Papo de Rodas

Culpa da Dilma...

Se o governo não exige, as fábricas não instalam equipamentos de segurança nos modelos brasileiros. Até porque, se o fizerem, eles encalham nos pátios

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postado em 30/06/2013 09:08 Boris Feldman /Estado de Minas
Era um evento da Renault em Curitiba, na semana passada, e eu não perdi a oportunidade de questionar o todo-poderoso Carlos Ghosn, brasileiro que é presidente mundial da Aliança Renault-Nissan, a respeito da diferença entre os padrões de segurança de suas marcas na Europa/Japão e no Brasil. A francesa, por exemplo, está se destacando nos crash tests europeus, emplacando quatro ou cinco estrelas em quase todos os seus novos modelos. A Volvo que se cuide, pois corre o risco de perder o pódio de melhor imagem quando se fala em segurança veicular.

A pergunta: por que os mesmos modelos comercializados no Brasil têm desempenho pior nos testes de impacto? Tão pior que alguns levaram até bomba, com apenas uma ou duas estrelas. Ghosn foi direto ao assunto: “Os automóveis para o mercado brasileiro são montados apenas com os equipamentos de segurança exigidos pelo governo. O projeto é exatamente o mesmo dos modelos produzidos na Europa e no Japão. Mas não temos condições de dotar os fabricados no México, Argentina e Brasil com os equipamentos para se obter o mesmo nível de proteção, quase todos eletrônicos e de custo muito elevado. Se o governo brasileiro não exige e nenhuma montadora os instala, não adianta nós decidirmos em contrário, pois perderemos competitividade e nossos carros serão mais seguros que os outros, mas ficarão encalhados nos pátios”.

A despreocupação e passividade dos nossos governantes e parlamentares com o assunto resulta em uma operação que envergonha o país, o “desinvestimento em segurança”. É o custo da montadora para eliminar um equipamento que integrava o projeto original do modelo. Quando, por exemplo, a Volkswagen decidiu produzir o Golf no Paraná, no fim da década de 1990, um diretor da empresa comentou quanto tinha custado investir em um novo volante, diferente do alemão. Perguntei por que não poderia ser o mesmo. “Você se esqueceu de que o Golf na Alemanha tem airbag de série e aqui será, no máximo, um opcional? Temos que projetar um novo volante sem a bolsa inflável”.

Por coincidência, pouco tempo depois, o então presidente da Renault no Brasil deixou escapar sua preocupação com o Clio, que seria lançado no nosso mercado: “Deixo os airbags ou tiro os airbags?”. Deixou. Para logo se arrepender, pois os concessionários reclamavam que o carro era difícil de vender, já que custava mais que os concorrentes.

A partir de 2014, airbags e ABS serão obrigatórios em todos os automóveis fabricados ou comercializados no Brasil. Uma conquista e tanto, mas esses equipamentos não fazem mágica e nada resolvem se o projeto original do carro não focou a segurança. O que só se comprova se o governo exigir que sejam submetidos aos crash tests. E, lógico, sejam aprovados...
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