Estado de Minas

Novela em (por enquanto) quatro atos »

Veículos híbridos e elétricos não emplacam no Brasil por miopia do governo

Surge uma luz no fim do túnel para evitar que o país perca o bonde da história


Boris Feldman - Estado de Minas

Publicação: 02/12/2013 13:09 Atualização:

Carregado de impostos, Prius custa exorbitantes R$ 120 mil e tem vendas simbólicas (Wagner Malagrine/Toyota/Divulgação)
Carregado de impostos, Prius custa exorbitantes R$ 120 mil e tem vendas simbólicas

Maio de 2010
Abrem-se as cortinas de um auditório em Brasília apinhado de empresários do setor, para ouvir do ministro Mantega o anúncio de um plano de incentivos para híbridos e elétricos. Mas o anúncio foi outro: evento cancelado, pois o presidente Lula pediu tempo para “conhecer melhor” o projeto. Fecham-se as cortinas depois do vexame governamental. (Explicação de bastidores: outros ministros e o presidente se preocuparam com o eventual estrago no etanol provocado por outras fontes energéticas.) E não se falou mais no assunto.

Outubro de 2012 Abrem-se as cortinas do Salão do Automóvel em São Paulo. "O Brasil precisa ter essa tecnologia", diz a presidente Dilma para seu ministro Pimentel. Ela tinha sido apresentada ao Prius, híbrido da Toyota que já vendeu quatro milhões de unidades em todo o mundo. No Brasil, carregado de impostos, ele custa exorbitantes R$ 120 mil e tem vendas simbólicas. Os japoneses entram no embalo e levam proposta ao governo para isentar híbridos do IPI durante cinco anos. Seriam importados nos dois primeiros e, nos três seguintes (até 2017), com progressiva nacionalização e motor flex. O governo não se manifesta. Fecham-se as cortinas.

Julho de 2013 Ao se abrirem as cortinas, está em Brasília, com o ministro Pimentel, o novo presidente da Anfavea, Luiz Moan. A associação das montadoras decide apoiar o projeto e leva proposta similar, sugerindo zerar não só o IPI, mas também o imposto de importação de híbridos e elétricos para fabricantes que aderiram ao Inovar-Auto. Com direito a cotas adicionais de importação: de 600 unidades em 2013 até 2.400 anuais em 2017. Fim do terceiro ato.

Novembro de 2013  Abrem-se as cortinas do Salão do Automóvel de Tóquio. O brasileiro Carlos Ghosn, presidente mundial da aliança Renault/Nissan, critica duramente nosso governo em entrevista para a imprensa mundial. Diz que “falta interesse real” para estimular fontes alternativas e que, em Brasília, só se ouve muito blá-blá-blá ao se tocar no assunto. “Não contamos com o Brasil entre os mercados importantes para carros elétricos.” Cortinas fechadas, sabe-se que tanto Nissan quanto Renault sentem dificuldade em emplacar aqui seus projetos de automóveis a bateria, inviabilizados por elevados impostos.

Março de 2014
Num possível final feliz dessa série de trapalhadas, o setor acredita que o governo vai anunciar, até o segundo trimestre do próximo ano, incentivos fiscais para viabilizar híbridos e elétricos. A Toyota fabrica o Prius no Japão, faz sua montagem (CKD) na China e Tailândia e pretende o mesmo no Brasil, dotando seu híbrido de motor flex. Renault e Nissan já puseram para rodar aqui seus elétricos e tentam sua montagem local. Mas precisam de um empurrão do governo (como em outros países) para reduzir preços e criar infraestrutura de recarga.

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