"Ele não é uma gracinha"

Noves fora o preço, design é o que mais pesa na compra de um automóvel

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postado em 09/06/2013 08:51 / atualizado em 09/06/2013 08:53 Boris Feldman /Estado de Minas
As fábricas investem milhões para tentar descobrir os principais atrativos de um automóvel. Mas, muitas vezes, quebram a cara e perdem bilhões em lançamentos fracassados. Um dos casos mais significativos foi o Ford Edsel, na década de 1950. A empresa tinha, na época, três marcas: os mais simples eram Ford, Lincoln era a de luxo, e a Mercury no meio do caminho. Seus marqueteiros se convenceram de que cabia mais uma, entre Ford e Mercury. Encomendaram mil pesquisas, compararam exaustivamente seus modelos com os da concorrência, consultaram milhares de consumidores e decidiram criar o Edsel, que seria o lançamento do século. O nome, apesar dos protestos da família, homenageava o filho de Henry Ford, o fundador da empresa. Nunca se tinha investido tanto em design, projeto, desenvolvimento e tantas inovações tecnológicas para conquistar definitivamente o consumidor norte-americano.

A campanha publicitária para seu lançamento, em 1957, foi gigantesca. Mas o Edsel não foi além de três anos e 118 mil unidades. O máximo que conquistou foi um apelido derivado de sua grade central exótica, no formato de um retângulo vertical: o “carro da vagina”...

Aqui, o Maverick foi o vexame da Ford. Lançado em 1973, durou apenas seis anos e 108 mil unidades. Nenhuma surpresa, pois nunca deu certo fabricar automóvel norte-americano no Brasil. Diretores da companhia confessaram mais tarde que, numa pesquisa de opinião entre consumidores, num salão em São Paulo com vários modelos da empresa, o preferido foi o Taunus, da Ford alemã. Mas, segundo os executivos da empresa, muito sofisticado para o nosso mercado. Optaram então pelo Maverick e por fazer rolar suas próprias cabeças...

Muitas vezes as pesquisas enganam. Uma delas foi feita pela Bosch no Brasil para avaliar a importância atribuída pelo consumidor ao item segurança no momento de decidir por um novo automóvel. As respostas foram enfaticamente positivas: equipamentos de proteção ativa e passiva eram decisivos, disse a maioria dos entrevistados. Mas a Bosch percebeu, logo depois, que segurança só pesava no momento da pesquisa, pois, na hora “H”, quase todos optavam pelo ar-condicionado, som de primeira, bancos em couro, rodas de liga leve...

Não tenho dúvida de que, noves fora o preço, design é o que mais pesa na compra de um automóvel. Claro que qualidade, preço de revenda, consumo, desempenho, espaço, porta-malas, custo de manutenção, tudo isso faz a cabeça do consumidor. Mas um jornalista especializado em automóveis, que vive diariamente o assunto, entrevista gente do setor, visita fábricas, discute com engenheiros e assume o volante das coisas mais variadas sobre rodas, quase entrega os pontos ao perceber que seu leitor/ouvinte/telespectador entra no show-room da concessionária e se encanta com o chinês que foi motivo de duras críticas.

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