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Nissan com samba no pé no carnaval brasileiro

Automóvel e escola de samba não atraem pela racionalidade, mas pela emoção. Lidam com a sensibilidade, conquistam pela paixão


Boris Feldman - Estado de Minas

Publicação: 24/02/2014 13:36 Atualização: 24/02/2014 13:59

 (Reprodução)
Na minha cabeça, integração de automóvel com carnaval era coisa do passado, na época do “corso”, desfile de “furrecas” decoradas e cobertas de serpentina e confete. E um eventual lança-perfume... Até que uma simbiose entre japoneses, brasileiros e norte-americanos provou o contrário.


A Nissan está a dois meses de inaugurar fábrica em Resende (RJ). Até então, montava seus modelos na planta da Renault (sua associada) no Paraná, ou eram importados do México e Japão.

Para divulgar ao distinto público que está fincando bandeira no pedaço, a empresa decidiu associar sua marca às duas principais manifestações do povo brasileiro, carnaval e futebol.

Carnaval A Nissan patrocina o Salgueiro. E percebeu uma inusitada identificação – acreditem – entre fábrica de automóvel e desfile de carnaval. Levou o diretor da escola de samba para seu centro de design na Califórnia (EUA). Deu caldo e não faltou assunto. Ato contínuo, trouxe seu diretor de design para conhecer o Salgueiro. E rolou muito mais afinidade do que se imaginava.


Perceberam ter em comum a importância do design em seus projetos. E da integração de diversas equipes no desenvolvimento do produto.


Além disso, buscam despertar emoções. Nem automóvel nem escola de samba atraem pela racionalidade, mas pela emoção. Lidam com a sensibilidade, conquistam pela paixão.




E mais: diretores do Salgueiro e da Nissan preservam a ferro e fogo o sigilo de seus projetos. As escolas ensaiam durante meses, mas os carros alegóricos só aparecem no dia do desfile. Assim como os protótipos de futuros lançamentos que rodam durante meses disfarçados para despistar imprensa e concorrência. No samba e no automóvel, a competição é intensa, qualquer descuido é fatal e abre a guarda para o “inimigo”.


Ritmo: o cronograma para lançar um automóvel é rigorosamente respeitado, pois envolve dezenas de operações em diversos setores da empresa. Como adiar a data de apresentação de um novo modelo depois de bloqueados centenas de apartamentos em hotéis, mesas em restaurantes, assentos em voos e agendas de big-boss, chefões, políticos, imprensa e empresários?

Já na Marques de Sapucaí, ai da escola que desfilar mas não assinar o ponto na Praça da Apoteose rigorosamente nos 45 minutos previstos pelo regulamento...

Futebol Se a fábrica é no Rio, além do Salgueiro, houve o patrocínio de um time de futebol... carioca. E o felizardo a estampar o logotipo da Nissan na camiseta (e muita grana no caixa) foi o Vascão. Um casamento que já lá ia de vento em popa até que a estupidez inerente aos fanáticos do esporte ludopédico botou tudo a perder com a selvageria amplamente documentada na arquibancada de um jogo em Curitiba.
Na Sapucaí, a Nissan está em boas mãos. Mas, no gramado, se arrependimento matasse...

 (Nissan Divulgação)

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