Papo de Roda - Anticomplexo de vira-lata

Um casal de uruguaios ficou encantado com a educação do motorista brasileiro...

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postado em 04/11/2013 16:42 Boris Feldman /Estado de Minas

A profissão e a vontade de conhecer mundo me fazem viajar com tamanha frequência que já virou piada entre os amigos. Quando me chamam no celular, em vez de perguntar se está tudo bem, começam com “em que país você está hoje?”...
Muitas vezes, ao voltar das viagens, costumo criticar neste espaço a falta de cultura e educação do nosso povo, a precariedade das nossas estradas (quando venho da Alemanha, então...), o preço dos nossos carros, o desrespeito com os pedestres.


Mas, nas últimas viagens ao exterior, mudei meu foco e passei, de certa forma, a contestar nosso famoso “complexo de vira-lata”. De achar que tudo nosso é pior e o “deles” é melhor. Pode ser verdade, mas meia verdade. Pois nem sempre “eles” se comportam educadamente, nem dirigem com mais cuidado, nem tudo funciona com a perfeição que se espera e se exalta do Primeiro Mundo.


Nos Estados Unidos, por exemplo, é irritante como os motoristas exageram na buzina. Dá a impressão de que o dispositivo eletrônico que muda o sinal de vermelho para verde é o mesmo que aciona a buzina do carro atrás do seu. Então se for em Nova York, e vier atrás um táxi dirigido por um paquistanês...


Lá, os aperfeiçoamentos eletrônicos são infalíveis só ao espionar políticos e empresários de outros países. Ao dirigir um automóvel alugado entre os estados de Nova York e Massachussets, o GPS ficou completamente perdido num grande cruzamento rodoviário. E eu mais ainda, até lembrar de acionar o aplicativo “Waze” no meu smartphone.


No Brasil me irrita a quantidade de lixo que sai voando pelas janelas de ônibus e automóveis. Não importa o nível: pode ser um velho coletivo que roda entre bairros na periferia ou um super-executivo numa grande capital. Ou de uma BMV (Brasília Muito Velha) ou de um BMW. É inacreditável a quantidade de latinha de cerveja, maço de cigarro, copo de papel, toco de cigarro e “otras cositas más” que passam à toda pela janela rumo ao asfalto. Mas, na França e na Alemanha o “espetáculo” é semelhante e os “sujismundos” de Primeiro Mundo emporcalham ruas e estradas com a mesma competência que o brasileiro.


Para não sair da América do Sul, adorei saber que um casal de uruguaios veio ao Rio de Janeiro para conhecer um jovem jornalista carioca que ameaçava se casar com sua filha. Ao circular pela cidade, comentaram estar surpresos com a educação do motorista brasileiro. Perguntei ao colega (o “noivo”) se ele tinha entendido bem o espanhol dos futuros sogros...


Para terminar, peço licença para fugir do assunto automóvel: fui a um concerto no famoso e maravilhoso teatro Colón, em Buenos Aires. Uma sessão de gala, só com gente muito chique. E aplaudindo à beça entre um movimento e outro de uma sinfonia de Beethoven...

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