Código de Trânsito: motoristas imprudentes comprometem melhorias no Brasil

Para especialistas, mau comportamento do brasileiro no trânsito ainda é responsável pelo número de acidentes. Aos 18 anos, Código de Trânsito aumenta rigor das multas

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postado em 22/01/2016 09:01 / atualizado em 22/01/2016 10:43 Agência Brasil

Número de acidentes voltou a crescer no Brasil a partir de 2001, com 30,5 mil mortes -  Edesio Ferreira/EM/D.A Press Número de acidentes voltou a crescer no Brasil a partir de 2001, com 30,5 mil mortes

Há exatamente 18 anos o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) entrava em vigor. A nova legislação trouxe várias novidades para os motoristas do país, com o objetivo de reduzir os acidentes e mortes no trânsito. Para especialistas, no entanto, o mau comportamento do brasileiro no trânsito ainda é responsável pelo número de acidentes.

“É claro que muita coisa melhorou, mas a verdade é que, de maneira geral, o trânsito continua violento porque o comportamento dos condutores é de velocidade, ainda é. Eu acho que o brasileiro tem um comportamento muito agressivo no trânsito”, afirma o sociólogo e consultor em educação para o trânsito, Eduardo Biavati.

Entre as novidades trazidas pelo CTB estão a fiscalização eletrônica de velocidade e o curso teórico de formação de condutores, além do aumento nos valores das multas e a qualificação de infrações como leves, médias, graves ou gravíssimas.

O cinto de segurança, antes um item meramente decorativo em vários automóveis, passou a ser obrigatório. O ato de dirigir depois de beber passou a ser fiscalizado e punido com mais rigor. Essas e outras inovações provocaram uma queda nos acidentes de trânsito logo após o código começar a vigorar.

De acordo com o Mapa da Violência divulgado em 2013 pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), o número de mortes por acidentes de trânsito vinha crescendo até 1997, ano em que foram registradas 35,6 mil mortes. No ano seguinte, quando o CTB passou a valer, esse quadro mudou, começando uma tendência de queda até o ano 2000, que registrou 28,9 mil mortes no trânsito. Foi a menor taxa em sete anos.

A queda, no entanto, parou por aí. O número de acidentes voltou a crescer a partir de 2001, com 30,5 mil mortes. De acordo com o Ministério da Saúde, o número de internações no Sistema Único de Saúde (SUS) em decorrência de acidentes de trânsito, em 2013, foi de 118,9 mil pessoas. No mesmo ano morreram 42,2 mil pessoas.

O assessor do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) Ailton Brasiliense lembra que a realidade em 1998 era diferente da atual, sobretudo em relação ao tamanho da população e da frota que circula todos os dias nas ruas. Desde quando o CTB passou a vigorar, a frota aumentou 275%. Mas, para ele, o maior problema é a falta de fiscalização.

“O problema não é o aumento no número de veículos. Nosso maior problema é a falta de fiscalização adequada. Há acidentes em que o motorista está profundamente embriagado. Nenhum cidadão comete uma infração quando tem certeza de que pode ser pego. Nessas rodovias sob concessão, com a pista boa, você chega a pegar veículos acima de 150, 170 quilômetros por hora (km/h). Aqui na Rodovia dos Bandeirantes, em São Paulo, já foi detectado carro a 190 km/h”, conta Brasiliense.

Para o diretor-geral do Detran-DF, Jayme de Sousa, o CTB foi um avanço importante para a legislação de trânsito, mas esbarra no comportamento de alguns motoristas. “O que, às vezes, não existe é a conscientização do condutor. Muitos condutores ainda têm um sentimento de impunidade, acham que não vai acontecer nada. Está faltando aos nossos motoristas um pouco mais de conscientização”.

Para Brasiliense, as campanhas também precisam ser intensificadas. “Você precisa ter muita campanha, muitas pessoas não têm a menor noção do que significa o ato de dirigir. Um carro andando devagarzinho, a 36 km/h, está andando dez metros por segundo. Em um piscar de olhos, você andou dez metros”.

Biavati trabalha há 20 anos com educação no trânsito e lamenta ver um perfil de jovens sem a exata noção do que significa ter um carro nas mãos. “Eu lido muito com jovens em palestras e é muito claro isso. Nosso jovem, futuro candidato a uma habilitação, simplesmente nunca ouviu falar sobre o problema da velocidade. Isso não foi assunto e continua não sendo. Temos um trabalho grande a fazer.

Na opinião do sociólogo, o Brasil deveria trabalhar com campanhas permanentes de educação e conscientização a respeito de vários temas, como beber e dirigir, o uso do cinto e usar o celular enquanto dirige. E, além de permanentes, ele acredita em campanhas mais explícitas e realistas sobre os perigos do trânsito, a exemplo do que fazem outros países.

“Eu gosto da abordagem dos ingleses, são campanhas extremamente bem feitas. Mas são chocantes, é claro, porque não escondem nada. Demonstram como a falta do cinto no passageiro do banco traseiro o leva a sofrer uma lesão medular, quebrar o pescoço ou a quebrar o banco da frente, causando a morte de quem está na frente”.

Tags: motoristas imprudentes melhorias trânsito brasil ctb código trânsito Código de Trânsito Brasileiro

Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação
600
 
Fernando
Fernando - 22 de Janeiro às 12:58
O curioso é que em estradas lixo, como a 381, o número de acidentes com mortes é absurdamente maior do que em estradas boas, como a Fernão Dias. Seriam os motoristas da Fernão Dias mais responsáveis?
 
Fernando
Fernando - 22 de Janeiro às 12:48
A estrada é pista única, cheia de caminhões, sem mureta central, mal projetada, repleta de buracos e mal escoamento da água da chuva provocando aquaplanagem, e a culpa dos acidentes é sempre sempre sempre dos motoristas. Jogar a culpa nos motoristas isenta o estado de responsabilidade e justifica as multas e radares (estado ganha dinheiro). Já consertar as estradas seria assumir a responsabilidade e bancar o conserto (estado perde dinheiro). Ou seja, a culpa é SEMPRE dos motoristas.
 
Weber
Weber - 22 de Janeiro às 10:19
As verdadeiras causas dos acidentes de trânsito no Brasil são três: elevada participação do modal rodoviário no transporte de cargas e passageiros, excesso de motociclistas despreparados e falta de investimentos na engenharia e manutenção das vias.
 
Weber
Weber - 22 de Janeiro às 10:17
Mas e a hipócrita Lei Seca, não era para diminuir o número de acidentes? O grande vilão do trânsito é a incompetência do poder público e não o motorista que bebe e dirige responsavelmente (grande maioria). Estão roubando bem estar do povo a troco de nada. E pior, acobertando os verdadeiros culpados.
 
Weber
Weber - 22 de Janeiro às 10:16
Vamos aos dados: mais de 50% dos acidentes em rodovias federais ocorrem em 5,5% da malha. Isso é culpa de quem bebe e dirige ou de um estado hipócrita e safado que desvia recursos escancaradamente e não investe onde deveria investir. Se existem rodovias da morte não é por acaso, mas por incompetência. Estão te fazendo de otário e você dizendo amém.
 
Weber
Weber - 22 de Janeiro às 10:15
Pretextar o abuso para coibir o uso é burrice e leva a resultados pífios. As verdadeiras causas das mortes no trânsito são outras e não a mistura de álcool com direção. Estude sobre o assunto e verá que estou falando a verdade.
 
rodrigo
rodrigo - 22 de Janeiro às 10:00
Concordo com o mal comportamento, mas não posso deixar de citar a falta da qualidade e de planejamento do transito também seja responsável pelos mesmos acidentes! Em qualquer pais do mundo o transito tem qualidade e o fluxo de veículos escoa com mais facilidade e não existe esse pega ladrão adotado no Brasil onde a maquina de multas opera em alta e nada é feito para beneficio do transito! Descobriu-se que quanto pior o transito, maior será a arrecadação dos órgãos responsáveis!
 
LUIZ
LUIZ - 22 de Janeiro às 10:48
Custa seguir a Lei? Só é multado quem transgride e se sente revoltado por ver seu mau comportamento punido. Parece menino mimado chateado pela reprimenda dos pais. Acorde, rapaz. De fato é pega ladrão. Lamento que te pegue.
 
LUIZ
LUIZ - 22 de Janeiro às 10:48
Custa seguir a Lei? Só é multado quem transgride e se sente revoltado por ver seu mau comportamento punido. Parece menino mimado chateado pela reprimenda dos pais. Acorde, rapaz. De fato é pega ladrão. Lamento que te pegue.
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