Mercedes 150 Sports Roadster - Precussor da Fórmula 1

Quando todos os carros tinham motor dianteiro, inclusive os "charutinhos" de corrida, a Mercedes projetou um esportivo equipado com motor traseiro colocado entre os eixos

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postado em 10/08/2010 17:48 Boris Feldman /Estado de Minas
De Irvine (EUA)* - Motor na frente e um eixo (cardã) cruzando o carro para tracionar o eixo traseiro. Essa era a configuração de todos os automóveis produzidos em série na década de 1930, até que a Mercedes-Benz teve a brilhante ideia de levar o motor para a traseira. Com as vantagens de reduzir peso e custo (ao eliminar o eixo cardã) e de aumentar o espaço interno. Leia as impressões.

Sentar ao volante da fera é uma experiência tão exótica quanto a própria. Não tem regulagem de banco e o motorista mais alto (como eu) vai quase espremido ao volante. Mas a surpresa agradável é que o danado tem bom desempenho... para a época, é claro. Anda tão bem que faz lembrar as antigas Mercedes com compressores. E a maior surpresa é a estabilidade: ele não vai muito além dos 100km/h, mas é bom em curvas de baixa, graças ao motor entre-eixos e a boa suspensão com molas helicoidais. E um interessante detalhe mecânico: depois das três marchas habituais, uma quarta do tipo over drive, que se engata sem pisar na embreagem. E sem nenhum engasgo nem arranhada de engrenagens, apesar dos mais de 70 anos de chão...

Assista a reportagem que Boris Feldman fez para o programa Vrum, onde ele dirige o Mercedes Sports Roadster 1936



Pronto, cara, você já andou muito no Sports Roadster. O diretor do Classic Center da Mercedes na California (EUA), aflito com a raridade que veio da Alemanha com seguro de um milhão de dólares (só para constar: se o navio afunda, onde comprar outra?) pede logo o brinquedinho de volta.

O projeto do sedã compacto 130 H (H de Heck ou traseiro em alemão) foi desenvolvido em 1933 e o carro lançado em 1934, tendo sido fabricado até 1939. A última série foi a 170 H, com a cilindrada aumentada de 1.3 para 1.7 litro. De tão parecido, o carro foi chamado de Fusca da Mercedes.

Se substituir seu motor traseiro refrigerado a água por um resfriado a ar, você já está muito próximo do projeto do Fusca apresentado por Porsche ao governo alemão em 1937.

Se o Fusca e os automóveis Porsche (a partir de 1948) com essa configuração foram extremamente bem-sucedidos, os Mercedes Heck Motoren não foram adiante pelo custo elevado e pelo início da guerra. Além da estabilidade comprometida com o motor dependurado atrás do eixo traseiro.

Fotos: Mercedes-Benz/Divulgação


Entretanto, houve uma variação sobre o tema do motor traseiro desenvolvida pela Mercedes, o 150 Sports Roadster. A ideia de seus engenheiros foi colocar o motor não atrás, mas à frente do eixo traseiro, ou seja, a famosa disposição entre-eixos, que resulta em excepcional estabilidade. Impossível para um sedã, pois o motor ficava exatamente no lugar do banco traseiro, mas perfeita para um roadster que só carregava motorista e um passageiro. Uma ideia tão boa que é adotada até hoje nos carros da Fórmula 1 e outros esportivos de raça...

Único no mundo O Sport Roadster foi apresentado, em 1935, no Salão de Berlim, com motor de 1.500cm³ de cilindrada e 55cv de potência que levavam o esportivo a excepcionais 125km/h (na época...) graças ao seu baixo peso e boa aerodinâmica. A disposição mecânica deu margem a soluções estilísticas no mínimo exóticas. Já que não tinha radiador na dianteira (ele ficava atrás, entre as molas da suspensão), seus projetistas lascaram um terceiro farol central na dianteira. A traseira é do tipo Boat Tail (rabo de canoa) obrigando a instalação de duas placas laterais. O porta-malas (dianteiro) ficou reduzido, pois o tanque vai sobre o eixo (para melhorar a distribuição de peso) e comporta apenas uma grande valise. Sem lugar para o estepe, bolaram então dois deles nas laterais...

Não há dados concretos sobre quantos modelos 150 foram produzidos entre 1935 e 1936, mas alguns registros (salvados da guerra) indicam apenas cinco unidades, duas delas efetivamente entregues. Todas se perderam, exceto a adquirida na década de 1950 pelo museu da Mercedes e que foi reapresentada em julho a alguns jornalistas na Califórnia (EUA).

* Jornalista viajou a convite da Daimler AG


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