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Clima natalino inspira paz do trânsito

O que faz diferença são boas doses de educação, cidadania e respeito à vida


Diario de Pernambuco

Publicação: 23/12/2013 12:45 Atualização:

Carine Carvalho
A maioria dos conflitos ocorre depois de alguma frustração ou de períodos de longa espera em congestionamentos  (Ricardo Fernandes/DP/D.A Press)
A maioria dos conflitos ocorre depois de alguma frustração ou de períodos de longa espera em congestionamentos

Derramou café na roupa, o pneu furou, você está prestes a perder aquela reunião superimportante com o seu chefe e o trânsito está parado. Tanto faz o motivo, você precisa chegar rápido! As mãos pressionam a buzina com força máxima. De repente, você leva uma cortada. Não mais que de repente, você desce do carro e xinga o motorista. Se esse tiver um pouco mais inflamado e devolver o insulto, pronto: é hora do rush na metrópole e a guerra está instaurada.

Uma coisa é certa: a vida nem sempre trafega por vias livres e tranqüilas. A psicóloga de trânsito Sonaly Frazão explica que no trânsito existe uma competição pelo espaço físico e pelo tempo que culmina em uma disputa de poder com raízes na história da evolução humana e forte influência na cultura. Pra ela, é justamente nessa negociação pelo espaço coletivo que são refletidas nossas emoções. Então, o que faz diferença nessa convivência são boas doses de educação, cidadania e respeito à vida.

Desarmado

Foi assim, subitamente, que a professora de direção defensiva Danielle França se envolveu em um conflito de trânsito, mas este teve um desfecho diferente. No final do ano passado, a professora se apressou para garantir uma vaga no estacionamento e quase bateu em outro carro."Eu simplesmente acelerei e fiz a manobra para a esquerda sem sinalizar. O automóvel que estava atrás freou bruscamente e quase colidiu. O motorista saiu do carro gritando e xingando enfurecido. Fiquei em pânico e comecei a chorar. Ele não esperava essa reação e se desarmou. Me pediu desculpas e desejou um feliz natal. Foi um bom final", contou.

Segundo a psicóloga de trânsito Sonaly Frazão, a maioria dos conflitos ocorre depois de alguma frustração pessoal, ou de períodos de longa espera em congestionamentos. "O tráfego é o maior espaço de convivência social onde as pessoas estão lado a lado, mas não se enxergam. Muitas vezes, agem como inimigos em uma competição", afirma.

Erro na lei

Para França, o problema começa com o nosso código de trânsito brasileiro. "Considera-se trânsito a utilização das vias por pessoas, veículos e animais, isolados ou em grupos, conduzidos ou não, para fins de circulação, parada, estacionamento e operação de carga e descarga", conta o texto da legislação. Ela o compara com o código alemão, que considera mais humanizado, que diz: "1. A participação no trânsito exige cuidados constantes e consideração mútua; 2. Cada participante deve comportar-se de maneira que nenhum outro possa ser prejudicado (...)".

França, que também é diretora do curso de autoescola comenta que a mobilidade é um grande desafio para gestores públicos e o restante da sociedade. "Um grande equívoco é a crença de que o motorista safo, ou desenrolado é aquele que sempre se dá bem, ainda que infringindo o direito dos demais. As pessoas não respeitam as leis de trânsito pela cidadania e segurança, mas sim, porque são fiscalizadas e multadas. Alguns países conseguiram resolver esse problema através do ensino da educação no trânsito nas escolas, desde as classes iniciantes e implementando mais rigor na fiscalização", conclui.

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