Homens de confiança

Ex-bancário e ex-lavador de carros guiam os veículos mais caros que trafegam pela noite belo-horizontina. Só dono de Ferrari que é reticente em entregar a chave

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postado em 08/09/2006 21:53
Marcos Antônio, o Ferrugem, posiciona os mais caros na porta, sonha com uma BMW, mas não faz pouco do seu Chevette de 1990 - Fotos: Jorge Gontijo/EM - 25/8/06 Marcos Antônio, o Ferrugem, posiciona os mais caros na porta, sonha com uma BMW, mas não faz pouco do seu Chevette de 1990
Antônio Paulon trabalhou como bancário por nove anos e Marcos Antônio Dias Alves foi lavador de carros no Centro de Belo Horizonte, há quase 30 anos. Hoje os dois dirigem os veículos da nata da sociedade belo-horizontina. Antônio é o Toninho, manobrista do Restaurante Vechio Sogno, e Marcos Antônio é o Ferrugem, que estaciona os carros dos clientes do Restaurante A Favorita.

"Saí para rua cedo e comecei a lavar e tomar conta de carros na Rua Goiás. Depois fui trabalhar para um escritório que ficava na rua e o dono tinha um restaurante na Pampulha e foi aí que comecei a manobrar os carros dos clientes", lembra Ferrugem. O resumo que ele faz em menos de um parágrafo conta a história de 26 anos de profissão, parte importante dos 46 anos vividos pelo manobrista.

Ferrugem conta orgulhoso a sua tática de estacionar os carros mais luxuosos à porta do restaurante. "Tem que ajudar a fazer a publicidade", explica. Na quinta-feira, a estrela da Rua Santa Catarina, no Bairro de Lourdes, era um Jaguar S-Type, que dividia os olhares com um Volvo S40 e uma BMW 328i. O estilo de Ferrugem, entretanto, não fica restrito ao pulôver vinho e marrom conjugado com a gravata e a disposição publicitária dos automóveis. Ali, entre carrões, ele encontra espaço para estacionar seu Chevette de 1990. "Até hoje eu só tive Chevette. Esse é o meu oitavo", revela.

Perguntado sobre o veículo preferido entre tantos já dirigidos, ele explica que o trecho percorrido com os carros dos fregueses é muito curto, o que não permite uma avaliação precisa. Porém, revela uma queda pelos BMW. Aos interessados ele avisa que o Chevette não está à venda e depois de muita insistência diz que o valor do carro é entre R$ 6,5 mil e R$ 7 mil.
Antes de ser manobrista, Toninho trabalhou nove anos como bancário - Antes de ser manobrista, Toninho trabalhou nove anos como bancário

A satisfação com o carro próprio é tanta que nem a "amarração" dos donos de Ferrari incomoda Ferrugem. Ele entende, e cutuca com ironia, que o preciosismo de alguns clientes é uma característica de alguns brasileiros "que gostam mais de carro do que de mulher".

Toninho, manobrista do Vechio Sogno, também nunca dirigiu uma Ferrari desde que trocou a profissão de bancário pela de manobrista, há cinco anos. Quando trabalhava como caixa do Bradesco também tinha na ponta dos dedos milhares de reais todos os dias.

Ele conta que adora o serviço, pois conjuga prazer com o trabalho. Porém, é parcimonioso e diz que é preciso cuidado e informação para dirigir os diferentes carros. Já conheço a maioria dos modelos, que, em grande parte, são automáticos. Quando percebo que tem algo diferente pergunto o dono sobre o segredo, explica. Toninho tem um Gol, mas usa o carro para trabalhar somente nos fins de semana, quando o expediente termina mais tarde. Nos dias de semana prefere o ônibus.

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