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Um dia a casa cai...

Airbag obrigatório é tapar o sol com peneira, pois se os automóveis não forem projetados com foco na segurança e aprovados nos testes de impacto, as bolsas infláveis nada resolvem

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postado em 21/07/2013 10:11 / atualizado em 24/07/2013 10:20 Boris Feldman /Estado de Minas
Van escolar bate num caminhão, capota e morrem dois alunos. Foi no mês passado, na Região dos Lagos, no interior do Rio de Janeiro. Poucos dias depois, mais dois ônibus capotam em estradas federais e morrem vários passageiros.

Eu tenho curiosidade de saber como se sentem essas incompetentes autoridades do trânsito quando a imprensa noticia acidentes com coletivos, quase sempre com mortes de passageiros esmagados em seu interior ou arremessados pelas janelas. Será que são insensíveis e não se tocam com essas tragédias, ou são suficientemente estúpidos para não perceber sua parcela de culpa nas consequências desses acidentes?

Não se discute se o motorista foi imprudente, se a manutenção do ônibus foi precária ou o estado deplorável da rodovia, mas nada justifica os trágicos desdobramentos do acidente. Ou porque o ônibus não tem os cintos de segurança exigidos por lei, ou se os tem, o motorista não se preocupa se estão afivelados. Ou porque a polícia rodoviária não fiscaliza. Afinal, sempre prevalece a teoria de que acidente só acontece com os outros. Até que, um dia, a casa cai...

No caso das vans escolares, a omissão do governo é ainda mais intrigante, pois as estatísticas já comprovaram que o número de crianças mortas em acidentes rodoviários foi reduzido depois da obrigatoriedade das cadeirinhas nos automóveis. Mas o Conselho Nacional de Trânsito (Contran), decorridos mais de dois anos, ainda não se dignou a regulamentar seu uso em táxis, ônibus e vans.

Só a absurda leniência e passividade do órgão justifica que ainda não se tenham tornados obrigatórios o cinto retrátil e o apoio de cabeça central no banco traseiro dos automóveis. A câmara temática do próprio órgão já aprovou a medida há mais de dois meses, mas falta a assinatura de seu presidente. Enquanto isso, o passageiro que vai no meio continua correndo o risco de lesão na coluna cervical pela falta dessa proteção de custo desprezível. Mas que as fábricas não instalam (com raras exceções) se não forem instadas pela legislação.

Aliás, quase nada se aprova em termos de segurança veicular se não houver um sonoro tilintar nos bolsos dos nossos mui austeros parlamentares e abnegados funcionários públicos. Como cinto retrátil e apoio de cabeça estão mais para aborrecimento que para faturamento, que se danem as colunas cervicais.

Prova disso é que essa quadrilha de senadores e deputados corruptos aprovou – depois de convencidos pelas verbas de lobistas – a obrigatoriedade de airbags a partir de 2014. É tapar o sol com peneira: só o governo ignora que se os automóveis não forem projetados com foco na segurança e aprovados nos testes de impacto, as bolsas infláveis nada resolvem. Aliás, vários modelos do nosso mercado tomaram bomba em crash-tests, mesmo equipados com airbags. Como explicar que os mesmíssimos carros, comercializados no Primeiro Mundo, foram aprovados em testes semelhantes?
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