Rolimã: Pimpando e bordando

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postado em 13/05/2012 11:06 / atualizado em 13/05/2012 11:12 Enio Greco /Estado de Minas
Mel Duarte/Pimp My Carroça/Divulgação

Alguma vez você já ficou irritado com a carroça de um catador de material reciclável parada à sua frente no trânsito? Ficou nervoso, buzinou e fez xingamentos ao cidadão que empurrava o veículo sob sol forte ou chuva? Se você já agiu assim alguma vez, já passou da hora de rever seus conceitos. Na pressa do trânsito, as pessoas não param para observar e constatar que os catadores são verdadeiros agentes ambientais, que executam trabalho pesado diariamente em troca da subsistência. Eles são responsáveis pela coleta de 90% dos resíduos destinados à reciclagem, de acordo com dados do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR). O grafiteiro Thiago Mundano teve essa visão há cinco anos, quando começou a conviver com a dura realidade desses destemidos trabalhadores.

CONTATO
Mel Duarte/Pimp My Carroça/Divulgação

Mundano presenteia a cidade de São Paulo com seu grafite há alguns anos, mas foi em 2007 que ele acordou para o problema dos catadores de material reciclável. Para fazer sua arte nas colunas de viadutos e pontes da capital paulista, ele percebeu que em vez de solicitar autorização para a prefeitura precisava na verdade pedir licença aos catadores, muitos deles moradores de rua, que faziam daqueles espaços seus locais de trabalho ou as próprias moradias. Na base da camaradagem, Mundano conseguiu se aproximar dos trabalhadores, ofereceu para pintar as carroças deles, inserindo nos desenhos frases de cunho político-social ou de humor. Com isso, ele ouvia diferentes histórias e percebeu que aquelas pessoas tinham uma visão totalmente diferenciada da cidade, apesar de serem invisíveis à sociedade.

PIT STOP
Mel Duarte/Pimp My Carroça/Divulgação

O grafiteiro percebeu que os catadores são agentes ambientais, porém não são reconhecidos por isso. Depois de pintar 159 carroças desses profissionais pelo mundo, Mundano resolveu fazer um chamado coletivo e criou o Pimp My Carroça, que em inglês quer dizer “envenenar” ou “tunar” o veículo. Uma alusão ao programa Pimp My Ride da MTV. Trata-se de uma ação social, que vai começar por São Paulo, em 3 de junho, e posteriormente será levada a outras capitais brasileiras. O objetivo é atender 50 catadores de material reciclável de cada cidade, sendo que num pit stop a carroça passará por uma reforma estrutural e será “pimpada”, sendo pintada por reconhecidos artistas do mundo do grafite.

TRATO
Mel Duarte/Pimp My Carroça/Divulgação

Além da pintura estilizada, as carroças vão receber equipamentos de segurança, como retrovisores, faixas refletivas, cordas para a sustentação do material nas laterais e luvas para os catadores. Enquanto os veículos recebem um trato, os catadores ganham uma camiseta do projeto, são examinados por médicos e em seguida repõem as energias com uma refeição reforçada, garantindo o combustível para mais uma jornada de trabalho. Depois, os catadores sairão em uma “carroceata” pela cidade, levando muitas cores e alegria pelas ruas. Durante o evento haverá shows de 50 artistas.

DOAÇÃO
Mel Duarte/Pimp My Carroça/Divulgação

Para garantir fundos para o projeto. Mundano associou-se ao site Catarse (catarse.me/pt/projects/582-pimp-my-carroca) e durante alguns dias recebeu doações de 790 apoiadores, que até quinta-feira (último dia) totalizaram R$ 56.930 mil. O dinheiro será todo investido em prol dos catadores, mas, por meio do site, interessados podem se oferecer como voluntários, doar materiais ou enviar frases que serão escritas nas carroças “pimpadas”. Mundano pretende ainda conseguir capas de chuva, agasalhos e atendimento gratuito para os cães que normalmente acompanham os catadores.

VALE TUDO

Mundano quer que o Pimp My Carroça seja um marco histórico que mudará o descaso da sociedade em relação aos catadores de material reciclável. Como as doações em dinheiro já foram encerradas, o projeto continua aceitando lanternas de energia
Mel Duarte/Pimp My Carroça/Divulgação
solar, retrovisores, buzinas, faixas refletivas, pneus, pregos, tinta spray, latex, cordas, luvas, tecidos, alimentos, bebidas, óculos de grau, geradores de energia, banheiros químicos e infraestrutura de palco para shows, além do apoio dos voluntários. O grafiteiro esteve recentemente em Poços de Caldas, registrou sua arte e garantiu que em breve o Pimp My Carroça chegará a Minas Gerais. É a arte aliada a ação social, visando o benefício de pessoas menos privilegiadas. Uma atitude que merece respeito e atenção.

Tags: rolimã,

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