Com um pé atrás...

O Brasil não pode perder o bonde da história e fechar os olhos para as tecnologias que substituem os derivados de petróleo por novas fontes de energia

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postado em 11/08/2013 12:57 Boris Feldman /Estado de Minas
O governo brasileiro tem uma inexplicável alergia a carros elétricos. O ministro Mantega passou vergonha em maio de 2010, ao convocar um grupo de empresários do setor para anunciar um plano de incentivos que estimularia a produção de automóveis com fontes alternativas (híbridos e elétricos). Quando já estavam todos no auditório, em Brasília, o anúncio foi outro: do cancelamento do evento, pois o presidente Lula pediu um tempo para “estudar melhor” o projeto. E nunca mais se falou no assunto.

O governo brasileiro, encantado com o potencial do etanol, fechou os olhos para outras opções energéticas. Depois, encantado com o pré-sal, esqueceu o etanol. Mas o futuro do automóvel está no elétrico, com transição pelo híbrido. Futuro, não: só a Toyota já vendeu mais de três milhões de seu híbrido Prius. A aliança Renault-Nissan optou pelo elétrico e, apesar de engatinhando no projeto, já vendeu mais de 100 mil unidades de carros a bateria. Nos EUA, Ford e GM investem pesado nessas novas tecnologias. O Chevrolet Spark movido a bateria chegou em julho aos EUA por cerca de R$ 45 mil. Eu dirigi esse compacto e me surpreendi com seu desempenho e autonomia. No Brasil, são opções apenas teóricas, pois o governo, além de não subsidiar, carrega a mão e classifica híbridos e elétricos com a mais pesada carga tributária. A Toyota traz o Prius, mas por R$ 120 mil...

A associação das fábricas de automóveis (Anfavea) botou fé no governo brasileiro e acreditou que ele talvez não seja tão insensível ao tema e apresentou uma proposta para viabilizar automóveis com outras tecnologias de propulsão. Em duas etapas: importá-los com isenção de IPI até 2017, produzi-los a partir de 2018.

A Nissan, mais objetiva, assinou com o estado do Rio de Janeiro um protocolo de intenções para produzir carros elétricos na fábrica que inaugura em Resende em 2014. E já colocou para rodar, como táxi, algumas unidades do seu Leaf (elétrico) em São Paulo e no Rio. O carro a bateria ainda é uma solução muito limitada. Pelo custo da bateria, baixa autonomia (cerca de 200 quilômetros, por enquanto) e a infraestrutura para a recarga.

Por mais interessante que seja o etanol como alternativa à gasolina, o Brasil não pode perder o bonde da história e fechar os olhos para híbridos e elétricos. Entretanto, o governo federal deve analisar com cuidado a proposta da Anfavea, que, espertamente, procura fechar o país para outras fábricas de veículos elétricos. Se seu dever é proteger seus associados, o do governo é de encontrar a melhor solução para integrar o Brasil a essas novas tecnologias. Pé atrás, porque reserva de mercado sempre deu no que deu....
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