Que se danem os motoristas...

O percentual de 27,5% de etanol prejudica a dirigibilidade da BMV do pobre e do BMW do rico

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postado em 24/08/2014 19:18 / atualizado em 24/08/2014 19:26 Boris Feldman /Estado de Minas
Renato Weil/EM/D.A PRESS
A presidente congelou o preço da gasolina, mas a Petrobras segura o prejuízo. Os usineiros são, por isso, compelidos a segurar também o do etanol. Como as usinas não são estatais, algumas quebraram, outras capengam. Mas o governo tem sempre uma carta na manga para resolver (a curto prazo...) suas trapalhadas: nessa, o caminho das pedras é aumentar a mistura do álcool anidro na gasolina de 25% para 27,5%.

A ideia foi 'enxertada' na MP 647, que só tinha o biodiesel como tema. E aprovada no início de agosto pela Câmara. Para virar lei, ainda precisa do parecer positivo do Senado. E, para um toque de seriedade, a medida ressalva a necessidade de constatar sua 'viabilidade técnica'.
Se aprovada, ganham os usineiros, pois a demanda do etanol anidro seria elevada em 10% e aumentaria sua rentabilidade. Deixaria a Petrobras também feliz, pois reduz a deficitária importação de gasolina. Só perdem os motoristas...

A pedra no sapato de dona Dilma é que a tal 'viabilidade técnica' já foi desmontada pela Anfavea, associação dos fabricantes de automóveis: seus engenheiros alegam que se o percentual de 25% de etanol for excedido, os motores a gasolina terão desempenho prejudicado. Porém, mais uma vez, o aspecto técnico corre o risco de ser atropelado pelo político e que se danem os motoristas, pois o parecer final será do Inmetro, órgão do governo que, por conveniência, acaba comungando suas conclusões com as demandas do Planalto.

Se o percentual subir, não muda para quem roda com carro flex, que funciona com qualquer proporção dos dois combustíveis. Mas compromete a dirigibilidade dos milhões de carros a gasolina, seja a BMV (Brasilia Muito Velha) do pobre ou o BMW do rico. Esses motores foram calibrados para funcionar com 22% de álcool anidro na gasolina, mas o percentual já subiu para 25%. Segundo a Anfavea, adicionar os pretendidos 27,5% (que podem chegar a 28,5%) de etanol aumenta o consumo e a dificuldade em pegar nas manhãs mais frias. O motor poderá também engasgar nas arrancadas e retomadas. Além de afetar emissões: o catalisador será prejudicado por operar em temperaturas mais baixas e se elevaria também a emissão de óxidos nitrosos (NOx).

Segundo o deputado Arnaldo Jardim (PPS-SP), relator da comissão mista que aprovou a MP 647, "a medida iria conferir ao Executivo instrumento para estimular o setor sucroalcooleiro". O nobre parlamentar se esqueceu de informar ao distinto público que o estímulo será bancado por quem compra gasolina e recebe do posto cada vez mais etanol.

Se a proposta for também aprovada pelo Senado, o percentual de álcool poderá ser elevado por portaria interministerial. E a conta do mal feito pela presidente vai, mais uma vez, para o já combalido saldo bancário do brasileiro.
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