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Carros e games: A evolução por meio dos bits

Jogos de videogame tornam-se cada vez mais reais e traduzem quase que perfeitamente os prazeres de dirigir. A riqueza de detalhes chega a impressionar até quem não gosta


Marcus Celestino

Publicação: 23/02/2013 20:48 Atualização: 23/02/2013 21:02

Gran Trak 10: horas incontáveis de diversão no Arcade da Atari (Atari/Arcade Museum/Divulgação)
Gran Trak 10: horas incontáveis de diversão no Arcade da Atari
Que garoto nunca passou horas a fio na frente da TV jogando um dos títulos dos seus consoles favoritos? Certamente, entre esses há um jogo relacionado ao mundo da velocidade e recheado de carrões movidos a pixels. A evolução dos joguinhos de corrida aos impressionantes simuladores da atualidade completa 40 anos e teve sua origem nos idos de 1973 com o Space race, da histórica Atari. Muito similar ao megassucesso Pong, o jogo consistia em uma competição entre duas naves que tinham de atravessar a tela desviando-se de asteroides e a cada travessia o jogador marcava um ponto. Coisa básica, mas que se tornou o embrião de um gênero que encanta milhões de aficionados mundo afora. Confira algumas das obras-primas que já estão no hall da fama dos clássicos dos games de corrida.

 

O PIONEIRO Gran Trak 10 (1974, Atari Arcade) foi o primeiro título a propiciar ao jogador a emoção de guiar um “carro” – muito entre aspas, pois o possante era um quadradão poligonal – por intermédio de um volante, câmbio de três velocidades (e uma ré esperta) e dois pedais para aceleração e frenagem. Além disso, é considerado o primeiro jogo de corrida de fato. O piloto competia apenas contra o relógio, mas o jogo contava com grau de dificuldade razoável e proporcionava horas de diversão em inúmeros circuitos com obstáculos, como o óleo espalhado por um dos setores da pista, que fazia a caranga derrapar. Além da ótima jogabilidade, Gran Trak 10 tinha bons efeitos sonoros para sua época, inclusive com o áudio perfeito das trocas de marchas. O game fez um sucesso tão grande que rendeu uma continuação para dois jogadores simultâneos e influenciou toda uma gama que estava por vir.

CAMPEÃO DO RALLY
Em uma época na qual os jogos apresentavam visual uniforme e com pouquíssimas variações em termos de paisagem, Enduro (1986, Activision, Atari 2600) era o suprassumo dos games em geral. A Activision sempre saía na frente dos concorrentes, e usou à época de todo o poderio que o console da Atari entregava. No game, o jogador pilota um bólido com rodas off-road e tem como objetivo viajar o mundo em cinco dias e se tornar o campeão de uma grandiosa competição de rally. Enduro tornou-se um clássico instantâneo por suas cores vibrantes e gráficos maravilhosos que contam com mudanças climáticas constantes, por sua jogabilidade viciante e dificuldade que cresce gradativamente conforme o piloto vence as seções. Nesse título você joga contra o tempo, tem de ultrapassar uma quantidade específica de carros a cada dia. Além disso, você ainda dispõe de um odômetro para conferir a quilometragem. Por fim, nada é mais prazeroso que virar uma noite jogando Enduro e apreciando o belo pôr do sol que o jogo proporciona.

“NÃO VALE O CARRO VERMELHO”
Frase proferida por nove entre 10 amiguinhos malas e iniciantes antes de jogar uma partida de Top Gear (1992, Kemco, SNES) contra você. O possante, inspirado na Ferrari Testarossa 1991, era o carro mais rápido do jogo, que ainda tinha máquinas baseadas na 288 GTO, no Porsche 959 e no Honda NSX. Uma evolução do jogo do NES de 8 bits, Rad racer, o game não se aproveitou muito das possibilidades gráficas dos 16 bits do popular SNES, mas mesmo assim é um dos grandes clássicos da história por elevar a sensação de velocidade à décima potência e criar desafios nas trocas de marcha (que tinham de ser clínicas), no desgaste prematuro dos pneus, na falta de gasolina e também por contar com competição mais acirrada entre rivais. Aliado a uma trilha sonora eletrizante, que poderia ter sido composta pelo Daft Punk no auge, Top Gear é mais um que entra no panteão dos grandes jogos de corrida e ainda gerou outras boas continuações, especialmente sua versão Rally para o Nintendo 64.

Gran Turismo revolucionou o gênero e iniciou uma nova era  (Sony/Divulgação)
Gran Turismo revolucionou o gênero e iniciou uma nova era

 

A SAGA CONTINUA Jogos de Fórmula 1 sempre foram muito populares, principalmente no Brasil, na Europa e no Japão. F1 2012 (Codemasters), para diversas plataformas, é uma experiência e tanto para os amantes do automobilismo. Com um joystick usual a diversão já é garantida, mas com um bom kit, incluindo volante, câmbio de seis marchas e pedais, a adrenalina de pilotar um fórmula-1 é latente. Tudo no jogo reproduz a realidade com similaridade incrível. A física do game é quase perfeita e evita colisões exageradas e permite que você sinta o carro com maestria. Muitos torceram o nariz para a série depois de a Codemasters tê-la assumido, mas há de se admitir: a desenvolvedora vem acertando em cheio ano após ano, para regozijo dos fãs.

Menção honrosa para alguns jogos que representam com maestria o alto nível dos games de corrida da atualidade: Wipeout 2048, Ridge Racer Unbounded, Dirt 2, Forza Motorsport 4 Gran Turismo 5. Serão esses os clássicos do futuro?

E o estonteante Driveclub, primeiro do gênero para o tão esperado Playstation 4 chega em breve forte na briga. Serão esses os clássicos do futuro?

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