Papo de Roda - Tira a mão do meu bolso!

A próxima incursão no debilitado bolso do motorista é o rastreador, que deverá ser obrigatório a partir de 2013

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postado em 18/08/2012 09:58 Boris Feldman /Estado de Minas
O brasileiro já foi vítima de empréstimo compulsório ao comprar gasolina (nunca devolvido...), foi punido com selo pedágio para ter o “direito” de circular em estradas federais, pagou pelo inexplicável estojo de primeiros socorros, continua arcando com o custo do inútil extintor de incêndio e uma fortuna pelo seguro obrigatório, fora outras maracutaias do gênero. Deputados e senadores nem se enrubescem ao aprovar leis elaboradas para permitir que se enfie legalmente a mão no bolso do motorista. E só se lembram da segurança veicular quando “estimulados” pelos lobistas de plantão.

O Congresso aprovou, por exemplo, a lei do airbag, com um forte lobby atuando nos bastidores. Ninguém discute a importância do equipamento. Mas o apoio traseiro central de cabeça é tambem essencial à integridade do passageiro, pois protege a coluna cervical no caso de um impacto traseiro. Sabe por que não existe legislação para torná-lo obrigatório? Por falta de lobby, já que não representa faturamento nenhum nem é do interesse das fábricas. Pelo contrário, seria para elas um transtorno espetá-lo no banco traseiro.

A próxima incursão no debilitado bolso do motorista é o bloqueador/rastreador, que deverá ser obrigatório em todos os automóveis novos a partir de 2013. Se o carro for roubado, o equipamento permite o corte do combustível, pois o bloqueador virá habilitado de fábrica. Já o rastreador, que localiza o veículo, só funcionará se o dono do automóvel contratar uma operadora para acioná-lo, pagando entre R$ 50 e R$ 100 mensalmente. Essa obrigatoriedade foi estabelecida em 2007 e adiada sucessivas vezes. Vários problemas surgiram para sua implantação, entre eles as áreas com “sombras”, diversas regiões onde o sinal emitido pelo equipamento desaparece.

É claro que a conta (cerca de R$ 200) vai parar, mais uma vez, no bolso do motorista. Pergunta-se: é justo o cidadão ter que pagar para ter o carro de volta, uma óbvia obrigação do Estado? Além disso, é justo também fazer o cidadão que mora no interior do Piauí – onde não existe roubo de automóveis – pagar pelo equipamento que jamais será usado? E um outro (grave) probleminha: os marginais já dominam uma tecnologia capaz de neutralizar o equipamento.

Finalmente, existe outra solução mais prática e barata, o chip que será afixado no parabrisa de todos os veículos a partir de 2013. Antenas instaladas nas rodovias farão a leitura dos dados que identificam o automóvel, se há multas, outras pendências ou se foi roubado. Em caso positivo, os policiais à frente são informados e param o carro.

Uma fórmula mais eficiente, pois, ao contrário do rastreador, que só equiparia os veículos zero-quilômetro, o chip será instalado em toda a frota nacional em dois anos. Mas, como ele custa pouco e não engorda o faturamento das empresas interessadas, pode preparar o bolso pois o rastreador vem aí...
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