Papo de Roda - Necessidade ou persuasão?

O automóvel encantou a humanidade com um novo conceito de mobilidade social e individual. O celular, por nos conectar ao mundo sem fios nem cabos

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postado em 05/01/2013 16:29 Boris Feldman /Estado de Minas
Ano novo, carro novo? Então aproveite porque, nesses primeiros meses de 2013 ainda está valendo a redução do IPI, que só volta pleno a partir de julho. Mas, sem querer me intrometer (já me intrometendo...) na sua vida, já se decidiu pelo seu próximo carango? Sedã, hatch, ou perua? Minivan ou crossover? Cupê ou conversível? Jipe ou SUV?

E, por falar nisso, qual é a próxima novidade eletrônica planejada este ano para seu bolso, pasta ou mesa? Smartphone ou tablet? Ultrabook, notebook ou netbook? Então aproveite porque dona Dilma e seu Mantega estão segurando o dólar a qualquer custo e os importados continuam com preços razoáveis. Por enquanto...

Mas o que tem seu novo automóvel a ver com seu próximo eletrônico? Em princípio, nada. Mas dá para estabelecer um paralelo entre ambos. Depois de viver séculos sem ele, o celular tornou-se imprescindível. Quando inventada, a maravilha eletrônica encantou por nos conectar ao outro lado do mundo com antenas e satélites em vez de fios e cabos.

No caso do automóvel, a maravilha mecânica encantou a humanidade com um novo conceito de mobilidade social e individual. Conferiu liberdade individual de ir e vir, de dar a volta ao mundo desde que houvesse gasolina pelo caminho.

Mas a tecnologia e o marketing de consumo foram sofisticando automóvel e celular para garantir faturamento crescente e eterno. Criou-se a necessidade pelo poder de persuasão. Foram-se os (bons) tempos em que Fordinho ou Fusca, projetados para levar passageiros confiavelmente de um ponto a outro do planeta, correspondiam ao anseio de consumo do cidadão. As fábricas logo trataram de dotar o automóvel de sistemas e equipamentos complexos, tornando-o mais possante, luxuoso, esportivo, espaçoso e capaz de superar caminhos inóspitos. De simples meio de transporte, virou símbolo de prestígio, status e poder.

Com o celular não foi diferente: ligação telefônica é a mais chinfrim de suas possibilidades. Ele hoje fotografa, filma, arquiva informações, envia e recebe mensagens, navega com GPS, acessa internet e sabe-se lá o que mais vem por aí. Assim como tem muita madame que descarta qualquer automóvel que não seja um utilitário-esportivo (SUV), sem nem ideia de como engatar a tração nas quatro, tem também muito dono de celular sofisticadíssimo que não sabe nem sequer utilizar a lista de contatos. E, mesmo que queira, não consegue adquirir um aparelho básico, que lhe permita simplesmente realizar uma chamada telefônica, pois eles não existem mais.

No automóvel, a sofisticação vem acompanhada de argumentos convincentes, todos apelando para segurança, conforto, redução de consumo e de emissões, aerodinâmica e confiabilidade. Já o celular é “você sem fronteiras”, “integra você ao mundo”, símbolo de felicidade e conectividade. Será que sua família tem mesmo necessidade de um automóvel do tipo crossover (você pode não saber, mas é o must do momento) ou é induzida a tê-lo pela publicidade, que, diga-se de passagem, também aprimora mais e mais sua sofisticada tecnologia de persuasão?
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