Prêmio - Solução para porta de escolas

Motorista idealiza projeto que resolveria problema de congestionamento e fila dupla em início e fim de aulas, envolvendo colégios, pais, alunos e autoridades

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postado em 26/09/2006 21:22 Paula Carolina /Estado de Minas
Trânsito tumultuado na região hospitalar, na área central de Belo Horizonte, inspirou Nelson, condutor há 25 anos - Paulo Filgueiras/EM - 12/9/06 Trânsito tumultuado na região hospitalar, na área central de Belo Horizonte, inspirou Nelson, condutor há 25 anos
Motorista particular há 21 anos em Belo Horizonte, Nelson Nereu Horta tem na observação sua maior fonte de pesquisa. Acostumado a ficar horas dentro do carro, enquanto espera, a cada momento, algum dos mais de 25 integrantes da família para a qual trabalha há mais de duas décadas, ele presencia os principais conflitos do trânsito da capital e fica imaginando soluções. Para resolver a situação de engarrafamentos constantes em regiões em que há aglomeração de escolas, ele criou projeto que propõe a conscientização de estudantes, pais e motoristas de transporte escolar e a cooperação entre escolas próximas. Com a proposta, Nelson foi o vencedor do 16º Prêmio Volvo de Segurança no Trânsito, na categoria motorista.

Nelson justifica que o trânsito nas portas das escolas, sobretudo nos horários de pico, ocasiona engafarramentos, prejudicando grande número de motoristas. O primeiro trabalho diz respeito à educação de trânsito para os alunos, voltada para regras de circulação, travessia nas faixas de pedestres, evitando aglomerações nas ruas próximas às saídas e períodos demorados de embarque e desembarque. Os pedestres devem ficar no passeio, esclarece.

Escala

O motorista sugere a adoção de uma escala de horários de entrada e saída de alunos pelas escolas, de acordo com o período escolar: alunos do ensino fundamental, por exemplo, poderiam sair cerca de 20 minutos antes dos do ensino médio. Também poderiam ser organizados os horários de saída dos estudantes que usam transporte próprio ou privado, o que seria avaliado por pesquisa. O objetivo é evitar que vans, microônibus e carros de passeio se concentrem nas portas das escolas, comprometendo o fluxo e gerando efeito em cadeia, explica.

O motorista propõe que representantes da direção das escolas se unam para entrar em contato com a instituição responsável pelo tráfego nas cidades, discutindo possibilidades de aumento do tempo dos semáforos nos momentos de pico, da presença de agentes de trânsito e da busca de vias alternativas para acesso às escolas. Pesquisas poderiam trazer contribuições valiosas. As escolas (ou até as secretarias municipais de Ensino) poderiam realizar pesquisas com alunos sobre os meios de condução usados para ir/voltar da escola, tempo de deslocamento, pontos de congestionamento etc. O resultado poderia fomentar conhecimento sobre as linhas de ônibus usadas, verificando o local dos pontos de embarque e a possibilidade de sugerir novas rotas, diminuindo o número de carros, avalia.

Segurança

Ainda de acordo com Nelson, escolas e instituições de trânsito poderiam fazer campanhas educativas com pais de alunos, visando acabar com as filas duplas. Sem esquecer da segurança: É necessária uma estrutura de segurança externa, evitando risco de furtos/roubos, tão comuns nas portas das escolas. Certamente, uma maior segurança diminuiria a necessidade de os pais ficarem aguardando os filhos exatamente nas portas das escolas. O projeto destaca uma proposta voltada para escolas de ensinos fundamental e médio, mas o motorista garante que a proposta pode ser aplicada por qualquer tipo de instituição de ensino, seja em cidades do interior ou na capital. Trabalho na região hospitalar. Por aqui são inúmeras escolas, faculdade, cursinhos. Todo mundo chega no mesmo horário. É um tumulto. Além disso, os ônibus escolares estacionam e não saem mais. Não há rotatividade, afirma.

Nossa equipe contatou a empresa de Transporte e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans), órgão responsável pelo gerenciamento do sistema de transportes e do trânsito da capital mineira, para saber a viabilidade do projeto na capital mineira. A empresa informou que já realiza operações nas portas das escolas e que os tempos dos semáforos são adaptados ao volume de veículos. Nos horários de pico, quando o fluxo é mais intenso, os semáforos operam de acordo com a demanda, buscando maior fluidez do trânsito. Também informou que a fiscalização nos arredores das escolas é feita dentro da rotina normal de operações da empresa, com cerca de 800 agentes, que orientam pais e monitoram o trânsito. Em todo início de semestre, são afixadas faixas com mensagens educativas direcionadas aos pais e são mantidos programas de caráter permanente, destinados a crianças do ensino fundamental, como o projeto Fique Vivo Transitando Legal, que faz visitas às escolas e apresenta peças teatrais e palestras. Também há caminhadas educativas no entorno da escola.

Estresse

Com a experiência de quem observa e analisa o trânsito da capital há mais de 20 anos, Nelson considera que o problema mais grave do trânsito de Belo Horizonte são os motoristas estressados. Não sou psicólogo, mas a gente observa. É o que vejo nas ruas. As pessoas não querem ouvir, são intolerantes, impacientes, diz. Nelson é experiente também em projetos para o trânsito. Em 2003, já havia ganho o Prêmio Volvo com a criação de brinquedos pedagógicos para aprendizado das regras de trânsito.

Os outros premiados deste ano foram: na categoria Cidade, a Prefeitura Municipal de Salvador (BA), com o desenvolvimento de campanhas para redução de acidentes, valorização do transporte público, exigência de testes de alcoolemia, entre outras ações; na categoria Estudante Universitário, Reverson dos Anjos Fernandes, da Universidade de Brasília, com a criação de um kit para motocicletas que visa atenuar lesões em acidentes; na categoria Empresa, a Unimed Curitiba (PR), com o desenvolvimento de campanhas educativas, alertando sobre o perigo do álcool; na categoria Imprensa, Renata Lacerda, do Diário de Pernambuco (grupo Diários Associados), que publicou uma série de matérias sobre o mesmo tema, culminando em propostas encaminhadas ao Congresso Nacional e dando origem ao 1º Fórum para o Consumo de Bebidas Alcoólicas; na categoria Geral, Ilsiney Barbosa, da Escola Estadual Julieta Guedes de Mendonça, de Dracena (SP), com um trabalho de educação viária e conscientização dos alunos.
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