Tuk Tuk King TVS 200 - O dono da rua

Folclórico veículo, um robusto triciclo utilitário carrega quase tudo, com baixo custo e manutenção simplificada, suprindo a falta de transporte público na Índia

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postado em 13/04/2010 14:53 Téo Mascarenhas /Estado de Minas
Fotos: Teo Mascanheras/EM/D.A. Press
Hosur (Índia) - Locomoção e o transporte nos países asiáticos sempre foram problemáticos, especialmente pela superpopulação. A Índia, por exemplo, com cerca de 1,2 bilhões de habitantes, em uma área 2,6 vezes menor que a do Brasil, tem uma densidade demográfica de nada menos que 365 habitantes por quilômetro quadrado. Trata-se de uma verdadeira multidão que, para circular, descobriu o Tuk Tuk: um prosaico veículo de três rodas capaz de levar gente e carga, ou, quase sempre, os dois simultaneamente. Muito popular, o veículo é uma das saídas de baixo custo para tentar driblar um trânsito completamente caótico, pois, com reduzidas dimensões, oferece um pouco mais do cobiçado artigo "agilidade".

Um destes Tuk Tuks é o King 200, equipado com motor de um cilindro, do tipo dois tempos, de 199cm³ de cilindrada, carburado e alimentado por gasolina ou gás, com refrigeração a ar forçada por meio de ventoinha, produzido pela marca indiana de motocicletas TVS, que lançou o modelo em 2008. As formas não são requintadas nem saíram de badalados estúdios de estilo. Sem tanta preocupação com a estética, o veículo privilegia a praticidade, robustez e economia. Com um visual retangular, tipo pão de forma em miniatura, o triciclo tem pequenas rodas, com aros de 12 polegadas de diâmetro, bem nas extremidades (entre-eixo de 1.985mm), para aumentar o espaço interno.

Espartano

Esses veículos também são chamados, mais sofisticadamente, de auto rickshaw. O nome é uma alusão aos riquixás tradicionais, ou bicicletas de três rodas, movidas a tração humana, também muito comuns por lá, e tanto um como o outro, são largamente utilizados como táxis e veículos de aluguel. A capota é de lona plástica. Não há portas. No lugar, existem apenas vãos para entrar e sair. Os bancos são revestidos de material sintético sem qualquer regulagem. Cintos de segurança? Apoios de cabeça? Nem pensar. Em vez disso, um lugar no painel para apoiar o "seu" Deus de fé e rezar. O requinte fica por conta do porta-garrafa, tapete de borracha e porta-revistas para o serviço de bordo, além de partida elétrica e freio de estacionamento.

Por outro lado, o para-brisa dianteiro tem vidro laminado e limpador para os dias de chuva. O modelo King 200 também tem dois grandes faróis dianteiros com piscas integrados, que conferem um certo ar de atualização. Na traseira, as lanternas são retangulares, verticais e antiquadas. A decoração, com única opção, segue um padrão de combinação de cores. O verde, também presente na bandeira indiana, predomina na carroceria. Na moldura do para-brisa, a cor é o laranja/tijolo, igualmente presente na bandeira do país, enquanto a capota é toda amarela. Se viesse para o Brasil, o King TVS 200 também já estaria pronto...

Andando

Para pilotar, há um guidão semelhante ao de uma Lambreta. Para engatar uma das quatro marchas para a frente e a ré, é preciso acionar com força o manete de embreagem, girando o punho, até encaixar a marcha selecionada, sem dó da caixa, pois os engates parecem feitos na marra e com barulho. O piloto fica no centro do banco, deixando pequeno espaço nas laterais, frequentemente ocupado por passageiros, e tem uma estranha sensação de que tiraram o volante ou "encarroçaram" a Lambreta. Atrás, há lugar para três, mas quase sempre é multiplicado. O acelerador é parcimonioso, pois com peso de 345kg a seco e motor de 7,2cv e 1,9kgfm de torque (que fica embaixo do banco traseiro, junto com o estepe) não existe milagre.

Em Katmandu, no Nepal, o modelo também é popular e aparece até com carroceria fechada - Em Katmandu, no Nepal, o modelo também é popular e aparece até com carroceria fechada


Entretanto, o conjunto é robusto e suporta constantes maus- tratos sem reclamar, como pode ser visto corriqueiramente nas ruas, como excesso de peso, de carga e de passageiros, cumprindo com heroísmo e louvor seu papel utilitário. Nas retas, a sensação é de estabilidade, ajudada por uma baixa velocidade final; mas, nas curvas, as diminutas três rodinhas deixam a pulga atrás da orelha. É que ele não se inclina progressivamente, sinalizando o seu limite, e dá a sensação que pode virar sem avisar. Culpa da rigidez e do pouco curso das suspensões para aguentar o "tranco". O freio (um pedal no pé direito) se mostrou suficiente, mas não foi testado com carga máxima. O painel tem somente o essencial, com velocímetro e hodômetro. No Brasil, as tentativas de trazer o Tuk Tuk esbarraram na legislação, que exige capacete, cintos, etc. O seu preço na Índia é de cerca de R$ 3.800, equivalentes em rúpias.


(*) Viajou a convite da Dafra/TVS
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