Jóia rara da coroa

Bentley de 1931 foi leiloado por R$ 3,2 milhões em Paris, na semana passada. Motor turbinado e histórico de vitórias em Le Mans justificam a fortuna paga por russo

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postado em 24/07/2006 11:31
Carroceria desenhada por Vanden Pas, interior revestido em couro verde e  motor de seis cilindros e turbinado caracterizam o Bentley Speed Six de 1931 - Divulgação / Bentley Carroceria desenhada por Vanden Pas, interior revestido em couro verde e motor de seis cilindros e turbinado caracterizam o Bentley Speed Six de 1931
Milionários russos já podem ser considerados sinônimos de excentricidade. Desde uma equipe de craques que joga pelo Chelsea, de Londres, à contratação de estrelas argentinas para o Corinthians, de São Paulo, o dinheiro deles parece não ter fim. A última aquisição de um desconhecido milionário russo foi um Bentley Speed Six 1931, comprado por 1,1 milhões de euros, equivalente a R$ 3,2 milhões. O leilão foi organizado pela Christie, em Paris, sábado da semana passada.

Para entender o que leva alguém a pagar essa fortuna por um veículo de 75 anos é preciso conhecer a história da marca fundada pelo inglês Walter Owen Bentley, em 1912. O novo item de coleção do milionário russo desconhecido representou o auge da marca, fechando um tetracapeonato na 24 horas de Le Mans. Em 1928 e 1929, a marca havia vencido as provas com outro modelo, o 4.5 litros. Em 1930 e 1931, o Speed Six garantiu as vitórias.

Além da linhagem esportiva, o Speed Six tem carroceria estilo Vanden Pas e o interior revestido em couro verde. Outro item que agrega valor ao modelo é a raridade. Apenas 50 modelos foram produzidos e existe registro da existência de 41. A limitação obedecia uma exigência de produção restrita para os veículos que fossem participar da 24 horas de Le Mans - a excelência das provas de desempenho da indústria automobilística. Mas não foi o estilo e a raridade que fizeram a fama do Speed Six. Por baixo da carroceria, roncava um motor de seis cilindros de 240cv de potência.

O Speed Six debutou no Salão de Londres, em 1928, e passou a ser fabricado no ano seguinte, sendo o pivô de uma das polêmicas envolvendo o criador da marca. W.O Bentley, como era conhecido, não simpatizava com superalimentação dos motores dos carros fabricados por ele. Mas, um de seus melhores pilotos e clientes, Henry Tim Birkin, queria ver a baratinha turbinada e se comprometeu a pagar as despesas do projeto. Com o apoio de Charles Villers, projetou o compressor e os mecanismos de ligação a um novo virabrequim, prolongando a extremidade exterior.

Na primeira experiência com a modificação, na 6 horas de Brooklands, no início de 1929, o carro retirou-se antes do fim da competição. Quinze dias depois, no GP da Irlanda, Birkin chegou em terceiro. Bentley foi convencido e projetou uma versão superalimentada de 4.5 litros, da qual vendeu 13 exemplares em 1930 e 37, em 1931.

Outro que teve modelo idêntico foi James Bond, o agente 007. Não o popular dos filmes, mas o original do livro escrito por Ian Fleming. Bond guardava o Bentley na garagem de sua casa, em Chelsea, bairro de Londres. Nos filmes inspirados na obra de Fleming, o espião pilotou esportivos de grosso calibre, como Lotus, BMW até derrapar nas curvas com alguns Aston Martin.
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