Aventuras no quintal

Ford Ka Trail equipado com motor 1.0 tem maquiagem discreta, mas está longe de ser um SUV

Testamos o Ka Trail 1.0, versão aventureira do compacto da Ford, que tem suspensão elevada em 3cm, pneus de uso misto e diversos adereços que pouco podem fazer por você no fora de estrada

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postado em 08/05/2017 12:52 Pedro Cerqueira /Estado de Minas

Molduras mais estreitas nas caixas de rodas formam conjunto discreto com faixas laterais - Juarez Rodrigues/EM/D.A Press Molduras mais estreitas nas caixas de rodas formam conjunto discreto com faixas laterais
 

A Ford quer pegar mais uma carona no subsegmento dos aventureiros, lançando agora uma versão do Ka com suspensão elevada e adereços que dão aquele aspecto de veículos brutos. Ainda no lançamento do Ka Trail, estranhamos a afirmação do fabricante ao classificá-lo como um “utilitário aventureiro”, só pelo fato de a suspensão ter sido elevada, chegando a 20cm em relação ao solo, o que o credenciaria a pertencer ao segmento do SUVs, que virou uma coqueluche. Mais do que isso, a invenção desse segmento dá a entender que o veículo tem uma considerável capacidade no fora de estrada, o que não é verdade em relação ao Ka.

Na traseira a versão se diferencia apenas por uma faixa na base da tampa do porta-malas - Juarez Rodrigues/EM/D.A Press Na traseira a versão se diferencia apenas por uma faixa na base da tampa do porta-malas

A versão aventureira tem a suspensão 3cm mais alta do que um Ka normal, o que não melhora muito seu desempenho. Fora isso, o único atributo funcional do Ka Trail são os pneus de uso misto. E só. É verdade que também classificamos como utilitários-esportivos outros modelos que não trazem atributos necessários para uma boa performance no fora de estrada – como tração nas quatro rodas e bons ângulos de ataque e saída –, mas esses veículos trazem uma carroceria com uma série de características (altura em relação ao solo, conjunto roda/pneus mais robusto, porte, espaço interno e até um nível de acabamento) próprios de um segmento consolidado.

 


Se o Ka é um hatch compacto, a versão com suspensão elevada não passa de um compacto aventureiro. A unidade testada foi um Ka Trail 1.0, um veículo compacto que não esbanja porta-malas e nem espaço interno. Compacto porque traz motor de compacto, um 1.0 aspirado de três cilindros que está longe de ser o melhor entre os concorrentes. No plano, o veículo até se desenvolve gradualmente, sendo possível rodar com giro lá embaixo. Mas é só surgir uma subida, ainda que amena, para que o carro perca o pique, sendo necessário rodar em segunda marcha com o giro alto ou ficar trocando entre segunda e terceira marchas. Porém, é inegável que o consumo é baixo. Uma boa notícia é que a maior altura em relação ao solo não comprometeu a estabilidade e nem o conforto da suspensão do veículo. Naturalmente, rodamos por estradas de terra, onde não foi constatado comportamento muito superior a qualquer compacto disponível no mercado.

A suspensão foi elevada em 3cm, chegando a um total de 20cm em relação ao solo - Juarez Rodrigues/EM/D.A Press A suspensão foi elevada em 3cm, chegando a um total de 20cm em relação ao solo

DISCRETO Quanto à maquiagem de aventureiro, podemos classificá-la como discreta. As molduras plásticas das caixas de roda são finas e interligadas por uma faixa lateral. As rodas escurecidas de 15 polegadas dão toque mais esportivo, mas os pneus de uso misto trazem o modelo à sua proposta. Apliques plásticos em cinza adornam os para-choques. O cinza também está presente na moldura da grade e no falso rack de teto. Para completar o look aventureiro, faróis de neblina. E, se o carro é enfeitado por fora, por dentro é bem mais simples. Identificam a nova versão as soleiras de porta, que trazem a inscrição Trail, e os bancos que combinam tecido e couro com costuras em cores vivas. No mais, o acabamento tem muito plástico e apenas um pequeno aplique de tecido nas portas dianteiras.

Interior é bem simples, com muito plástico e bancos que combinam tecido e couro - Juarez Rodrigues/EM/D.A Press Interior é bem simples, com muito plástico e bancos que combinam tecido e couro

Não espere por mimos. O Ka Trail é um modelo bem espartano, não trazendo ajustes elétricos dos retrovisores, ajuste em altura do banco do motorista, vidros elétricos nas janelas traseiras e nem mesmo computador de bordo. O próprio sistema de som MyConnection é o mais elementar disponível na linha Ford, oferecendo rádio, Bluetooth com streaming, entradas USB e auxiliar, além de telefonia. O painel vem equipado com o MyFord Dock, um compartimento que oferece suporte para que o smartphone possa ser melhor visualizado pelo motorista, que poderá usar seus aplicativos, como o de navegação.
Banco traseiro tem cintos de segurança retráteis e três apoios de cabeça - Juarez Rodrigues/EM/D.A Press Banco traseiro tem cintos de segurança retráteis e três apoios de cabeça

MERCADO Mesmo beirando os R$ 48 mil, a Ford tenta vender a imagem de que o Ka Trail tem um excelente custo/benefício, o que não é verdade. A marca escala como concorrentes diretos modelos como Renault Sandero Stepway 1.6 (R$ 60.700), Chevrolet Onix Activ 1.4 (R$ 58.490), Toyota Etios Cross 1.5 (R$ 64.490) e Hyundai XB20X 1.6 (R$ 59.645). Na apresentação, a marca induz ao erro afirmando que o Ka Trail é até R$ 10 mil mais barato que os concorrentes, ignorando que esse valor é válido ao comparar a motorização 1.0 com outras superiores. Outro ponto que pesa contra o Ka é seu conteúdo espartano. Até o Ka Trail 1.5, vendido por R$ 51.990, tem os mesmos itens de série da versão1.0, sendo igualmente pobre, enquanto os concorrentes citados oferecem mais conforto.

Rodas de liga leve escurecidas calçadas com pneus de uso misto - Juarez Rodrigues/EM/D.A Press Rodas de liga leve escurecidas calçadas com pneus de uso misto

Como concorrente direto do Ka Trail 1.0, o modelo mais parecido é o Fiat Uno Way 1.0, vendido por R$ 44.690. O Ka Trail 1.0 custa R$ 47.690, mas tem rodas de liga leve, som, sistema Isofix para fixar assento infantil, além de apoio de cabeça e cintos de segurança de três pontos para todos os ocupantes, enquanto o Uno tem rodas de aço de 14 polegadas e apenas predisposição para rádio. Como conteúdo, o Uno leva de vantagem apenas o computador de bordo.
O motor 1.0 três-cilindros confere desempenho bem discreto ao compacto da Ford - Juarez Rodrigues/EM/D.A Press O motor 1.0 três-cilindros confere desempenho bem discreto ao compacto da Ford

FICHA TÉCNICA
MOTOR
Dianteiro, transversal, três-cilindros em linha, 997cm³ de cilindrada, 12 válvulas, que desenvolve potências de 80cv (gasolina) e 85cv (etanol) de 6.300rpm a 6.500rpm e torques de 10,2kgfm (gasolina) a 3.500rpm e 10,7kgfm (etanol) a 4.500rpm

TRANSMISSÃO
Tração dianteira com câmbio manual de cinco velocidades

SUSPENSÃO/RODAS/PNEUS
Dianteira, independente do tipo McPherson, com barra estabilizadora; e traseira com eixo de torção e barra estabilizadora/em liga leve de 15 polegadas/185/65 R15

DIREÇÃO
Do tipo pinhão e cremalheira, com assistência elétrica

FREIOS
A disco na dianteira e tambor na traseira, com ABS e EBD (distribuição eletrônica da força de frenagem)

CAPACIDADES
Do tanque, 51 litros; e de carga útil (passageiros mais bagagem), 403 quilos ]

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