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O Salão do Automóvel de Genebra realçou o abismo entre a tecnologia desenvolvida no Primeiro Mundo e a nossa timidez ao focar alternativas energéticas

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postado em 16/03/2013 17:32 Boris Feldman /Estado de Minas
Salão de automóvel é sempre uma grande festa. O de Genebra (aberto atéeste domingo) é bastante especial, pois está num país neutro, sem as grandes fábricas de automóveis. Não tem o excesso das alemãs como em Frankfurt, nem das francesas em Paris. Dezenas de lançamentos, muitas luzes, brilho, belas mulheres superdecotadas, engravatados big-shots do setor, entrevistas, festas...

Entretanto, o que mais surpreendeu nessa sua 83ª edição foram os contrastes nos estandes que exibiam superesportivos (como Ferrari, Lamborghini, Porsche, McLaren), todos com motores de quase 1.000 cavalos, lado a lado com modelos destinados ao público menos abonado e com soluções tecnológicas – às vezes surpreendentes – aos novos desafios de alternativas ao combustível fóssil. Uma delas desenvolvida pela Volkswagen, o XL1, híbrido de dois lugares capaz de rodar mais de 100 quilôemetros com um litro de diesel. Não é carro-conceito: será produzido em pequena escala (250 unidades) só para “dar a largada” ao projeto viável do carro mais pão-duro do mundo (ver matéria de capa do Vrum 1).

Um brasileiro no salão teria se encantado com o punhado de novos modelos que serão também produzidos aqui, entre eles os Peugeot 208 e 2008, Mercedes Classe A e Renault Captur. E mais ainda ao perceber que o novo Ecosport, principal atração no estande da Ford, é um SUV compacto projetado no Brasil que será também fabricado em quatro outros países e comercialização em todo o mundo.

Mas nem tudo são flores e a feira de Genebra realçou o abismo entre a tecnologia desenvolvida no Primeiro Mundo e a nossa timidez ao focar alternativas energéticas. Na festa suíça não havia um estande sequer sem um modelo – em produção, ou conceito no ponto de se viabilizar – exibindo uma alternativa ao motor a combustão. Híbridos com motores elétricos e a diesel (ou gasolina), carros movidos somente com baterias ou com célula a combustível (fuel cell), cápsulas de nitrogênio e outras tecnologias para reduzir ou substituir de vez a dependência do petróleo.

Enquanto isso, o brasileiro que se contente com o flex, uma desajeitada adaptação do motor a gasolina para queimar também o etanol. A rigor, o governo brasileiro se fecha em copas e ignora híbridos e elétricos, sem enquadrá-los numa classificação tributária específica. E, pelo contrário, exige que paguem os mais elevados impostos do setor. A primeira manifestação do governo para estimular o desenvolvimento de tecnologia pela indústria automobilística foi o Inovar-Auto, uma tímida política de incentivos e que se “esqueceu” de prestigiar a pesquisa de híbridos, elétricos e afins.

Tem-se a impressão de estarmos num país de macacos que se dá por satisfeito com a atualização tecnológica baseada apenas na cana-de-açúcar (etanol) e na soja (biodiesel) para a autossuficiência do sistema de transportes. E estamos perdendo o bonde da história por esta visão míope dos nossos governantes.
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