Guerreiro verde e amarelo

O jipinho Xavante, depois rebatizado como Tocantins, foi o principal e mais longevo veículo fabricado pela Gurgel. Modelo tinha carroceria em fibra e motor Volkswagen

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postado em 03/09/2010 18:33 Pedro Cerqueira /Estado de Minas
Fotos: Abril press
A Gurgel foi fundada em 1969, em São Paulo, pelo engenheiro mecânico João Augusto Conrado do Amaral Gurgel. Antes disso, o empresário já tinha fabricado miniveículos, karts, esportivos (com chassi Volkswagen encurtado) e bugues. Em sua caminhada, o engenheiro agregou experiência em moldagem de plástico trabalhando na General Motors.

Mas o projeto que de fato alavancou as vendas da marca ficou pronto em 1971. O Xavante XT-72, um fora de estrada com pinta de bugue, tinha carroceria feita em plástico reforçado com fibra de vidro. Em vez do chassi de Fusca, uma nova peça foi desenvolvida para alcançar a resistência necessária para um uso mais severo. Tratava-se de uma estrutura feita de tubos de aço revestida por dentro e por for a com fibra de vidro. O processo, chamado de Plasteel, proporcionava excelente resistência e proteção contra corrosão, aliadas ao mínimo de peso. Da Volkswagen o modelo usava o motor e o câmbio.

Assista a reportagem do programa Vrum, onde a repórter Ana Cristina Pimenta conta a história da marca brasileira



Apesar das linhas de bugue, o Xavante trazia detalhes que o definiam como um jipe: boa altura do solo e ângulos de ataque e saída (63 e 41 graus, respectivamente), estepe sobre o capô, grades protetoras para os faróis, guincho, para-choques reforçados, capota de lona e para-brisa escamoteável. Uma solução engenhosa foi o Selectration, uma versão simplificada do bloqueio de diferencial. A grande sacada era o uso de dois freios de mão, um para cada roda motriz, capaz de bloquear o movimento da roda sem atrito e transferir a força para a outra do eixo. Como a mecânica conjugava o motor VW 1.6 com o câmbio do 1.3, com relações mais curtas, o modelo tinha torque elevado em rotações mais baixas.

VERSÕES Em 1973, a Gurgel lançou a versão XTR do Xavante, focada no uso urbano, com suspensão mais baixa, assim como a base da porta. No ano seguinte, o modelo ganhou linhas mais retas, além da versão XTC, mais confortável, com bancos anatômicos, instrumentos do painel deslocados para a frente do motorista, chassi reforçado, rodas e porta-malas maiores. Em 1975, quando a fábrica se instalou em Rio Claro (SP), o modelo foi aperfeiçoado, com para-choque dianteiro em fibra incorporado ao veículo, ressalto no capô (que passou a tampar o estepe), motor instalado um pouco mais atrás e passou a ser denominado X-10.

MILITAR Prova que o modelo reunia predicados dignos de um legítimo fora de estrada foi a aquisição de várias unidades pelo Exército brasileiro. A versão civil, semelhante à fabricada para as Forças Armadas, foi denominada X-12. Logo as opções de carroceria foram se diversificando. Em 1976, foi lançado o X-12 TR, com teto rígido e faróis embutidos, e depois o X-12 RM, com meia capota rígida (tipo targa). Com o passar dos anos, o modelo recebeu pequenos retoques. O mais marcante foi em1985, quando adotou novos para-choques, lanternas, grade e interior. A mecânica ganhou ignição eletrônica e nova suspensão traseira. Três anos mais tarde, o modelo passou a se chamar Tocantins. Em 1993, imersa em dívidas, a Gurgel fechou as portas, dando fim à fabricação de todos os seus produtos.

Em 1975, o modelo passou a se chamar X-10 e ganhou ressalto no capô - Em 1975, o modelo passou a se chamar X-10 e ganhou ressalto no capô
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