Estepes atrás - Perigo na frente

Pneu dependurado na traseira de jipes, utilitários e falsos aventureiros pode provocar pequenos amassados em outro veículo estacionado próximo no momento da manobra

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postado em 26/04/2008 10:15 Paula Carolina /Estado de Minas
Os 60 cm de altura do estepe do EcoSport não evitam toque na grade do VW Polo a 54 cm do chão - Fotos: Marcelo Monteiro/EM - 24/4/08 Os 60 cm de altura do estepe do EcoSport não evitam toque na grade do VW Polo a 54 cm do chão
Depois de estacionar seu Fiat Palio Fire 02/02 na Rua Gonçalves Dias, na Savassi, região Centro-Sul de Belo Horizonte, em vaga onde não havia nenhum veículo à frente, a estudante universitária Fernanda Corrêa Silva Diniz Ferreira, de 20 anos, teve uma desagradável surpresa. "Quando voltei para pegar o veículo, havia um carro na minha frente, desses que têm o estepe dependurado na traseira. Como estava de noite, não percebi nada, mas, em casa, meu pai viu que havia um amassado", conta. A estudante não se lembra qual era o veículo que estava estacionado na sua frente, apenas o estepe chamou sua atenção.



Mas, para o pai, Leonardo Diniz Ferreira, não há dúvidas. Pela posição do amassado, você vê claramente que o pneu tocou o carro da Fernanda, quando o motorista manobrava para entrar na vaga", diz. "Pegou bem no abaulado da tampa do capô, próximo ao logotipo, do lado direito. Você vê que o motorista deu ré e o pneu passou por cima, antes dos pára-choques dos dois carros se encontrarem", continua. Leonardo conta, ainda, que, conversando com amigos, percebeu que outras pessoas já passaram pela situação. "Além disso, quando você pára atrás desses falsos utilitários, nota direitinho", completa.

Medidas
"Realmente, quando você vai estacionar, e dá ré, perde um pouco a noção do espaço do pneu que está na traseira. Precisaria haver um daqueles sensores de estacionamento para não deixar pegar no carro de trás", pondera o proprietário de um Ford EcoSport, Sérgio Brito. Lançado em 2003, o EcoSport se tornou uma espécie de ícone entre os veículos que se propõem a passar uma imagem de aventureiro. E, para garantir essa imagem, o estepe dependurado na traseira é fundamental. Do solo até o estepe do EcoSport, são 60 cm, medida superior ao pára-choque da maioria dos automóveis, como o Fiat Palio, cujo pára-choque termina aos 52 cm do chão.

Veja os principais modelos com estepe atrás vendidos no Brasil!

O caderno Veículos do jornal Estado de Minas percorreu diversas concessionárias, observando e medindo a distância do pára-choque até o chão de diversos modelos, aleatoriamente. Como o Fiat Palio, a medida encontrada na maioria variou de 50 cm a 55 cm. Em alguns, porém, como o Fiat Uno, a grade dianteira se liga ao final do pára-choque e também à tampa do capô, que tem início aos 75 cm, sendo menos vulnerável aos estepes. Em outros, porém, há um recuo entre o pára-choque e a grade, formando espaço perfeito para o encaixe do estepe alheio. É o caso principalmente dos modelos antigos do Renault Clio, Toyota Corolla e Honda Civic.
Capô de Fiat Palio de Fernanda Corrêa foi atingido por sobressalente de outro carro - Capô de Fiat Palio de Fernanda Corrêa foi atingido por sobressalente de outro carro

Distâncias
Os demais supostos aventureiros fabricados no Brasil, que têm estepe atrás, são os Fiat Idea Adventure e Doblò Adventure e VW CrossFox, sendo esse último o mais alto em relação ao solo (veja o vídeo). Porém, não podem ser esquecidos os jipes e utilitários-esportivos de verdade, que têm o pneu na traseira. Entre os modelos atualmente produzidos e comercializados no Brasil estão: Mitsubishi Pajero TR4, e Pajero Full; Chevrolet Tracker; Toyota RAV4; Jeep Wrangler; Land Rover Defender; Troller T4. A maioria tendo o estepe cerca de 60 cm do solo, exceção do Defender, que a altura passa dos 70 cm. Merecem destaque as soluções encontradas para o RAV4, cujo pneu fica acima do pára-choque, ultrapassando-o em apenas 3 cm; e para o TR4 em que o estepe é praticamente encaixado no pára-choque traseiro.

Cultura
Para o engenheiro Giovani Borgomoni, colaborador do comitê de veículos de passeio do Congresso SAE (Sociedade de Engenheiros da Mobilidade), o problema de possível amassado gerado pelo estepe é uma questão cultural. "O uso do estepe na traseira vem de um conceito europeu. Não há problemas de legislação ou técnico. Vai da consciência do motorista, que tem que pensar no carro que está atrás", pondera. Segundo ele, em uma pequena batida, o estepe apenas esbarra no veículo que está atrás e a própria borracha ou capa amortecem o atrito. "Não há problema se só esbarrar. Mas se o motorista der uma ré mais forte vai colidir não só o pneu, mas o pára-choque. Depende de quem faz a manobra", avalia.

De fato, de acordo com o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), não há nada que proíba o uso dos estepes na traseira dos veículos, ainda que ultrapassem o limite do pára-choque. Veículos também consultou as montadoras Fiat, Ford, Volkswagen e General Motors, para saber se o perigo dos amassados havia sido pensado no momento da concepção de projeto dos carros.

Segundo a Fiat, no caso do Doblò Adventure como o pára-choque é bem ressaltado, a possibilidade de o estepe amassar o carro de trás é mais remota; já com relação ao Idea, a marca afirma que disponibiliza, como opcional, o sensor de estacionamento que, embora não esteja no pneu, começa a dar sinal logo que há aproximação com o veículo de trás. De acordo com o fabricante, durante a concepção do projeto, houve preocupação com a integridade física de pedestres, tanto que foi retirado o quebra-mato. O estepe na traseira, porém, faz parte das características off-road dos veículos. A Volkswagen informou que não tem registro de reclamação nesse sentido, e acrescentou que desenvolveu o CrossFox dentro das normas legais e dos requisitos de segurança do grupo, que são bastante rigorosos. A Ford admite que, de acordo com a intensidade da batida, pode haver danos, mas afirma que a colocação do estepe no EcoSport foi analisada pela engenharia. A GM não retornou até o fechamento desta edição.
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