No deserto - Fera da areia

A austríaca KTM é uma das marcas de presença forte em ralis, como o Lisboa/Dakar, cancelado este ano por falta de segurança. Campeão francês correria com uma LC 660

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postado em 06/01/2008 10:53 Téo Mascarenhas /Estado de Minas
Os tanques de combustível comportam quase 40 litros - Fotos: KTM/Divulgação Os tanques de combustível comportam quase 40 litros
O francês Cyril Després, atual campeão do Dakar, a mais badalada prova fora-de-estrada do mundo, seria o homem a ser batido este ano, pilotando uma KTM LC 660. A marca austríaca faz do rali um de seus maiores marketings, e das 245 motos inscritas no Lisboa/Dakar, nada menos que 145 (59,2%) são KTM, como a do último vencedor, o francês Cyril Després, que também venceu em 2005 e em 2007 participou do Rally dos Sertões no Brasil. KTM é também a marca da moto do piloto Jean Azevedo, único brasileiro a conseguir o feito de vencer uma das etapas do Dakar. A montadora austríaca oferece o modelo 690cm³ já com preparação básica para o rali.

O campeão Cyril Deprés, piloto oficial KTM, iria competir este ano com um modelo LC 660, que é mais leve e tem modificações na caixa de câmbio e quadro, por questões estratégicas. Jean Azevedo, piloto privado (equipe Petrobrás), iria pilotar um modelo LC 690. As motos são semelhantes, mas o novo regulamento deixa os modelos mais leves e ágeis em nítida vantagem. É que para coibir a velocidade pura cada vez mais alta, limitou a velocidade máxima em 160 km/h (controlada via satélite, ligada ao GPS da moto), a 50 km/h nas proximidades das aldeias e a 30 km/h dentro delas.

Além disso, privilegiou a navegação, tentando reduzir custos e nivelar pilotos de fábrica e privados, limitando a função do GPS somente à bússola. Se o piloto se perder, poderia ativar o GPS, mas seria penalizado. O piloto também seria obrigado a levar um suprimento de água e uma baliza eletrônica, para localização, que depois de ligada acionaria a equipe de resgate, mas desclassifica o competidor. Também teria as etapas maratona, com ajuda externa proibida. Tudo isso, ao contrário das edições passadas, faria das motos mais ágeis as favoritas.

O motor da KTM LC (690 cm³ e 660 cm³) tem um cilindro, refrigeração líquida e fornece cerca de 70cv. Os tanques de combustível, um central e dois laterais, comportam 36 litros. Para garantir a lubrificação, duas bombas de óleo, enquanto a embreagem tem sistema antitravamento. O quadro é em tubos de aço. A suspensão dianteira é invertida WP, com tubos de 48 mm e 300 mm de curso. A traseira é mono WP, com 310 mm de curso. O peso a seco é de 162 quilos, mas, abastecida, chega a quase 200 kg.

Três décadas
O rali Lisboa/Dakar (ex Paris/Dakar), que nesta edição completaria 30 anos, começaria na capital portuguesa, prosseguindo pela Espanha, Marrocos, Mauritânia e Senegal, com chegada em Dakar, no dia 20. O percurso total seria de 9.273 quilômetros, dos quais nada menos que 5.736 quilômetros de etapas especiais, contra o relógio. Na categoria motos, estavam inscritos 245 competidores, de 50 nacionalidades diferentes, sendo quatro brasileiros: Jean Azevedo, José Hélio, Sylvio Barros e Rodolpho Mattheis.

A competição nasceu do sonho do francês Thierry Sabine, em 1977, depois de se perder no deserto do Ténéré, durante uma prova. Na virada de 1978 para 1979, a primeira caravana saiu de Paris, rumo a Dakar, na prova vencida pelo francês Cyril Neveu. Em 1986, o próprio Thierry Sabine morreria no deserto em um acidente de helicóptero. A prova, porém, tomaria dimensões cada vez maiores, com maciços investimentos das montadoras.

Cancelamento
A morte de quatro turistas franceses na Mauritânia, em 24 de dezembro, foi a senha, que resultou no cancelamento da prova. As autoridades francesas concluíram que a autoria foi do grupo Al-Qaeda, que também planejava um atentado contra a milionária caravana do Dakar, para ganhar mais visibilidade. Justamente na Mauritânia, que abrigaria a maior parte do percurso. Sem tempo nem logística para desviar a prova pelos países vizinhos ou garantir a segurança dos competidores pelos desertos da Mauritânia, a organização acatou a sugestão das autoridades e cancelou a prova, que volta com outro formato em 2009. O prejuízo, porém, é incalculável.
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