Tecnologia - Feito para não mexer

Com a evolução dos automóveis, fica cada vez mais difícil fazer manutenções rápidas na garagem de casa, como troca de velas, correias e até mesmo lâmpadas dos faróis

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.
postado em 23/05/2007 15:00 Enio Greco /Estado de Minas
Em modelos mais antigos, como o Fusca, reparos mecânicos e elétricos eram mais fáceis - Sidney Lopes/EM - 5/4/05 Em modelos mais antigos, como o Fusca, reparos mecânicos e elétricos eram mais fáceis
Houve um tempo em que era bem mais fácil fazer pequenos reparos mecânicos e elétricos nos automóveis. Os motores eram mais simples e não ocupavam todo o compartimento, facilitando as coisas para os chamados mecânicos de fim de semana. Não era preciso ser especialista para fazer a troca de uma vela, platinado, rotor ou condensador. Bastava ter as ferramentas adequadas. Substituir uma lâmpada queimada do farol também era tarefa simples. Os mais entusiasmados se arriscavam até a fazer a limpeza do carburador e a troca da correia do alternador. Havia ainda os mais ousados, que trocavam o carburador simples por um de corpo duplo e substituíam o giclê para melhorar o desempenho.

O motorista mais prevenido tinha sempre no porta-luvas ou porta-malas um platinado, um condensador, uma vela, uma correia do alternador e alguns fusíveis, para uma emergência. Mas a indústria automobilística evoluiu, os automóveis mudaram e fica cada vez mais difícil para um leigo tentar fazer qualquer tipo de reparo no motor ou na parte elétrica.

Evolução
O engenheiro Carlos Henrique Ferreira, da Fiat Automóveis, concorda que a evolução tecnológica trouxe essa mudança. "Os carros modernos não têm mais platinado, condensador, rotor, distribuidor e outros componentes que antes podiam ser facilmente substituídos, e, com a aplicação da eletrônica nos motores, não sobrou quase nada que possa ser feito por um leigo", afirma. Além da checagem periódica de nível de água do radiador e de óleo no motor, que deve ser feita regularmente, pouco resta no compartimento do motor que possa ser reparado por uma pessoa não-especializada.
No Mégane, é preciso desmontar cobertura plástica do motor para acessar o farol - Marlos Ney Vidal/EM - 5/1/07 No Mégane, é preciso desmontar cobertura plástica do motor para acessar o farol

As velas de ignição e os filtros de ar e de combustível continuam lá, mas, nos motores mais novos, normalmente ficam encobertos por capas de plástico, que desencorajam qualquer tipo de tentativa de reparo. Carlos Henrique explica que o objetivo da capa de plástico não é dificultar a manutenção, mas apenas proporcionar melhor acabamento visual ao motor. Além disso, serve como ponto de fixação para cabos e tubos. Inicialmente, essas capas de plástico eram vistas apenas em motores de automóveis topo de linha, importados, mas acabaram aplicadas em todos os segmentos.

Carlos Henrique lembra, ainda, que a eletrônica limitou a ação das pessoas que não são especializadas em manutenção automotiva. Atualmente, para detectar o problema no motor, basta conectar um aparelho de checagem, que faz a leitura da central eletrônica. Sem ele, fica difícil imaginar o que pode estar acontecendo.

Apertado
Outro fator que contribuiu para essa mudança, de acordo com o engenheiro da Fiat, é que a maioria dos carros modernos tem desenho semelhante, com a frente baixa e em forma de cunha, que acabou diminuindo o espaço no compartimento do motor. Além disso, os carros ganharam motores maiores, como os de 16 válvulas, e sistemas que ocupam espaço, como direção hidráulica, ar-condicionado e freios ABS. O compartimento do motor fica cheio, dificultando a manutenção. Trocar uma correia, por exemplo, é tarefa bem mais difícil. Nada parecido com os tempos do Fusca.

E o compartimento do motor, em alguns casos, ficou tão apertado que dificulta até serviços teoricamente mais fáceis. A troca de lâmpadas dos faróis, que em alguns modelos é simples, em outros exige uma operação complicada. É o caso do Renault Mégane, que tem o cofre do motor praticamente tomado e uma cobertura de plástico nas margens superiores, que impede o acesso aos faróis. Para trocar a lâmpada central, do farol alto, existe um acesso (uma portinhola) pela caixa de roda. Mas para substituir as lâmpadas das extremidades é preciso desmontar toda a cobertura plástica para ter acesso ao farol.

Carlos Henrique revela que a maioria dos modelos Fiat tem faróis e lanternas planejados para facilitar a troca rápida das lâmpadas, possibilitando que o serviço seja feito até mesmo por leigos. Mas ele reconhece que, em alguns modelos da marca, é necessário o uso de ferramentas especiais para ter acesso à lâmpada. São detalhes que limitam cada vez mais a ação dos mecânicos de fim de semana e que apontam para uma única direção: se o carro estragar, não tente fazer nada. Apenas ligue para o reboque e deixe o resto por conta do mecânico.
Encontre seu veículo

Últimas notícias

ver todas
10 de janeiro de 2011
18 de dezembro de 2009

Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação