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A estrela do diretor

Oldsmobile Delta 88 herdado do pai é o preferido de Sam Raimi em todos seus filmes, incluindo a trilogia do Homem-Aranha e o clássico do terror Uma noite alucinante


Marcus Celestino

Publicação: 16/02/2013 10:03 Atualização: 16/02/2013 10:08

Olds Delta 88 1973 de Sam Raimi em ação na sua grande estreia nas telonas em Uma noite alucinante (Renaissance Pictures/ Reprodução)
Olds Delta 88 1973 de Sam Raimi em ação na sua grande estreia nas telonas em Uma noite alucinante

Muitos diretores tem seus chamados “atores-fetiche”, aqueles que compreendem perfeitamente as pretensões do realizador e as expressam com perfeição clínica nas telas (ver quadro). No entanto, uma parceria específica é especial e o protagonista uma estrela que merece lugar de destaque na galáxia: o Oldsmobile Delta 88, companheiro inseparável de Sam Raimi.

A relação de Raimi com o full-size da GM começou em 1973, quando seu pai adquiriu o possante de motor Rocket V8 zero-quilômetro. Com 14 anos de idade à época, o futuro diretor apaixonou-se à primeira vista pelo Olds amarelo. Alguns anos depois, Raimi recebeu de braços abertos o “muscle” e o adotou. Fã incondicional do modelo, “parente” de outros tão musculosos, potentes e beberrões quanto o Buick LeSabre, o Bel Air e o Impala (todos eram feitos sob a mesma plataforma), ele nutria também grande apreço pelos Três Patetas e pelo mundo da cinematografia. Desde muito jovem, produzia curtas, mas sua grande chance veio mesmo aos 22 anos com uma pequena produção de baixo orçamento. Uma noite alucinante conta a história de cinco amigos que vão passar férias em uma cabana e encontram um gravador com passagens do Livro dos mortos. Reproduzido, o áudio desperta espíritos malignos da floresta que matam um por um. A missão de detonar os fantasmas recai sobre Ash e mais quem? O seu Oldsmobile Delta 88. A película, que teve filmagem conturbada pelo orçamento baixo, tornou-se um sucesso inesperado e rendeu ainda duas continuações. No terceiro e último da trilogia, Ash e seu Olds são sugados por um portal do tempo e o carro recebe modificações para se adaptar ao apocalíptico século 13.

Apelidado de The Classic, o Oldsmobile de Raimi participou de todas as suas obras. Para os aficionados pelo trabalho do diretor é uma atividade divertidíssima procurar pelo possante em seus filmes. Na trilogia do Homem-Aranha, o Olds pertence a Ben Parker, tio de Peter Parker, o “aracnídeo amigo da vizinhança”. Em Arraste-me para o inferno, último trabalho do realizador, The Classic é propriedade da macabra senhora Ganush, que atormenta e amaldiçoa a jovem Christine Brown, interpretada pela estonteante Alison Lohman. Até mesmo no faroeste Rápida e mortal Raimi deu um jeitinho de trabalhar com seu carrão. O chassis do Olds foi utilizado numa diligência. Na película sobre beisebol Por amor o veículo aparece apenas na versão do diretor para a decepção dos fãs.

PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS
Colaborador de longa data dos irmãos Coen, Sam Raimi emprestou seu ator principal aos companheiros em algumas oportunidades. O Oldsmobile Delta 88 pode ser visto no excepcional debut da dupla, Gosto de sangue, em Arizona nunca mais, no filme vencedor de dois prêmios da Academia (Oscar de Melhor Atriz para Frances McDormand e Melhor Roteiro Original para os Coen) Fargo – Uma comédia de erros e também na elogiada comédia O Grande Lebowski.

FUTURO NA TELONA
Se alguém pensa que The Classic tem vontade de aposentar-se e deixar de vivenciar o glamur de Hollywood está redondamente enganado. O Olds participou do novíssimo projeto de Raimi, Oz, the great and the powerful. O filme serve como um prólogo do clássico O mágico de Oz, lançado em 1939 e conta em seu elenco com estrelas da estirpe de James Franco, Mila Kunis, Rachel Weisz, Zach Braff e Michelle Williams, além do parceiro de longa data do diretor, Bruce Campbell, o Ash da trilogia Uma noite alucinante. Contudo, o líder da gangue é o Oldsmobile Delta 88 amarelo 1973 de Sam Raimi, já confirmado pelo próprio autor na obra. Oz já tem estreia marcada para 8 de março nos Estados Unidos. O carro terá algumas modificações. The Classic é o maioral e até mesmo Campbell, ícone dos filmes B –cuja produção não é um primor –, teve de se curvar ao grandalhão: “Esse carro já esteve em mais filmes do que eu!”, bradou num tom brincalhão em sua autobiografia. Se depender de Raimi o Olds participará de muitos outros mais. Já merece Oscar e marcas de frenagem na Calçada da Fama.

PARCERIA CERTA

O extremamente talentoso Bill Murray trabalhou com o tão brilhante quanto Wes Anderson em cinco filmes tendo como ponto alto a trinca Rushmore, A vida marinha com Steve Zissou e Os Excêntricos tenenbaums. A última colaboração entre ambos, Moonrise kingdom, recebeu uma indicação à estatueta da Academia e foi sucesso de crítica. Max Von Sydow trabalhou em 13 películas do sueco Ingmar Bergman, incluindo pérolas como O Sétimo selo e A Paixão de ana. Werner Herzog e Klaus Kinski formaram uma parceria inflamável, mas expressiva. Juntos fizeram sete filmes, dentre estes os clássicos Aguirre: A Cólera dos deuses e Fitzcarraldo, que conta com os brasileiros José Lewgoy e Grande Otelo no elenco. Outra dupla emblemática é a formada entre os legendários Martin Scorsese e Robert De Niro. De Niro já atuou em nove obras de Scorsese, que lhe renderam inúmeras láureas como o Oscar de Melhor Ator por Touro indomável e duas indicações por papéis em Taxi driver e Cabo do medo. Outras tantas duplas dinâmicas poderiam ser citadas como as entre Uma Thurman e Quentin Tarantino e Russell Crowe e Ridley Scott.
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