Cinto de segurança - Cultura do desleixo

Apesar da obrigatoriedade, passageiros que ocupam bancos de trás dos veículos acham equipamento desnecessário. Veja o dizem motoristas e taxistas

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postado em 22/09/2007 15:00 Paula Carolina /Estado de Minas
Embora muitos não saibam (ou finjam não saber), o uso do cinto de segurança nos bancos de trás dos veículos é tão obrigatório quanto na frente, seja em rodovias ou nas cidades. O Código de Trânsito Brasileiro (CTB), que completa 10 anos amanhã, é claro, no artigo 65, quando determina que "é obrigatório o uso do cinto de segurança para condutor e passageiros em todas as vias do território nacional", assim como ao estabelecer, no artigo 167, que não usar o cinto é infração grave, com multa de R$ 127,69 e perda de cinco pontos na carteira. A falta de conhecimento e a impunidade, no entanto, acabam por contribuir com a falsa crença de que não é preciso usar o cinto nos bancos traseiros. Em pesquisa realizada em diversas regiões de Belo Horizonte, 58% dos motoristas entrevistados, num total de 100, disseram não usar o cinto de segurança, quando estão no banco traseiro, e também afirmaram não pedir à família ou passageiros (caso de taxistas) que o façam. A consulta foi também realizada com internautas, pelo portal Vrum. Nesse caso, porém, o resultado foi equilibrado: 50,26% disseram usar o cinto. Foram 1.341 votos.

Vrum - SBT - 05/10/2008


As justificativas são diversas: não tem necessidade; não é obrigatório; não gosto; não uso nem na frente; dentro da cidade não precisa; no desespero a gente pode ficar preso pelo cinto. A maioria, porém, ressaltou usar o equipamento em viagens e quando está na frente, seja como passageiro ou motorista. Contraditoriamente, aqueles que estão sempre nas ruas e poderiam dar bom exemplo também parecem duvidar da eficácia do cinto. Metade dos entrevistados era de taxistas e, entre eles, o índice de rejeição ao cinto nos bancos traseiros foi maior: 64,5%. Além disso, praticamente todos - mesmo os que são favoráveis ao uso - disseram que não pedem aos passageiros para pôr o equipamento. Alguns nem sequer têm o cuidado de deixar os cintos prontos sobre o banco.

"A maioria dos passageiros fala que vai sentar atrás para não pôr o cinto. É a frase que mais ouço", relata Waldir Freire. Por outro lado, alguns taxistas contam que, pouco a pouco, vem aumentando o número de pessoas que, ao ligarem para a central, já pedem um carro com os cintos instalados e limpos. E há os que insistem na segurança, deixando o taxista desconcertado, como relata um colega de Freire: "Vou ser sincero: 99% dos passageiros não têm o hábito de usar o cinto no banco traseiro. Não pedem, não perguntam se é preciso usar. Mas, uma vez, ia levar um passageiro para o aeroporto e ele disse que queria pôr o cinto. Eu falei que não precisava, mas ele insistiu e fui obrigado a arrumar", conta, admitindo que só deixa os cintos prontos em época de vistoria pela BHTrans.



Consciência
Uma constatação interessante foi o cuidado de quem tem filhos pequenos. "Eu tenho criança. Então uso e faço com que usem também. O problema é que o cinto do meu carro é abdominal. Mas, mesmo assim, é importante: em uma pequena freada já segura", diz a bailarina Gabriela Christofaro. "Eu uso e meus dois meninos também usam. Não é demagogia. Acho importante mesmo", concorda a empresária Elda Corrêa. "Eu uso na frente e usaria se andasse atrás também. Se o cinto está aí é porque há necessidade. Não está aí para enfeite", acrescenta o taxista Dalton Rodrigues, mostrando os cintos perfeitamente ajeitados no banco de trás.

E, de fato, enfeite não é. De acordo com o engenheiro José Henrique Senna, presidente do Congresso da Sociedade de Engenheiros da Mobilidade (SAE) Brasil 2007, que este ano abordará, em novembro, o tema segurança, é fundamental que a cultura do uso do cinto mude, e rapidamente. "As pessoas realmente não usam, mas é importante que saibam que, num choque, o passageiro que está atrás é projetado contra o que está no banco dianteiro. Em uma batida frontal, por exemplo, a 60 km/h, uma pessoa de 60kg passa a pesar uma tonelada. Imagine o que é isso", explica. Senna acrescenta que quando há a colisão, a pessoa, solta no carro, é impulsiononada para cima e depois para a frente, com risco de bater a cabeça no teto, além de lesionar a medula. "No hospital Sarah Kubitschek, referência em tratamento de traumas, 70% das vítimas de acidentes de carro e que estavam no banco traseiro, sem cinto, têm lesão na medula. Sem contar os que morrem", continua.

Leia sobre cinto de segurança em ônibus no Veja Também, no canto superior direito desta página.

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