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Adiamento da exigêncida de airbag e ABS será a marcha ré do ano

A trapalhada do desgoverno federal com airbags e ABS comprova que segurança veicular é assunto que só entra em pauta por interesses políticos e econômicos


Boris Feldman - Estado de Minas

Publicação: 17/12/2013 10:44 Atualização:

 (Volkswagen/Divulgação)
 

A obrigatoriedade de airbags e freios ABS foi anunciada em 2009 para equipar gradualmente os automóveis brasileiros até atingir 100% dos modelos em janeiro de 2014. Entretanto, alguns projetos obsoletos, como VW Kombi e Fiat Mille, exigiriam tantos investimentos para enquadrá-los na lei que as fábricas perceberam ser inviável mantê-los em produção. Mas, de tão rentáveis, tentou-se em Brasília prorrogar o prazo fatal de dezembro de 2013. O presidente de uma grande fábrica chegou a ouvir, há alguns meses, a negativa da própria presidente, que alegou ser impossível voltar atrás em uma decisão que envolvia a segurança veicular. As fábricas jogaram, então, a toalha e passaram a planejar a desativação das linhas de montagem. Outras, que produzem modelos mais modernos, investiram para cumprir a exigência.

A Volkswagen formalizou o fim da Kombi com série especial, Last Edition. Os italianos atacaram de Grazie Mille para celebrar suas exéquias. Nesse momento, ambas ressaltaram que demissões ocorreriam, pois os dois modelos não deixam sucessores.

Aceso o sinal vermelho no ABC, o sindicato dos metalúrgicos partiu célere para Brasília e choramingou com a presidente que a exigência dos equipamentos teria essa nefasta consequência. Se a segurança veicular não foi capaz de sensibilizar nossos desgovernantes, demissões de algumas centenas (que o sindicato inflou para alguns milhares) foi argumento certeiro.
Dito e feito. Nesta semana, o ministro Mantega (é sempre ele...) chamou as fábricas e “sugeriu” a inclusão de mais etapas antes da obrigatoriedade dos 100%, que seria postergada para 2016. Dos atuais 60% para 70% em 2014 e para 80% em 2015.

Volkswagen e Fiat dissimularam o júbilo de contar com mais dois anos de faturamento da Kombi e do Mille. As que investiram milhões para dotar seus modelos com airbags e ABS ficaram perplexas.

Essa nova trapalhada do desgoverno federal comprova o descompromisso dos poderes Executivo e Legislativo com a segurança veicular e a triste realidade de ser assunto que só entra em pauta por interesses políticos e econômicos. O ministro Mantega não move uma palha para dotar o automóvel brasileiro com equipamentos de segurança do Primeiro Mundo. Nem terá insônia ao deixar de evitar a morte de milhares de brasileiros, desde que esteja, em troca, protegendo algumas centenas de empregos. Finalmente, alheio à realidade operacional das fábricas, não se importa em descartar, dias antes de entrar em vigor, uma decisão anunciada há mais de três anos. E para a imprensa, a esfarrapada justificativa “de evitar o inflacionário aumento de preços (R$ 1 mil) provocado pelos equipamentos”...

Ao confirmar a prorrogação, o Brasil terá perdido uma grande chance de reduzir a distância que o separa das nações desenvolvidas. E de tentar desconstruir a imagem de não ser um país sério.

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