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Comportamento »

Mulheres encaram serviço de mecânica com naturalidade

Elas mostram que o sexo feminino está longe de ser frágil


Palloma Viana - Diario de Pernambuco

Publicação: 21/03/2013 00:02 Atualização: 21/03/2013 09:31

Não é de hoje que as mulheres estão dominando as profissões masculinas. E por mais que as graxas, ferramentas e trabalho pesado pareçam assombrosos para elas, muitas estão encarando os labores, tradicionalmente masculinos, com naturalidade. Por isso, beleza e capricho passaram a ser elementos frequentes nas oficinas e lava-jatos. Se engana quem pensa que elas não dão conta do serviço. Estas personagens mostram que além do sexo feminino está longe de ser frágil, exercem suas funções com muita responsabilidade.

 

Lavar e reparar automóveis não são mais serviços restritos aos homens    (Bruna Monteiro/ Esp.DP/D.A Press)
Lavar e reparar automóveis não são mais serviços restritos aos homens

 

Há três anos, a dona de casa, Valmira Oliveira, 33, mudou de vida. Sem emprego e sem ter como ajudar nas despesas da família, encontrou no lava-jato uma oportunidade de trabalho. “Estava desesperada atrás de um serviço e me indicaram aqui. A primeira impressão foi de susto, pois não entendia nada de carro. Mas, logo aprendi e hoje faço de tudo. Sou orgulhosa do meu trabalho”, conta a lavadora.
A observação e força de vontade foram cruciais para Maria Luiza dos Santos, 31, ocupar um espaço masculino e trabalhar como colorimetrista (especialista em mistura de tintas). Para ela, a maior dificuldade foi entender o catálogo de cores. “Trabalho na oficina há nove anos e meu início foi na limpeza. Mas, minha curiosidade fez com que eu aprendesse a preparar tintas junto com os colegas de trabalho. Só de vê, eu aprendi”, explica.

 

Valmira Oliveira e Andreia Reis, apaixonadas pela profissão (Bruna Monteiro/ Esp.DP/D.A Press)
Valmira Oliveira e Andreia Reis, apaixonadas pela profissão

 

Preconceito
Além de trabalhar com serviços pesados, elas tem outro desafio em comum: o preconceito. Muitas mulheres e homens repreendem a inclusão da mulher nas oficinas. A presença feminina é mais recriminada pelos colegas de profissão. “Nunca sofri preconceitos com os clientes. Eles se surpreendem com a presença da gente, mas logo preferem nosso trabalho porque temos um capricho melhor. Na rua as pessoas estranham quando eu falo onde trabalho. Mas, logo admiram minha coragem”, diz a reparadora Alexandra Barbosa, 33.

 

Curiosidade fez a colorimetrista Maria Luiza dos Santos ocupar um cargo masculino (Bruna Monteiro/ Esp.DP/D.A Press)
Curiosidade fez a colorimetrista Maria Luiza dos Santos ocupar um cargo masculino

 

Vaidade
Unhas perfeitas, cabelos arrumados e rostos maquiados são como as mulheres trabalham na oficina e no lava-jato. Trabalhar em um ambiente historicamente masculino não exige que elas deixem a vaidade de lado, mas que estejam ainda mais bonitas. No entanto, com a lavadora Andréia Reis, 21, foi o contrário. Ela explica que só pegou o costume de se maquiar dentro do lava-jato. “Eu não tinha o hábito de me maquiar todos os dias. Mas, após três meses trabalhando aqui, aprendi a ser mais vaidosa e hoje não consigo trabalhar sem maquiagem”, enfatiza.

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