Mercado - O barato que não é bom

Importação e comercialização de autopeças chinesas cresce vertiginosamente, mas qualidade preocupa varejistas. Preço baixo incomoda fabricantes nacionais

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postado em 29/08/2006 16:47
Caixas de componentes da China vendidas em Belo Horizonte - Marcos Michelin/EM - 21/8/06 Caixas de componentes da China vendidas em Belo Horizonte
No primeiro semestre, a importação de autopeças chinesas cresceu 62%, comparada ao mesmo período do ano passado e representa 2,77% do mercado nacional. O problema é que o crescimento vigoroso dos chineses se sustenta no preço inferior - entre 10% e 15% do valor das peças nacionais - e na qualidade duvidosa. Não são como os produtos nacionais. As fábricas de lá não se especializam e produzem de tudo que afeta a qualidade, afirma o diretor e conselheiro do Sindicato do Comércio Varejista de Veículos e de Peças e Acessórios para Veículos (Sincopeças), Alfredo Alves. Apesar da desconfiança, Alves explica que os comerciantes não têm como deixar de vender, pois a diferença de preço é muito grande: Já tive problemas com clientes insatisfeitos, mas somos obrigados a comercializar.

Preocupados com a concorrência feroz, o Sindicato Nacional da Indústria de Componentes de Veículos Automotores (Sindipeças) pediu a adoção de salvaguardas ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e à Receita Federal para baterias, rolamentos e cruzetas. O Sindipeças também montou um grupo para tentar recuperar o posto perdido no mercado de reposição.

As peças importadas da China são destinadas principalmente aos carros importados e modelos que também são comercializados no exterior e já foram produzidos no país, como o Audi A3 e o Mercedes-Benz Classe A. Segundo o presidente do Sindipeças, Paulo Butori, valor baixo pode caracterizar dumping, que é a venda por preço extraordinariamente inferior, até abaixo do custo, para prejudicar a concorrência. Uma das idéias para diminuir o agressividade chinesa é aumentar a alíquota de importação, atualmente fixada em 11% para o setor.
Pneu importado pela GM equipa os modelos - Marlos Ney Vidal/EM - 26/5/06 Pneu importado pela GM equipa os modelos

Disparidade

Na loja SP Imports, no Bairro Buritis, em Belo Horizonte, um jogo de pastilha de freio importado da China para o Audi A3 é vendido a R$ 34, enquanto produto produzido no Brasil não custa menos de R$ 120. Outro exemplo da disparidade, segundo Alves, do Sincopeças, é a junta homocinética dos modelos Audi, que se for importada de outros países, é vendida por R$ 250 a da China custa R$ 80. Entretanto, Alves ressalta que nem todos os produtos chineses devem ser vistos com desconfiança. Para ele, existem dois mercados chineses, um com responsabilidade e outro problemático, com importações clandestinas e que escapam das estatísticas oficiais.

Outros que temem os chineses são os fabricantes de pneus. A General Motors do Brasil importou pneus para equipar o Celta e o Corsa e provocou a ira dos fabricantes nacionais. A Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip) também entrou com pedidos de salvaguarda e acusou os orientais de praticarem dumping. Para o presidente da Câmara de Comércio Brasil-China, Paul Liu, é o excesso de impostos que encarece os produtos brasileiros. Acrescentou que as empresas brasileiras que não conseguem competir com as chinesas que devem mudar de lugar, pois, a globalização é inevitável.
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