Financiamento - Leasing ou CDC?

Quando não é possível comprar à vista, surge dúvida sobre em que modalidade a longo prazo adquirir. A decisão requer muita cautela. Confira opinião de especialistas

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postado em 13/12/2006 00:18 Paula Carolina /Estado de Minas
Arte de Lelis/EM
Aparentemente simples, a compra a prazo esconde artimanhas, que vão além dos juros. Embora sejam diversas as vantagens - hoje as revendas oferecem mais benefícios para quem financia do que para quem compra à vista -, as armadilhas são muitas. As opções mais cobiçadas são o leasing ou arrendamento e o Crédito Direto ao Consumidor (CDC). Há diferenças significativas entre elas, que, na prática, não surtem grande efeito. As principais dificuldades são na quitação antecipada.

Antes da decisão sobre a linha de crédito, é preciso estar consciente do poder de compra e manutenção do veículo. O conselho é do consultor de assuntos financeiros Reinaldo Domingos: "A primeira coisa é fazer o orçamento familiar, colocando-se todas as receitas e despesas, incluindo as que virão com a aquisição do veículo. Depois, faça pesquisa minuciosa e veja o custo do carro à vista. Uma boa compra a prazo nasce de um preço à vista", garante.

Diferenças

O leasing é contrato de aluguel com opção de compra no final. O carro não fica em nome do comprador, mas permanece como propriedade do banco ou agência financeira até a quitação total do débito, constando no campo de observações do documento do carro (CRLV) o nome do arrendatário. As taxas de juros costumam ser mais baixas por não incidir o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), mas a quitação tanto no fim do contrato quanto antecipadamente é mais complicada (veja quadro).

O CDC é um empréstimo, em que o bem é colocado como garantia da dívida. O CRLV fica em nome do proprietário, constando no campo de observações a alienação fiduciária. Isso elimina nova transferência. Outra vantagem é que a baixa do gravame, depois de quitado o débito, é mais simples. Por outro lado, à taxa de juros é preciso somar o IOF. "O leasing acaba tendo taxas menores por não incidir o IOF, mas isso é muito relativo, depende do banco e das condições do plano. Ainda acho que o CDC é melhor opção, pois quando se acaba de pagar é só pedir ao banco para liberar o gravame. No leasing, fica-se mais preso ao banco", pondera o vendedor de veículos Ricardo Machado.

Venda

Em ambas as situações, quem está pagando o carro não consegue vendê-lo antes de quitar as prestações. "Para nós, o tipo de linha de crédito não faz diferença. Nos dois casos o carro fica com restrição à venda e não há como transferir. Só se o banco autorizar", explica o delegado Luiz Cláudio Figueiredo, chefe da Divisão de Registro de Veículos do Detran-MG. A saída, de acordo com Ricardo Machado, é negociar a quitação do débito com o futuro comprador. "Aqui na loja faço o seguinte: quando consigo o comprador, ele dá uma entrada equivalente ao pagamento das prestações restantes. Comunicamos ao banco, que informa ao Detran e o carro fica liberado. Mas isso só é possível com loja séria", admite.

Já em caso de inadimplência, o advogado Paulo Pacini, do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), alerta para o risco de perda do veículo. "No leasing, como o carro é de propriedade do banco, podem entrar com uma ação de reintegração de posse; se for um CDC, como está alienado e funciona como garantia da dívida, pode haver uma ação de busca e apreensão", afirma.

Leia mais sobre o assunto com a matéria "Problemas surgem na quitação" localizada no Veja Também, no canto superior direito desta página.

Principais diferenças
Leasing
O carro fica em nome do banco, sendo o futuro proprietário um arrendatário;
Não há contratos com prazos inferiores a 24 meses;
O contrato só pode ser quitado antecipadamente (se for o caso) depois de três meses ou de quitados 30% do valor do carro;
Para quitação entre três e 24 meses é preciso indicar um terceiro para transferência (o carro não pode ficar em nome do arrendatário);
Somente a partir de 24 meses o contrato pode ser quitado antecipadamente e o carro transferido para o arrendatário;
Em todos os casos de quitação antecipada há multa de rescisão de contrato, que varia de 3% a 5%;
Como o ganho dos agentes financeiros costuma ser maior no leasing, é comum a indução a esse tipo de linha de crédito.
CDC
O carro fica em nome do proprietário, alienado à instituição financeira;
Há contratos para todos os prazos e o veículo pode ser quitado em qualquer época;
Recentemente, alguns bancos começam a cobrar multa por rescisão de contrato, em torno de 5% do saldo devedor ou R$ 400 (valor mínimo);
Ao valor da taxa de juros, incide imposto (IOF).


Comparativo
Veículo Preço* (R$) Modalidade Prazo Juros Entrada (R$) Parcelas Preço Final (R$)
Fiat Uno 20.990 Leasing 60 m 1,76% 0% 575 34.500
Fiat Uno 20.990 CDC 60 m 1,83% 0% 593 35.580
Ford Ka 19.990 Leasing 60 m 1,65% 0% 527,93 31.675,80
Ford Ka 19.990 CDC 60 m 2,08% 0% 587,50 35.25

(*) Valor médio cobrado pelas revendas de Belo Horizonte para o carro básico
Obs: O cálculo do Uno foi para financiamento pelo Banco HSBC e o do Ka, pelo Real. As taxas são mais altas para o CDC porque é preciso acrescentar o IOF. Mas há casos em que a diferença entre as prestações nas duas linhas de crédito é bem menor do que nos exemplos cedidos por agentes financeiros.
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