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Papai Noel volta de saco cheio com os problemas do mundo automotivo

O bom velhinho sempre traz presentes e faz a alegria da galera, mas seria legal se na viagem de retorno pudesse levar alguns inconvenientes que insistem em se perpetuar


Paulo Eduardo - Estado de Minas

Publicação: 25/12/2013 11:21 Atualização: 25/12/2013 11:23

 (Ilustração/Quinho)

O Brasil é um país tão danado que torcemos para que o Papai Noel leve um saco bem cheio na viagem de volta. Não com os presentes que ele trouxe, mas, sim, com as mazelas de que deveríamos ter nos livrado há muito. Por um triz ainda estaríamos comprando arremedo de automóvel, caso da Kombi. Por muito pouco, em nome de desculpas indesculpáveis. O mundo automotivo ainda roda na idade da pedra por aqui.

A Kombi simboliza o atraso, a defasagem tecnológica e desproteção aos ocupantes. Como ela, muitos modelos ainda vendidos aqui têm tanta tecnologia quanto: nenhuma. O governo federal hesitou na aplicação da segurança básica em detrimento de apelo fajuto de sindicatos enraizados no berço eleitoral do partido que lhe dá sustentação. Fabricantes de outras mazelas também queriam se aproveitar e continuar faturando às custas da insegurança alheia. Não lograram êxito, pois a pressão da opinião pública e o bom senso prevaleceram no apagar das luzes.

Papai Noel deveria encher o saco também com a falta de segurança nas estradas, que deveriam estar privatizadas. Só funcionam assim. O resto é balela.

No saco enorme caberiam, sem dúvida, os motoristas infratores que desrespeitam as mais elementares convenções: faixa de pedestre, luzes do semáforo, sentido obrigatório nas vias públicas, limite de velocidade, dirigir sob efeito de álcool, entre tantos outros comportamentos inadequados que tornam inviável qualquer convenção social.

Teriam lugar garantido no saco da volta humanos travestidos de autoridades que se lixam para os problemas sociais básicos e legislam em prol de interesses levianos. A inspeção veicular virou lenda. Os materiais empregados na construção dos carros fabricados no país estão aquém daqueles usados em pontos geográficos nos quais a civilidade prevalece em detrimento da canalhice.

Será que o saco de Noel tem capacidade para levar tanta tralha assim? Se não, esperamos que ele venha com um de capacidade infinita, pois o que mais queremos é viver bem em nosso aconchegante ponto geográfico, um dos mais aprazíveis do planeta, mas poluído por mandatários inescrupulosos, que pulam de legenda em legenda para que a roubalheira nunca tenha fim.

PS: Papai Noel, milagre não existe, mas não haveria uma maneira de reaver todos os bens que nos foram subtraídos em vez de apenas mantermos aqueles que nos surrupiaram atrás das grades, às nossas custas, por algum período de tempo, e depois vê-los novamente soltos, endinheirados e prontos para exercer a mazela da subtração?

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