Estado de Minas

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Fabricantes fazem jogo de empurra com garantia dos componentes do carro

É inaceitável a montadora transferir para o fornecedor a responsabilidade sobre qualquer componente com problema de qualidade


Boris Feldman - Estado de Minas

Publicação: 17/02/2014 10:57 Atualização: 17/02/2014 11:13

Tem montadora que se nega a cobrir defeito até mesmo do rádio que vem no carro ( Juarez Rodrigues/EM/D.A Press)
Tem montadora que se nega a cobrir defeito até mesmo do rádio que vem no carro

Alguém já ouvir falar que, ao comprar um automóvel zero, este seja entregue sem bateria, aparelho de som ou pneus, com a recomendação de que sejam adquiridos nas lojas especializadas?

Embora a resposta seja óbvia, a pergunta se faz a propósito de uma antiga e inexplicável prática das montadoras de transferir para seus fornecedores a responsabilidade sobre componentes de um automóvel. Digamos que um carro tenha rodado apenas cinco mil quilômetros, esteja dentro do prazo da garantia, um ou dois pneus ficaram carecas e o dono o leva à concessionária para reclamar do desgaste prematuro. A resposta da oficina: “Pode levar o carro na loja da Goodyear para que ela resolva o problema”. Em vez de protestar, ir ao Procon ou chamar a polícia, o dono é suficientemente cordato para ir à loja de pneus e ainda ter o dissabor de ouvir que a culpa é da montadora, pois algum problema na suspensão foi o responsável pelo desgaste. É o ponto de partida do famoso “jogo de empurra”, em que ninguém se responsabiliza por nada (e sobra para o bolso do dono do carro). A mesma linha de conduta se aplica para outros componentes, como aparelho de som ou bateria: “Quem garante é a Bosch, leve lá o carro”. E a Bosch argumenta que o problema não é da bateria, mas do circuito elétrico. E sobra de novo para o freguês.

As fábricas são chamadas de “montadoras” exatamente por encomendar de terceiros (fornecedores) a maioria das peças utilizadas na linha de montagem. São responsáveis pela qualidade de todo o automóvel e não podem se eximir da garantia de qualquer componente. Transferir essa responsabilidade é inaceitável e merece uma análise por parte do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC) do Ministério da Justiça.

FREIOS
Por falar em respeito ao consumidor, o Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro) está, passo a passo, tentando organizar a anarquia geral que reina no setor de peças de reposição. Não se controla a qualidade do que se vende fora das concessionárias, no chamado mercado paralelo. Não há obrigatoriedade de se certificarem componentes de segurança: fabriqueta de fundo de quintal produz (ou “recondiciona”) e vende livre e impunemente peças da suspensão, direção, transmissão e freios. O Inmetro já iniciou processo de certificação de alguns itens de segurança, como cadeirinhas, rodas e catalisadores. No mês passado, estabeleceu os critérios para a certificação de componentes do freio, como lonas e pastilhas. Dentro de três anos, só poderão ser comercializados se homologados de acordo com as normas padronizadas.

Já que chegou ao sistema de freios, o Inmetro tem que passar agora para o fluido de freio, fácil de ser falsificado: basta colorir álcool com anilina vermelha. E deixar o carro sem freios na esquina seguinte. Até lá, melhor você mesmo prestar atenção na marca do fluido que está comprando...

Esta matéria tem: (1) comentários

Autor: Diego Oliveira
As montadoras sabem muito bem a responsabilidade que cai sobre elas. Acontece que o brasileiro tem por hábito "largar pra lá", prefere vender o carro se for o caso. Desse jeito é mais barato pra elas enfrentar uma porcentagem mínima de ações judiciais do que ter uma logística montada de garantia. | Denuncie |

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