Salão de Detroit - Sonho e pesadelo americano

Picapes com visual cada vez mais agressivo dividem espaço com carros-conceito ecológicos. Dicotomia entre consumir e economizar mostra dilema vivido nos EUA

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postado em 16/01/2008 15:00
Cadillac CTS-V - Fotos: Stan Honda/AFP - 01/2008 Cadillac CTS-V
De Detroit (EUA) - A Chrysler apresentou no domingo, com desfile de manada de bois chifrudos na Washington Boulevard, em frente ao Cobo Center, onde acontece o Salão de Detroit, a nova geração da Dodge Ram, ladeada por vaqueiros e bovinos, que pastaram no frio de -1°C. O novo desenho da picape teve a agressividade tosca ressaltada - esta era a intenção da marca, que em seu material de divulgação ensina como ser um verdadeiro caubói, com atitudes como esquentar água na fogueira, cortar lenha e dar nó de boiadeiro. A nova Ram tem três opções de motor, sendo o maior um 5.7 V8 de 380 cv. No dia seguinte ao desfile da tropa, a mesma Chrysler mostrou três conceitos ecologicamente corretos: o ecoVoyager, Jeep Renegade e o Zeo.

O ecoVoyager combina motor elétrico com célula a combustível e é capaz de transportar quatro passageiros. O motor elétrico chega a 268 cv e a frenagem regenerativa devolve a força que seria perdida a bateria. Para aumentar a autonomia tem célula a combustível de hidrogênio, que o torna capaz de percorrer 480 quilômetros, sem emitir poluente. O Jeep Renegade tem dois lugares e um motor elétrico acionando cada eixo, o que proporciona autonomia de apenas 64 quilômetros. Porém, o Renegade tem um motor a diesel 1.5 de três cilindros, para pequenos deslocamentos, que amplia a autonomia para 644 quilômetros. Já a proposta do Dodge Zeo é ser um esportivo para quatro ocupantes com sistema de propulsão formado por conjunto de baterias de 64 kWh de lítio-íon capaz de rodar até 402 quilômetros. Há também um motor elétrico de 268 cv que traciona as rodas traseiras e contribui para acelerar até 96 km/h em menos de 6 segundos.

A diferença é que a Dodge Ram é vista pelas esquinas e ranchos dos EUA (é o nono modelo mais vendido do país) e os conceitos não passam de um vislumbre para o futuro. Entretanto, o presidente mundial da General Motors, Rick Wagoner, prevê que em 12 anos 30% do petróleo usado como combustível nos EUA será substituído por etanol, principalmente o E-85, composto de 85% de álcool (proveniente do milho) e 15% de gasolina.
Cadillac Provoq - Cadillac Provoq

Wagoner, que foi presidente da GM brasileira na década de 80, ressalta que a experiência do Brasil com álcool combustível é um exemplo para os EUA. "Quando falo do exemplo do Brasil em Washington pedem que eu não fale mais", diz e explica que o pedido de silêncio é por tanto insistir. O executivo anunciou acordo com a Coskata, empresa que estuda o desenvolvimento de combustível com base em bactérias e resíduos em decomposição. Na linha ecológica da GM, está o Cadillac Escalade Hybrid, com sistema de célula a combustível de hidrogênio, que não teve suas características de grande SUV modificadas para receber o sistema. Outro exemplo é o crossover Cadillac Provoq, que se vale da tecnologia do badalado Chevrolet Volt, com três motores elétricos e um de célula a combustível de hidrogênio.

Entretanto, o que satisfaz o público é o motor V8 LSA supercharger 6.2 de 558 cv de potência do Cadillac CTS-V, que será lançado no quarto trimestre. A série V do Cadillac CTS tem sensores eletrônicos nas quatro rodas, amortecedores eletromagnéticos em vez de válvulas mecânicas, que aceleram o tempo de resposta. Ou a nova geração do Chevrolet Corvette ZR1, que é equipado com motor LS9 V8 de 6.2l, com potência de 620 cv!

(*) Jornalista viajou a convite da Anfavea
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