Antigos - Com as mãos na lata

Especialista em restauração de automóveis revela que aficionados investem cifras expressivas para manter o hobby, movimentando um negócio cada vez mais aquecido

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postado em 18/04/2009 12:50 Enio Greco /Estado de Minas
Jaguar E-Type 4.2, de 1968, chama a atenção pela originalidade e conservação - Fotos: Beto Novaes/EM/D.A Press - 1/4/09 Jaguar E-Type 4.2, de 1968, chama a atenção pela originalidade e conservação
Enquanto muitas pessoas tentam deixar seus carros cada vez mais modernos, com equipamentos de última geração, outros trafegam pela contramão, dando uma aparência ainda mais retrô aos seus automóveis antigos. Tal fato pode ser constatado na ArtCar, oficina especializada que conta com um time de artesãos da lata, que conseguem deixar como novos carros danificados pela ação do tempo. Dirigida por Valdeir Pereira Passos, é uma das empresas responsáveis pela restauração de vários modelos que fazem parte do acervo de colecionadores mineiros e de outros estados.

Quem passa em frente ao número 6.350 da Avenida Antônio Carlos, no Bairro Liberdade, Região da Pampulha, não imagina que, por trás das portas fechadas de um grande galpão de fachada branca existe um verdadeiro estúdio de arte. Isto mesmo, a arte de restaurar automóveis antigos. A oficina ArtCar funciona no local há seis anos, mas Valdeir, o dono, trabalha no ramo desde os 10. "Vendia pastel e coxinha, mas já trabalhava ajudando a restaurar os carros. Depois, passei a fazer o serviço por conta própria", revela.

A qualidade do trabalho de Valdeir logo ficou conhecida entre os colecionadores de antigos de Belo Horizonte e, em pouco tempo, ele se tornou um dos profissionais mais requisitados do setor. Atualmente, a ArtCar conta com uma equipe de oito profissionais, que se dividem nas funções de desmontador, restaurador, preparador de pintura, pintor, restaurador e polidor de friso e montador. Valdeir é o responsável pela restauração da carroceria e revela que o compromisso da oficina é manter a originalidade do automóvel. Os únicos serviços terceirizados na ArtCar são a cromagem, capotaria e elétrica.
Proprietário gastou cerca de R$ 80 mil para deixar como nova a Corvette Sting Ray. Valdeir é um artista na recuperação das carrocerias - Proprietário gastou cerca de R$ 80 mil para deixar como nova a Corvette Sting Ray. Valdeir é um artista na recuperação das carrocerias

Um por vez
"Muitas vezes, corrigimos alguns erros de projeto quando vamos restaurar um carro, tornando determinado componente mais eficiente. É comum também ter que modelar peças, quando não encontramos para comprar", conta o restaurador. Ele informa que a recuperação de um automóvel antigo pode demorar de seis meses a um ano, dependendo do estado do mesmo. E, para manter a qualidade do serviço, Valdeir revela que executa um por vez. De acordo com o profissional, a restauração total de um carro, incluindo mão de obra e peças, pode ultrapassar os R$ 100 mil. "Existem casos de o proprietário gastar muito mais na restauração do que na compra do carro", revela.

Quando questionado a respeito da crise no setor automotivo, Valdeir é tachativo: "Não existe crise no setor de automóveis antigos. É um hobby de pessoas que têm verdadeira paixão pelo assunto e, normalmente, muito dinheiro para gastar com o produto", afirma. Ele acrescenta que os proprietários de antigos geralmente são aficionados e que muitos chegam a acompanhar a restauração no dia a dia. Valdeir coleciona diferentes histórias, como a do cliente que comprou uma Alfa Romeo GTA da década de 1970 e quis deixá-la com aparência mais antiga, como o modelo de 1963.

No salão
Pelo salão da oficina de Valdeir já passaram vários modelos, alguns raros e outros mais próximos da realidade do cidadão comum. No dia em que a reportagem do caderno Veículos esteve na ArtCar, um dos destaques era a Corvette Sting Ray de 1964, que, segundo o restaurador, foi adquirida por US$ 35 mil. "O dono gastou cerca de R$ 80 mil para restaurá-la, mas se quiser vendê-la pode pedir R$ 230 mil", revela.

Valdeir mostrou também um Jaguar conversível de 1971, que estava na fase intermediária do trabalho de restauração, com a carroceria totalmente desmontada. Ele conta que a parte tubular teve que ser totalmente refeita, sendo que, para isso, foi preciso conseguir as medidas exatas. Mas no salão havia ainda um Cadillac Continental de 1951, um Jaguar E Type 4.2 de 1968, um Oldsmobile Super 88 de 1961, um Ford 1931, dois Impala da década de 1960, uma Mercedes-Benz 450 SE de 1977 e um Ford Corcel 1973. Valdeir revela que quem gosta de carro antigo, mas não tem muito dinheiro para investir, a ArtCar oferece o serviço de guariba, que é feito em 20 dias e custa em média R$ 800. Não chega a ser uma restauração, mas ajuda a melhorar a aparência do automóvel.

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