Berlim 20 anos: Símbolos do poder e exportações

Como eram os carros do mais alto escalão do partido, o jipe que moveu o Exército Vermelho e o carrinho iuguslavo que fez sucesso nos Estados Unidos

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postado em 20/11/2009 12:19 Julio Cabral /Estado de Minas
Kremlin/Divulgação
Poucos carros simbolizaram tão bem o poder do Partido na URSS como as limusines da ZIL. Eram carros para poucos, para os mais altos escalões do governo. A marca começou a sua história ainda como ZIS, ou Zavod Imeni Stalina, uma homenagem ao ditador Joseph Stalin. Eram os carros dos mais poderosos, como os dirigentes do partido, com ingredientes de alto luxo. A ZIL/ZIS se destacou pelas limusines americanizadas, que eram basicamente fruto de um processo de engenharia reversa em que um carro dos EUA era desmontado, estudado e depois replicado em cópias. O primeiro modelo, o 101 de 1936, era equipado com um motor oito cilindros em linha com 5,4 litros e 91 cv e câmbio automático de três marchas. O propulsor levava o sedã, uma cópia de um Packard, aos 115 km/h de velocidade máxima. A produção era totalmente artesanal, em baixa escala, com uma fabricação de, no máximo, 25 unidades anuais.

Os dois modelos seguintes também eram cópias de um Packard: o ZIS 110 de 1946 era baseado no Packard Super Eight de 1942, enquanto o ZIL 111 de 1959 parecia um “rabo de peixe” dos anos 50, como motor V8 de 6 litros e 202 cv e passaria desapercebido em qualquer cidade americana do período. A marca passou a adotar o nome de Zavod Imeni Lihacheva, ou Planta Industrial de Lihachev, diretor da companhia, após a morte e desonra de Stalin.

Veja mais fotos das limusines da ZIL, do jipe da GAZ e do pequeno Yugo!

Na década de 70 os ZIL se tornaram mais austeros, ainda que o 117 de 1977 tenha sido inspirado nos Chrysler Imperial dos anos 60. As cilindradas também cresceram no Leste Europeu, e o modelo era impulsionado por um V8 de 6,9 litros com 304 cv, o suficiente para levar as mais de três toneladas a 201 km/h. Ainda havia o 115, uma limusine com blindagem pesada voltada para chefes de estado e visitantes ilustres, capaz de resistir a bombas e fogo pesado de metralhadoras anti-aéreas. Para levar as 4 toneladas, o ZIL 115 contava com um V8 maior, de 7,7 litros e 319 cv e 62 kgfm. Com tamanha cavalaria, o maciço modelo conseguia acelerar de zero a 100 km/h em 13 segundos e alcançava a velocidade máxima de 197 km/h.

Mesmo com a oferta de modelos mais modernos e requintados para o serviço de veículo presidencial, até hoje o Kremlin tem em sua frota um ZIL-41047, com sete lugares. Um símbolo do das altas classes do regime Soviético, mas que também serve como demonstração do orgulho nacional na Rússia moderna.

Orgulho do exército vermelho


Em se tratando de uma indústria que cresceu sob a sombra da Guerra Fria, a indústria automotiva soviética se dividiu, de maneira desproporcional, entre a produção de veículos militares e de carros de passeio. Como antes ocorreu com os jipes da GAZ, o exército vermelho e as forças militares do Pacto de Varsóvia, necessitavam de um jipe com boa capacidade no fora-de-estrada e manutenção descomplicada e fácil – um pré-requisito necessário em um país com regiões sem nenhuma oficina mecânica.

Para suprir essa necessidade foi criado o UAZ-469, que entrou em serviço em 1973 equipado com um motor 2.5 a gasolina de 73 cv e tração 4X4 com reduzida. Figura fácil em filmes de espionagem – incontáveis veículos da UAZ e da GAZ já foram destruídos em serviço por James Bond em seus filmes – o jipe atuou em diversos cenários perigosos, como na Guerra do Afeganistão, um dos eventos responsáveis pela crise e desfecho da URSS. Embora seja querido entre os jipeiros europeus, o modelo e suas variações deixaram de ser feitos para o mercado civil, por conta das leis de emissões.

Além das fronteiras

Embora os modelos da Lada tenham sido exportados para a Europa Ocidental, Brasil e outros países, poucos gozaram da mesma popularidade alcançada pelos Yugo produzidos na extinta Iugoslávia. Lançado em 1978, o compacto baseado no Fiat 128 se chamava Zastava Koral em seu país de origem. O hatch foi exportado para os Estados Unidos entre 1985 e 1991, pelas mãos de Malcolm Bricklin, influente importador americano. Na sede da Yugo da América conviviam hasteadas em harmonia as bandeiras da República Federal Socialista da Iugoslávia e dos Estados Unidos. O modelo chegou com um preço inicial de US$ 3.990 na versão 1.1 de 55 cv, o equivalente a R$ 6.891. Um pôster da época enfileirava o carrinho sérvio junto a um Volkswagen Fusca e um Ford Modelo T, ambos ideais de automóveis acessíveis.

Pôster associa o barato Yugo ao VW Fusca e Ford Modelo T como transporte racional - Zastava/Divulgação Pôster associa o barato Yugo ao VW Fusca e Ford Modelo T como transporte racional
 

Embora tenham sido vendidas cerca de 141 mil carros nos Estados Unidos entre 1985 e 1991 – com um pico de 48.500 carros em 1987 – o compacto logo se tornou personagem de algumas das mais conhecidas piadas automotivas, algumas das quais são adaptadas para denegrir outras marcas. Preconceitos a parte, até hoje o Yugo é um assunto popular na rede. Alguns exemplos:

- Como são chamados os amortecedores de um Yugo? Passageiros.
- Como você dobra o valor de um Yugo? Encha o tanque dele.
- Como você faz um Yugo ir mais rápido? Com um reboque.
- O que há nas duas últimas páginas do manual de um Yugo? O horário dos ônibus.

O último Koral/Yugo saiu das linhas de montagem da Zastava em novembro de 2008. A produção total do pequeno hatch foi de aproximadamente 790 mil carros.

Sucesso pós queda

Embora muitos carros do Bloco Comunista tenham sido exportados no período até a década de 1990, como os Lada e Yugo, poucos obtiveram muito sucesso após a década de 1990. As mais notáveis exceções são as marcas Skoda e Dacia. A primeira, de origem tcheca, foi fundada em 1925 e nacionalizada no pós-guerra. Desde 1991 faz parte do grupo Volkswagen e faz sucesso na Europa, com uma gama variada de modelos baseados sobre as plataformas do grupo. A Dacia, por sua vez, foi criada em 1966 como uma colaboração com a francesa Renault. Até a queda do comunismo, o fabricante produziu sob licença modelos franceses, como o Renault 8 e 12. Em 1999 a Renault adquiriu a marca e modernizou a sua gama, que desde 2004 inclui modelos como o Logan, produzido no Brasil pela marca francesa.

Veja mais fotos das limusines da ZIL, do jipe da GAZ e do pequeno Yugo!

Leia a primeira matéria da série sobre Carros do Bloco Comunista com o Trabant, um símbolo da queda do Muro de Berlim!.

Leia a segunda matéria da série sobre Carros do Bloco Comunista, com o primeiro carro soviético e os modelos da Lada!.

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