PAPO DE RODA

De quem é a culpa?

Questionadas pela Associated Press sobre a insegurança dos modelos brasileiros, as fábricas foram evasivas em suas respostas

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postado em 26/05/2013 12:16 / atualizado em 26/05/2013 12:20 Boris Feldman /Estado de Minas
Existe um consenso de que automóvel no Brasil custa muito e oferece pouco. Mesmo assim, quando uma agência internacional de notícias aborda o tema e tem seu texto reproduzido em jornais e sites pelo mundo afora, é um deus nos acuda.

Foi o que ocorreu recentemente com a Associated Press, que publicou artigo sobre a (in) segurança dos nossos modelos. Reproduziu o que parte da imprensa brasileira já tinha noticiado, de que crash tests evidenciaram a insegurança dos nossos automóveis e que, quando se acidentam, matam mais que seus similares europeus. Pode ter exagerado no varejo, mas acertou no atacado.

Jornais e sites brasileiros replicaram a notícia, que teve repercussão internacional. A associação das montadoras (Anfavea), que ainda não tinha se manifestado, correu para emitir uma explicação que explica muito pouco. A verdade é que modelos nacionais como o Chevrolet Celta ou o Novo Fiat Uno tomaram bomba no teste de impacto frontal do Latin NCap, com apenas uma das cinco estrelas possíveis. O Nissan March, importado do México, foi duas vezes estrelado, enquanto seu irmão japonês levou quatro. Nosso Ford Ka também tomou bomba (uma estrela), enquanto o europeu (de plataforma nova) ganhou quatro.

As fábricas, questionadas pela Associated Press, não poderiam ter sido mais evasivas em suas respostas. Teve até justificativa de que “ respeita as exigências legais vigentes no Brasil”. Ou que os carros serão mais seguros a partir de 2014, com a obrigatoriedade do ABS e airbags. Conversa para boi dormir: se o carro não foi projetado focando proteger seus ocupantes, de nada adiantam airbags.

De quem a culpa de nossos automóveis matarem mais que seus similares no Primeiro Mundo?

1 – Da irresponsabilidade do governo brasileiro em não dar a menor pelota para a segurança, de nem exigir crash tests locais para aprovar os modelos comercializados no país. É tanta indiferença e burocracia que alguns dos nossos carros oferecem o sistema Isofix para prender as cadeirinhas infantis, mas sua venda é proibida porque ainda não foram homologadas pelo Inmetro...

2 – Do baixo nível de nossos parlamentares que só se preocupam com a legislação específica quando corrompidos por lobistas das empresas interessadas em faturar.

3 – Das montadoras que se limitam a dotar seus modelos estritamente com o exigido pela medíocre legislação do país, reduzem seus custos de fabricação com chapas de aço de qualidade inferior e outras economias em relação aos modelos produzidos no Primeiro Mundo.

4 – Do consumidor brasileiro, que nada exige além de o modelo ser bonitinho, ter rodas de liga leve, bancos em couro, som de alta qualidade, pintura metálica e ar-condicionado. Ou compra o carro (apesar de reprovado nos testes) por ser baratinho e caber no seu orçamento, sem se preocupar com as despesas do enterro, pois essas são cobertas pelo DPVat...
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