Segurança - Barato perigoso

Teste realizado pela Unicamp reprova nove entre 10 cintos comercializados no mercado paralelo. Modelo idêntico ao original testado pela fábrica é vendido em concessionária

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.
postado em 21/11/2007 10:40 Rafael Bozzolla /Estado de Minas
Encaixe do cinto precisa ser substituido quando apresenta falha - Marlos Ney Vidal/EM - 14/3/06 Encaixe do cinto precisa ser substituido quando apresenta falha
Comprar peça no mercado paralelo pode ser solução eficiente e barata. Em grande parte das mercadorias, a qualidade e a procedência são idênticas às do produto comercializado pelas concessionárias, mas com o preço inferior. Entretanto, com o cinto de segurança deve-se tomar cuidado. O professor do Centro Universitário de Santo André Carlos Rezende de Menezes pesquisou e avaliou na Unicamp 10 marcas de cinto de segurança comercializadas no mercado paralelo e apenas uma foi aprovada. O objeto de análise foram os cintos traseiros das vans. "São veículos em que ocorrem o maior índice de substituição e geralmente os cintos originais são trocados por modelos mais baratos e menos eficientes. Além disso, os cintos já são menos eficazes por serem de dois pontos e, por esse motivo, não suportam cargas maiores", explica Menezes.

Para realizar o teste, Menezes ancorou o cinto em um cabeçote arredondado e seguiu os critérios da norma NBR 7337, do Inmetro, que especifica os critérios para o cinto ser seguro. A norma estipula que o equipamento deve resistir ao impacto de 24,4Knewtons, o que corresponde a cerca de três toneladas. "Em alguns casos, o limite do conjunto foi bem baixo, cerca de 1,9 Knewtons (230 kg)", afirma. De acordo com ele, o principal problema dos cintos testados é o material ruim. "As chapas das fechaduras não são adequadas e as partes em plástico são muito frágeis", explica.

Risco
O perigo é imenso, pois de acordo com levantamento da Rede de Hospitais Sarah, sete de cada 10 pessoas envolvidas em acidente que chegam ao hospital e viajavam no banco traseiro sem cinto de segurança sofreram lesão medular. Para se ter idéia, um veículo a 60 km/h e que bate de frente faz com que o ocupante do banco traseiro, com cerca de 60 kg, pese cerca de 1 tonelada. À medida que a velocidade e o peso aumentam, o cinto precisa ser mais eficaz. Por isso, o equipamento que resiste a apenas 230 kg é insuficiente até para choque considerado leve.

Original
Menezes ressalta que não se pode confiar em etiquetas que garantem homologação do cinto, pois existem normas para os testes serem executados, mas não há processo de homologação. Ele adianta que há nova legislação em estudo para os cintos, que será mais rigorosa, mas que o teste feito na universidade seguiu a norma atual e mesmo assim nove dos 10 avaliados foram reprovados. Segundo o pesquisador, a Unicamp aguarda parecer jurídico para divulgar a marca dos cintos testados, apesar de os fabricantes terem conhecimento do resultado, pois muitos acompanharam os testes. Enquanto isso, a solução é buscar o equipamento original quando a troca é necessária. O assessor técnico da Fiat, engenheiro Carlos Henrique Ferreira, explica que o cinto perde a elasticidade em uma batida forte e que deve ser substituído por modelo vendido na rede autorizada e testado pela fábrica. Outro problema que pode ocorrer é a fita desfiar ou a máquina do cinto travar, o que também exige a substituição.

Paralelo
Em uma concessionária Fiat, o cinto do banco dianteiro de um Palio 2005 custa R$ 449 e o do banco traseiro R$ 398. Se for necessário trocar os cinco, o custo é de R$ 2.092. No mercado paralelo, na Avenida Pedro II, no bairro Bonfim, o cinto dianteiro do mesmo modelo custa R$ 160 e o traseiro R$ 32, totalizando os cinco R$ 416, pouco menos de 20% do valor da revenda autorizada. Nas lojas de peças do mercado paralelo e nos ferros-velhos é possível encontrar todo tipo de cinto, incluindo aqueles retirados de carros batidos, alguns com as fitas gastas e com a máquina emperrando. Além disso, na colisão, o cinto perde a elasticidade e precisa ser substituído. Um cinto traseiro, do tipo abdominal, do Palio pode ser encontrado por R$ 20, com a "fêmea", como é chamado o encaixe do cinto, incluída. O lado "macho", constituído pela fita com o engate do cinto traseiro, de dois pontos da Kombi é encontrado por R$ 70 no paralelo e R$ 74 em concessionárias Volkswagen.
Encontre seu veículo

Últimas notícias

ver todas
10 de janeiro de 2011
18 de dezembro de 2009

Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação