Globalização - Mico chinês

Montadora equipa alguns de seus modelos com pneus fabricados na China, mas, na hora que o consumidor precisa de reposição, não encontra o componente para comprar

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postado em 26/05/2007 14:00
Maxxis é uma das marcas de pneu importadas pela General Motors para o Celta, mas prejudica consumidor - Marlos Ney Vidal/EM - 6/5/06 Maxxis é uma das marcas de pneu importadas pela General Motors para o Celta, mas prejudica consumidor
Frederico Rocha comprou um Chevrolet Celta, que, logicamente, veio equipado com quatro rodas, quatro pneus, mais um estepe. Porém, antenadas com a globalização, a General Motors e suas revendas estão reinventado a roda. Ou melhor, deixando de lado os pneus na relação de consumo. Isso porque equipam alguns modelos com pneus de fabricantes chineses - como Maxxis, Champiro, entre outros -, que são mais baratos que os produzidos no Brasil, mas têm distribuição deficiente no território nacional.

A economia da GM acerta o consumidor. Frederico teve o pneu dianteiro de seu Celta furado. Procurou um da mesma marca, Champiro, para comprar. Na concessionária que lhe vendeu o carro, a GM Lider BH, a informação que recebeu é que teria que pagar pelo frete do Rio Grande do Sul (onde fica a fábrica que produz o modelo) até Belo Horizonte, o que elevaria o custo do pneu aro 13 para R$ 195. Ele questionou que um pneu de uma multinacional poderia ser comprado por preço inferior e que não era justo pagar pelo frete, pois, se comprou o carro com determinado componente, é dever da fábrica disponibilizá-lo para reposição.

Depois de reclamar bastante, conseguiu que a GM pagasse o frete do pneu, porém a fábrica não informou de antemão o valor final do produto. Quando foi buscá-lo na revenda, Frederico se assustou, pois o pneu chinês custava R$ 155. Preferiu usar o estepe e comprar outro de uma marca multinacional na promoção, por R$ 135, para deixar de sobressalente. "Um pneu da China não pode custar mais caro do que um pneu de marcas mais conhecidas", afirma. A idéia de Frederico agora é vender o carro.

Queda nas vendas
A proprietária da TC Pneus, Ana Cristina Schuchter, revendedora da marca Goodyear, concorda com Frederico e diz que os chineses vendem pneus cerca de 40% mais baratos que os produtos que ela comercializa. "A inserção deles (chineses) no mercado é muito grande. Conseguem entrar facilmente e assediam até quem comercializa grandes marcas", afirma Ana Cristina. O efeito da invasão chinesa foi uma queda de 30% na participação de mercado no último ano das quatro unidades da TC Pneus na cidade, segundo a proprietária.

O diretor-geral da Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip), Villien Soares, explica que os pneus chineses são um problema complexo e que a indústria estuda desde o ano passado uma maneira de entrar com uma ação antidumping. Para o mercado de automóveis, a participação dos pneus chega a 10%, enquanto em 2005 era de apenas 3%. Soares não vê nessa briga vantagens para o consumidor. "Ao usar o pneu chinês, o consumidor fica desprotegido e não pode encontrar a rede de assistência da marca. Se tiver defeito, vai reclamar com quem?", avalia. Já pelo lado dos fabricantes nacionais, ele vê apenas a oportunidade de promoções momentâneas, mas nada que seja de longo prazo, pois a matéria-prima do pneu depende de preços internacionais.
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