Papo de Roda - Nem precisa ser PhD...

Para os usineiros, o aumento do preço na bomba e da mistura do álcool na gasolina foram medidas paliativas, que nada resolvem a longo prazo

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postado em 09/02/2013 17:40 Boris Feldman /Estado de Minas
O aumento no preço da gasolina provocou reações diversas. Quem abastece com ela diz que teve posto aumentando mais do que os anunciados 6,6%. Quem prefere o etanol diz que seu preço foi também reajustado, o que não estava no script...

Quanto ao aumento da gasolina, nem os 6,6% concedidos à Petrobras poderiam ser repassados integralmente ao consumidor, pois o custo do combustível na bomba é composto de muitas variáveis. O transporte desde a refinaria e outros custos na operação, inclusive a folha de pagamento. E nada disso foi aumentado.

A estimativa era de que a gasolina aumentaria 4% na bomba. E foi o que efetivamente se verificou na maioria dos postos. Mas não faltou “esperto” que subiu 10% no dia seguinte.

Outra reclamação foi o aumento do etanol simultâneo ao da gasolina. Só se espantou quem não acompanhava os problemas do setor. O preço do álcool é limitado em 70% do da gasolina, em função de seu maior consumo. Ou não vale a pena abastecer com ele. Então, quem chiou se esqueceu de que o governo segurou o quanto pôde o preço da gasolina, preocupado com a inflação. Além do prejuízo da Petrobras, a medida refletiu também na contabilidade das usinas de cana, que tiveram também de segurar seus preços. O alívio só veio quando subiu a gasolina.

Quem pôs também a boca no trombone foram os usineiros: ao segurar o preço do álcool, o setor entrou em crise. Usinas faliram, outras foram vendidas e os investimentos sumiram. A produção de álcool não acompanhou o acréscimo da demanda e o país, reconhecido internacionalmente como grande produtor de etanol, teve que importá-lo para atender a demanda.

Segundo as usinas, o aumento do preço em 6,6% e a promessa de voltar a aumentar a mistura do etanol anidro na gasolina (de 20% para 25%, em maio) foram duas medidas paliativas que só atenuam os problemas da safra deste ano, mas nada resolvem a longo prazo. O que pedem ao governo, com toda razão, é que se estabeleça uma política de preços para os combustíveis. Só assim se poderia contar com segurança a longo prazo para que o setor volte a ser contemplado com investimentos.

O mundo inteiro olha com simpatia para os biocombustíveis e o álcool lidera a lista. No fim de janeiro, foi proposto nos EUA, por exemplo, elevar a exigência do uso de combustíveis alternativos, entre eles o etanol derivado da cana. Não precisa ser PhD em coisa nenhuma para perceber que, se o governo não estabelecer uma política energética, o Brasil estará perdendo o bonde da história.
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