Poluição sonora - Caça aos grilos

Montadoras investem muito para tentar reduzir o nível de ruídos dos carros e ornar menos incômodo barulhos como os que vêm do motor e do ar na carroceria

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postado em 29/08/2006 15:58 Eduardo Aquino /Estado de Minas
O barulho do motor incomoda quando o carro roda no trânsito urbano e do ar sobre a carroceria quando está na estrada, e obriga o motorista aumentar o volume do som ou da voz para conversar com quem está ao lado. Para tentar reduzir estes incômodos, tanto para os ocupantes dos veículos quanto para os pedestres e moradores em geral, e deixar os veículos mais silenciosos, as montadoras investem muito no desenvolvimento de projetos, laboratórios e pesquisas.

Embora ainda haja muito trabalho pela frente, estes investimentos têm produzido resultados bastante positivos. Um automóvel produzido hoje faz 10 vezes menos barulho do que um fabricado em 1970. Considerando os padrões europeus, que são os mais avançados nesta área, a legislação (ver quadro) evoluiu, em quatro fases, de 82dBA (decibéis) para 74dBA. Embora pareça pouco, trata-se de um grande avanço, pois a redução de 3dBA diminui a potência acústica de sons gerados do lado de fora do carro pela metade. Mas esta evolução poderia ser considerada excelente se a quantidade de veículos nas ruas e o tráfego resultante (e ruído) não tivessem aumentado muito, junto com o nível de exigência dos consumidores, cada vez mais sensíveis aos barulhos indesejados.

Um dos projetos que se destacam nesta área é o Véhicule Numérique Silencieux (Veículo Digitalmente Silencioso, em francês), ou simplesmente Vênus, desenvolvido pela Renault desde 1999. Seu principal objetivo é reduzir o nível geral de barulho de um automóvel, interno e externo, assim como os custos, que são aliviados com o uso de simulação digital, que diminuem bastante a dependência dos testes realizados com protótipos. Por meio de sofisticados equipamentos, os engenheiros simulam ruídos e vibrações para cada componente. O projeto permitiu que os engenheiros projetassem digitalmente a carroceria do Clio III, que é produzido somente na Europa (no Brasil, o Clio é o da segunda geração) e foi certificado com níveis de 71dBA, que significa 3dBA a menos que o exigido pelas normas européias.

Câmaras

No Brasil, as pesquisas e trabalhos para reduzir os barulhos também vêm evoluindo de forma significativa. A Fiat, por exemplo, criou, em 2003, o seu Laboratório de Acústica e Vibração, dentro do programa de desenvolvimento de modelos em Betim (denominado Polo de Desenvolvimento Giovanni Agnelli), em conjunto com a Itália. O laboratório é composto por três câmaras acústicas, equipadas com rolos dinamométricos (nos quais os veículos são colocados para simular rodagem em asfalto), computadores de última geração, sofisticado aparelho com sistema binaural (que simula o ouvido humano), diversos sensores e toda a parafernália necessária para simular provas e medir e identificar ruídos vindos do motor, sistema de escape, de aspiração (do motor), dos pneus, aerodinâmico, ar-condicionado, entre outros (ver quadro fontes de ruído).

Segundo o engenheiro João Batista Filardi, responsável pelo laboratório, nossas primeiras avaliações são feitas em estradas, e, com base nestas informações, realizamos os testes nas câmaras, que oferecem a grande vantagem de podermos repetir os testes várias vezes sem interferência externa e com apoio de equipamentos de última geração. A Fiat pretende inaugurar, até 2008, mais duas câmaras, sendo uma delas semi-anecóica, para testes de ruídos de alta e baixa freqüência. Após estas inaugurações, garante Filardi, poderemos realizar o desenvolvimento completo de qualquer modelo.


Principais fontes de ruído
Abaixo de 50km/h, predomina o som do motor, seguido pelo ruído dos pneus no asfalto áspero e imperfeito. Acima de 100km/h, o ruído aerodinâmico (do ar sobre a carroceria) geralmente se sobrepõe aos demais. Outras fontes: escapamento, sistema de suspensão, ar-condicionado e bomba de combustível
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