Papo de Roda - Nivelando por baixo

Obrigar milhões de automóveis a uma desnecessária vistoria é para evitar danos, não ambientais, mas no bolso dos corruptos que faturam à custa dessa maracutaia

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postado em 12/01/2013 16:48 Boris Feldman /Estado de Minas
O motorista brasileiro não pode mais curtir civilizadamente sua taça de chopp ou vinho (como em países do Primeiro Mundo) pois foi nivelado com o irresponsável que bebe um engradado de cerveja ou meia garrafa de cachaça e assume o volante. É sempre assim: país que tem fiscalização medíocre recorre a leis mais rigorosas. Ninguém é contra a Lei Seca, mas ela só funciona com a presença da polícia para determinar quem bebeu e quanto. Portanto, não faz sentido o rigor de proibir até a taça de cerveja ou de vinho.

Sem a polícia na rua, é indiferente limitar o álcool em mais ou menos miligramas por litro. A falta de fiscalização em cidades do interior resulta em milhões de motoristas alcoolizados e impunes. Ao contrário de diversos países europeus e nos EUA, onde a polícia marca presença em qualquer pequena cidade ou estradinha secundária.

Não é só a Lei Seca: o governo volta a nivelar por baixo no caso dos rastreadores. O equipamento está em fase final de testes, pois deverá equipar obrigatoriamente todos os nossos automóveis. Para quem mora nas capitais e grandes cidades o rastreador é um bom negócio, pois compensa a ineficiência da polícia. Mas milhões de brasileiros moram em pequenas cidades sem problema de segurança e terão também – inutilmente – que pagar pelo equipamento. Com um agravante: o governo está implantando também um chip no para-brisa de todos os automóveis. Antenas dispostas nas estradas e cidades pela polícia serão capazes de ler o chip e identificar se o carro tem multas pendentes, impostos vencidos, se foi roubado etc. Teria, portanto, o mesmo papel do rastreador por um custo muito menor.

Na cidade de São Paulo, o novo prefeito, Fernando Haddad, decidiu eliminar a incoerência de obrigar automóveis novos a serem vistoriados no ano seguinte ao emplacamento. Assim com no Primeiro Mundo, ele propõe a primeira inspeção só depois de cinco anos de fabricação. E as seguintes só a cada dois anos. Os ecólogos de plantão já botaram a boca no trombone e insistem em manter o esquema atual, que também nivela por baixo: alegam que danos ambientais podem ser provocados mesmo por carros novos que tenham sido tunados (motor com potência aumentada) ou pelos que poderiam (?) deixar a linha de montagem mal regulados. Obrigar milhões de automóveis a uma desnecessária vistoria por possíveis irregularidades em algumas centenas deles é para evitar danos, não ambientais, mas no bolso dos corruptos que faturam à custa dessa maracutaia. Se alguém duvida, que analise o parecer do Ministério Público de São Paulo em relação ao contrato firmado no passado entre a Prefeitura e a empresa homologada para as vistorias (Controlar).
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