Confusão no tanque

Dúvidas sobre funcionamento da tecnologia bicombustível ainda assolam motoristas, o que produz mitos e teorias erradas sobre funcionamento e mistura de álcool e gasolina

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postado em 18/11/2007 11:04 Caderno de Veículos /Estado de Minas
Citroën/Divulgação
Há quase quatro anos a tecnologia bicombustível está no mercado. Em outubro, 86,5% dos carros fabricados no Brasil saíram das linhas de montagem com a tecnologia, que permite o abastecimento com álcool, gasolina ou a mistura de ambos. A despeito do sucesso, uma série de dúvidas paira entre os consumidores e com elas surgem os mitos, que não passam de crendices pela falta de conhecimento.

Consumo
Basta entrar em um táxi ou esticar a conversa com o frentista para concluir que os carros flex consomem mais que os modelos que usam apenas um combustível. O supervisor de serviços técnicos da Ford, Reinaldo Nascimbeni, explica que a relação não é tão direta assim. Segundo ele, para ser capaz de queimar álcool e gasolina foi preciso aumentar a taxa de compressão do motor, o que, conseqüentemente, gerou melhor performance e, em muitos casos, aumentou a potência. "Por isso, comparar o mesmo motor a gasolina com um bicombustível é errado, são propulsores diferentes", explica.

O chefe de engenharia de aplicação de sistemas da Robert Bosch, Flávio Vicentini, responsável por desenvolver a tecnologia bicombustível para diversas montadoras, explica que o segredo para manter o consumo é o sensor que faz a leitura do tipo de combustível a ser utilizado. Vicentini explica que o álcool exige taxa de compressão maior e que o sensor que faz a leitura é capaz de encontrar a equação exata para trabalhar com o derivado da cana-de-açúcar, do petróleo ou misturados.

Equação
Vicentini acredita que a desconfiança em relação ao consumo vem do fato de muitos motoristas usarem gasolina com um resto de álcool no tanque. Isso ocorre porque o motor a gasolina é mais econômico, enquanto o álcool proporciona melhor desempenho. Tanto que para decidir com qual dos dois encher o tanque, o motorista deve dividir o valor do litro do álcool pelo valor do litro da gasolina e depois multiplicar o resultado por 100. Assim, se o resultado for superior a 70 o ideal é usar gasolina e se for menor, o álcool. Exemplo: com os preços médios dos postos de Belo Horizonte, segundo pesquisa da Agência Nacional de Petróleo (ANP): R$ 1,421 (álcool) / R$ 2,282 (gasolina) = 0,62 x 100 = 62. Na capital, abastecer com o derivado da cana-de-açúcar é mais econômico.

Primeira
Outra teoria é que o primeiro abastecimento do carro deve ser com gasolina. Para Nascimbeni isso é mito. Ele acredita que a origem da inverdade é que quando os carros deixam a fábrica saem com gasolina no tanque, mas isso, segundo ele, é uma questão logística, pois manter apenas um tipo de combustível na fábrica é mais simples. Vicentini reforça a mitologia do primeiro abastecimento e confirma que o veículo pode ser abastecido com qualquer álcool ou gasolina, independentemente do momento.

Limpeza
Porém, Nascimbeni e Vicentini têm visões diferentes quanto a abastecer o carro somente com um combustível. Segundo Nascimbeni, a recomendação da Ford é que a cada 5 mil quilômetros rodados, caso o motorista use apenas um tipo de combustível, ele deve encher o tanque com o que não abastece. A medida visa principalmente aqueles que só usam o álcool. A recomendação da Ford é preventiva, salienta Nascimbeni, e visa retirar o depósito de resíduos da carbonização, localizados, principalmente, na base de válvula de admissão. "A gasolina tem solventes diferentes em sua composição e que dissolvem os resíduos em sua passagem pelo sistema", explica.

Picaretagem
Já Vicentini explica que a recomendação da Ford não se aplica aos sistemas desenvolvidos pela Bosch, que contempla veículos das seguintes marcas: General Motors, Peugeot, Citroën, Volkswagen, Honda e Fiat. Entretanto, ressalta que por ser mais corrosivo que a gasolina, o álcool exige que todas as peças da injeção em contato com o combustível sejam protegidas. Porém, diversos componentes do sistema são específicos dos motores flex, como o sensor de oxigênio (ou sonda lambda) aquecidas; injetores de combustível com maior área de vazão; regulador de pressão com materiais especiais; kit bomba de combustível com proteção a corrosão e blindada; filtro de combustível especial para filtragem de álcool; velas de ignição com extensão de temperatura ampliada, válvulas e assentos de válvulas do cabeçote em material especial, módulo de controle eletrônico do motor com alta capacidade de processamento, alta velocidade de cálculo e maior capacidade de memória. Isso prova que os kits comercializados no mercado para conversão para bicombustível são insuficientes e comprometem o funcionamento. Se fosse fácil, as montadoras não precisariam investir milhões em pesquisa.

Tanquinho
Existem dúvidas também em relação ao uso do reservatório de partida a frio, o popular tanquinho. O reservatório deve ser abastecido com gasolina quando o tanque está com álcool e a temperatura for inferior a 20°C. Isso porque com o álcool pode haver dificuldade na partida e a gasolina do reservatório é utilizada, evitando forçar a bateria. Entretanto, o tanquinho exige cuidados especiais. Como a gasolina tem validade de 90 dias, se não for utilizada nesse período pode gerar formação de goma, danificando o sistema. Por isso, o ideal é usar gasolina premium, com validade de um ano, ou ficar atento para as datas de abastecimento e substituir a gasolina antes do envelhecimento. Há alguns modelos, como os da Honda, que todas vezes em que o motor é ligado, a gasolina é injetada, independentemente de ser necessário ou não. Esse procedimento evita o envelhecimento do combustível.

Leia mais sobre o assunto no Veja Também, no canto superior direito desta página, com a matéria "Consumo - Lápis e acelerador".
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