de elaborar um planejamento para viabilizar sua produção. Tem ideia o prezado do que acontece hoje com a Petrobras? É obrigada a importar mensalmente milhões de litros de etanol (de milho produzido nos EUA) e de gasolina para suprir nossa demanda, que não para de crescer com os milhões de novos automóveis emplacados todo ano.

Outro imbróglio de combustível é o diesel S50, bem mais limpo porque tem apenas 50 partes por milhão de enxofre (contra quase 2000ppm do tradicional). Todos os motores a diesel produzidos a partir de janeiro devem respeitar a norma Euro 5 e, por isso, só podem queimar o S50. Se abastecer com o diesel normal, o carro perde a garantia. Entretanto, nem todos os postos o oferecem, pois ele se deteriora mais rápido e é mais caro.

No Centro e no Sul do país, o S50 é encontrado com relativa facilidade. Em outras regiões, ninguém compra carro novo a diesel, pois não tem o combustível. E o posto não o compra por falta de freguês.
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