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Ganhadores & perdedores

Até quanto o consumidor brasileiro está disposto a pagar por valores não percebidos num automóvel, como segurança e custo de manutenção?


Boris Feldman - Estado de Minas

Publicação: 10/05/2014 13:21 Atualização: 12/05/2014 09:10

Mercedes-Benz Classe A foi o automóvel com a melhor relação custo/benefício já vendido no Brasil, mas vendeu pouco (Eduardo Rocha/RR Studio)
Mercedes-Benz Classe A foi o automóvel com a melhor relação custo/benefício já vendido no Brasil, mas vendeu pouco
A Volkswagen apostou alto quando decidiu produzir um compacto supermoderno que, além de “bonitinho”, carrega centenas de milhões de dólares investidos em tecnologia nem sempre percebida (imediatamente) pelo consumidor. O recém-lançado VW up! é o modelo brasileiro mais seguro nos testes de impacto frontal. O de menor consumo com seu motor de três cilindros. E o que menos estrago provoca no bolso do dono para repará-lo depois de um acidente.

Mas o Mercedes Classe A (Juiz de Fora, de 1999 a 2005) foi o automóvel com a melhor relação custo/benefício já vendido no Brasil. E um fracasso de vendas, pois poucos perceberam sua qualidade. Ou, ao contrário dos europeus, não se animaram a pagar por ela.

 

Veja mais fotos do Volkswagen up!

 

Quinze anos depois, a pergunta é a mesma: o consumidor brasileiro paga mais R$ 3 mil pelo up!, ou leva um de seus obsoletos concorrentes (Clio, Celta, Palio...) projetados há mais de 20 anos?

A resposta é favorável à marca alemã, a julgar pela Ford, que também apostou todas as suas fichas no novo Ka, a ser lançado dentro de dois meses no Brasil. Está no mesmo segmento do up!, terá preço semelhante e também exigiu investimentos pesados em tecnologia de última geração.


Diz a Ford que um de seus principais atrativos está na conectividade. Seu sistema Sync transforma o limão das horas enfrentadas nos congestionamentos em limonada adoçada pelas mesmas opções de música, GPS, telefonia, internet e demais aplicativos presentes hoje num smartphone. Sem abrir mão também do baixo consumo (motor igualmente 1.0 tricilíndrico), segurança cinco estrelas e atenção especial para o espaço interno, um quesito levado mais a sério pelo brasileiro.

Pergunta-se: “Seu custo maior cabe no bolso do consumidor?”. “Até quanto ele está disposto a pagar por valores não percebidos num test-drive, como segurança e manutenção?”

VW up! é um pouco mais caro que seus concorrentes, mas é o mais seguro e o mais econômico do Brasil (Thiago Ventura/EM/D.A PRESS)
VW up! é um pouco mais caro que seus concorrentes, mas é o mais seguro e o mais econômico do Brasil


A Ford diz que o panorama mudou desde o Mercedes Classe A. “Com a democratização do crédito, a diferença fica diluída no bolso do freguês”. Ou seja, com financiamento de 60 meses, R$ 3 mil não mudam significativamente a prestação mensal e dão margem a se optar mais pelo benefício que pelo custo. Além disso, o consumidor está hoje melhor informado pelos meios de comunicação e até pela concorrência muito mais acirrada, o que lhe dá condições de prestar mais atenção no valor do produto que no preço.

Volkswagen e Ford são as primeiras no Brasil (depois da Mercedes em 1999...) a apostar em tecnologia e dotar seus novos compactos de valores não imediatamente percebidos pelo consumidor. Um diretor da marca norte-americana vai além e afirma que “a mudança do valor percebido pelo consumidor brasileiro irá definir ganhadores e perdedores na briga entre montadoras”.

Esta matéria tem: (9) comentários

Autor: guilherme pires
Up... mais um cavalo de tróia para enganar o consumidor brasileiro. | Denuncie |

Autor: Bruno ..
pelo preço do up completo melhor um 500.. | Denuncie |

Autor: Fábio F.S
Quer segurança compre um carro da categoria "médio" que você perceberá no test-drive a segurança e o conforto superior. E se não perceber diferença alguma não compra, fique com o seu ja conhecido carro. Dê a manutenção correta nele e seja feliz! | Denuncie |

Autor: Cesar Chagas
Comprei um palio Fire 2014, dizem que é o carro mais barato do Brasil, mas paguei R$ 30.000 pelo carro, mas tem seguro e IPVA, o que onera ainda mais o valor, sendo que o custo de produção do carro é R$ 8.000, as montadoras fazem um verdadeiro cartel só que avalizado pelo governo fominha... | Denuncie |

Autor: Meirelles Sr.
Não é só ganância das montadoras. Como exemplo cito os carros 1.0. Nesta categoria é uma guerra de foice entre as montadoras e quase todas possuem este modelo. Será que venderiam o Clio caro só para ajudar a manter o preço alto de Gol e Palio? São os impostos. | Denuncie |

Autor: Jack Bauer
Tenho um Classe A 2003 que comprei zero e agora está com 90 mil km. Faço questão de mante-lo e hoje ele é meu carro reserva. Nunca trocaria por um desses nacionais e nunca compraria em 60 meses. É questão de bom senso. | Denuncie |

Autor: Eber Eustaquio Cassimiro
Parabéns pela propaganda, ooppsss, pela reportagem é claro da coisa mais feia feita nos últimos anos. | Denuncie |

Autor: geraldo silveira
além da ganância temos também os pesados impostos para garantir o funcionamento da burocrática maquina governamental e claro, os desvios de verbas, etc,etc...pagamos uma amarok e levamos um 147!!! | Denuncie |

Autor: Alexandre Araújo
O problema do Brasil em relação aos carros não está nos modelos e sim na GANÂNCIA das montadoras que mantém no país um padrão de preços acima de qualquer outro lugar. Não cola mais dizer que tudo é imposto. Então o que precisamos é de respeito! Está claro que pagamos um Porsche e levamos um Jetta. | Denuncie |

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