Recall branco - Legal, mas condenável

Quem tem picape Mitsubishi L 200, anos 2004 e 2005, que se cuide, pois o motor corre o risco de fundir. Fábrica está substituindo as bronzinas, sem avisar os proprietários

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postado em 17/11/2006 21:52 Rafael Bozzolla /Estado de Minas
Montadora confirma a substituição gratuita de componente da L200, que apresenta problema aos 50 mil quilômetros - Mitsubishi/Divulgação Montadora confirma a substituição gratuita de componente da L200, que apresenta problema aos 50 mil quilômetros
De acordo com a lei, o recall (convocação dos proprietários para substituição gratuita de peças) obrigatório de componentes defeituosos só precisa ser feito quando a segurança do veículo fica comprometida. Neste caso, o fabricante deve comunicar de forma ampla a convocação, para que todos os proprietários interessados fiquem sabendo que seu carro deve ser reparado sem custo.

Aproveitando a brecha da segurança, não é de hoje que montadoras fazem o chamado recall branco, que funciona da seguinte forma: as marcas detectam alguma falha de projeto ou fabricação e, para evitar um contingente de clientes insatisfeitos ou de processos judiciais, fazem a troca da peça na surdina. Foi o caso dos motores 2.0 do Chevrolet Monza ou da malfadada versão a diesel da Kombi, no qual nem a troca de todo o conjunto propulsor resolvia o problema.

Silenciosa

Agora é a vez da Mitsubishi, que está fazendo, de forma silenciosa, a troca das bronzinas do virabrequim da picape L200 Sport ano modelo 2004 e 2005 (até abril). A peça funciona como um rolamento e é responsável por reduzir o atrito entre o eixo e o bloco. Se o componente estiver com defeito, pode fazer com que o eixo virabrequim venha a fundir, necessitando de retífica. A informação sobre a troca foi confirmada por Veículos, que pesquisou em seis revendas da marca em Minas Gerais. Apenas uma negou o reparo sem custo.

Procurada pela reportagem, a Mitsubishi confirmou a orientação feita para as concessionárias de consertar, mas sem cobrar dos donos. De acordo com Reinaldo Muratori, diretor de engenharia da montadora, o desgaste da peça foi constatado quando os motores estavam com cerca de 50 mil quilômetros rodados. Consultando a matriz no Japão, onde são produzidos, o defeito foi confirmado nas peças vendidas por um dos três fornecedores. Como não era possível identificar o fornecedor das bronzinas de cada motor, a Mitsubishi resolveu trocar as peças de todos os carros.

De acordo com o engenheiro mecânico, advogado e ex-perito Fernando Martelleto, a prática da Mitsubishi não é ilegal, já que o defeito não implica risco à segurança, mas é questionável. Quando não há convocação, existe o risco de desconhecimento e o proprietário pode ficar prejudicado, pois a durabilidade do motor do carro pode ser reduzida, conclui.

Informação

É exatamente no quesito informação que a Mitsubishi coloca os pés pelas mãos. De acordo com Muratori, não foi feita convocação para não transformar o reparo em recall. À medida que os proprietários levassem as picapes para as revisões programadas, o problema seria corrigido. É um procedimento simples, o dono nem se dá conta, explica. Mas o procedimento em si já é um problema, já que o proprietário fica sem a informação à qual tem direito. Em seguida, o diretor coloca panos quentes: O revendedor conhece o perfil do cliente. Se ele for do tipo que pergunta, o procedimento é explicado. Mas existem aqueles que acham que revisão é uma chateação e nem querem saber o que aconteceu, tenta corrigir.

Mas, como nem todos os donos fazem a manutenção de seus veículos nas autorizadas, há a possibilidade de alguns modelos não terem as bronzinas trocadas. Nesse caso, se a picape estiver entre as unidades envolvidas, cobrimos qualquer conserto que se faça necessário devido ao desgaste da peça, garante.

Análise da notícia
É preocupante a postura da ViaJap, concessionária Mitsubishi em Belo Horizonte (Avenida Raja Gabaglia, 3.157). Nossa reportagem detectou, em agosto, que a empresa vendia um chip, não homologado, que supostamente aumentaria a potência dos motores. Dessa vez, de todas as concessionárias Mitsubishi procuradas por nossa reportagem em Minas Gerais, a empresa foi a única a negar a orientação da fábrica de trocar as bronzinas. Omissão ou mentira? (Boris Feldman)
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