Pilotando uma Honda Africa Twin, Téo foi do Acre até o Oceano Pacífico em ritmo de aventura

A empreitada de pilotar uma Honda Africa Twin, cruzando a Cordilheira dos Andes, passando por todo tipo de clima, estradas belas e sinuosas e cidades misteriosas, teve a recompensa do Oceano Pacífico

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postado em 26/02/2017 16:04 / atualizado em 01/03/2017 16:04 Téo Mascarenhas /Estado de Minas


Renato Durões/Honda/Divulgação

A ideia de ligar o Oceano Atlântico ao Pacífico por terra sempre contou com o desafio de superar a Cordilheira dos Andes, a Floresta Amazônica mais ao Norte e as regiões desérticas a Oeste. O caminho entre o Brasil e o Peru, incluindo também um pedacinho da Bolívia, faz a união e, de quebra, passa por regiões espetaculares, como a enigmática cidade da civilização inca perdida de Machu Picchu e as misteriosas linhas de Nasca, desenhadas em pleno deserto. Rumo ao Pacífico, o roteiro teve início em Rio Branco, no Acre, e término em Lima, no Peru, a bordo da Honda Africa Twin.

Renato Durões/Honda/Divulgação

Em Rio Branco, mais três Africas Twin que vieram rodando desde Guarujá, no litoral de São Paulo, traziam uma porção de água do Oceano Atlântico para ser lançada no Oceano Pacífico, simbolizando a integração interoceânica, completando o comboio. No trajeto até a fronteira com o Peru, em cerca de 340 quilômetros, passando pela cidade de Capixaba e região de Xapurí (do ambientalista Chico Mendes), uma constatação: quase toda a floresta virou pasto. Só sobraram as castanheiras, protegidas por lei, “cortadas” pela BR 317, que já precisa de manutenção.

FRONTEIRA Antes de enfrentar a fronteira com o Peru, que só permite a entrada de veículos em nome do próprio condutor, exigindo uma ginástica burocrática, demos uma passada na cidade de Cobija, na Bolívia, que não exige nada. Do outro lado, outro mundo. A estrada, rumo a Puerto Maldonado, é lisinha e sem um único buraco, em 230 quilômetros em direção ao sul, permitindo rodar como uma touring, apreciando regiões com florestas mais preservadas. Em compensação, muito calor e centenas de quebra-molas. Os rins do piloto agradecem as suspensões de maior curso e a roda dianteira maior com aro de 21 polegadas.

Renato Durões/Honda/Divulgação

Depois de cruzar a ponte estaiada do Rio Madre de Dios, o rumo vira para Oeste, direto para o desafio da cordilheira e mais 170 quilômetros até Mazuco. Antes, uma passagem inacreditável em uma zona de garimpo que invade a estrada com todo o tipo de “comércio”. As primeiras curvas e subidas aparecem, junto com um novo visual mais árido. A próxima meta é a histórica Cusco, 300 quilômetros adiante, e outra descoberta. Agora, as distâncias são medidas em tempo, já que a Estrada do Pacífico vira um verdadeiro novelo de curvas, com os famosos “caracoles”.
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ALTURA A rodovia segue aproveitando vales e, em muitos trechos, em vez de pontes, um rebaixamento na pista recheado de lodo para escoar a água das encostas, fazendo (ainda bem) o controle de tração trabalhar. Depois de Quince Mil, que tem este nome devido à quantidade de chuva em milímetros, o rumo é o céu. Subimos a 4.725 metros, junto com falta de ar e queda no rendimento da moto. O famoso “soroche”, mal das montanhas, não é lenda. A compensação é o visual cinematográfico, mas também fantasmagórico, com montanhas de neve eterna, nuvens baixas e rara vegetação.

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A chegada em Cusco, que fica a 4.300 metros, foi debaixo de um temporal de dar inveja a Quince Mil, porém foi só um aperitivo. Depois de uma pausa para visitar Machu Picchu, a meta foi Nasca, já do outro lado da cordilheira, a 670 quilômetros. Um trecho extremamente bonito e sinuoso, passando por Abancay, sempre beirando os 4.000 metros. Dali até Puquio o “filme” foi de suspense, com chuva torrencial, frio de 4°C, granizo e por fim, noite, com neblina de “cortar” com faca e nenhum ponto de parada. A recompensa foi Nasca, no deserto e sem chuva. O visual e o rumo mudaram outra vez. Agora, direção Norte pela rodovia Pan-americana, que corta o deserto. Até Lima, mais 470 quilômetros passando por Ica e a partir de Pisco, finalmente beirando o Oceano Pacífico.
Renato Durões/Honda/Divulgação

Não é fácil chegar em Machu Picchu, nem circular por suas escadarias sem preparo. Considerada a cidade perdida dos incas e patrimônio cultural da humanidade, ela ficou inacreditavelmente camuflada no topo de uma montanha a 2.400 metros de altitude até ser redescoberta em 1911. Com soluções de engenharia e arquitetura bastante avançadas, esconde mistérios ainda não desvendados e é a principal atração turística do Peru. A partir de Cusco, são cerca de 200 quilômetros pelo Vale Sagrado até Ollantaytambo, mais duas horas de trem até Águas Calientes e ainda um trecho de micro-ônibus até a entrada controlada.

Renato Durões/Honda/Divulgação

As linhas de Nasca, os chamados geoglifos, são outro mistério das antigas civilizações indígenas. Desenhadas no deserto, retratam com precisão, por exemplo, o condor, o colibri, a aranha, a baleia e até uma figura atribuída a um astronauta, o que levanta a tese da interferência extraterrestre, ainda mais porque as figuras de grande porte podem ser mais bem visualizadas do alto, o que era impossível na época. Hoje, o aeroporto local fica cheio para voos panorâmicos, mas também é possível avistar as figuras a partir de uma torre à beira da rodovia Pan-americana.
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GLÓBULOS Para aplacar os efeitos do mal da montanha, sem a quantidade de glóbulos vermelhos no sangue como os nativos, o chá de folhas de coca é uma instituição nacional. Como o nosso cafezinho, ele é servido nos bares, restaurantes, hotéis e vendido em supermercados. Já para a moto não tem chá, mas uma gasolina mais pura, sem etanol. A injeção eletrônica compensa a falta de ar, mas, sem um turbo, o motor estranha. Porém, a “reserva” de potência (90,2cv), atua com folga.

Renato Durões/Honda/Divulgação

O consumo de combustível no computador do painel, mesmo com altitude, calor e frio, ficou em mais de 17km/l na média. A posição de pilotagem não exige malabarismos em longas distâncias e facilita a transposição de obstáculos, como no passeio pelas areias do prolongamento do Deserto de Atacama (as casas não têm telhas porque não chove), entre Nasca e Lima. Mesmo com pneus originais, é só desligar o controle de tração e acelerar para não atolar. O para-brisa fixo oferece bom conforto aerodinâmico, mas, requer atenção na chuva, assim como o útil conjunto de malas, mais largo, no caótico tráfego de Lima, com animais na pista, tuk-tuks e buzinas, outra instituição peruana.

 

Tags: peru bolívia brasil atlântico pacífico andes dos cordilheira twin africa honda

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