Pecados automotivos - A lábia do prejuízo

Ao levar o carro a uma oficina de concessionária ou independente, o dono deve ficar atento para não ser enganado, comprando serviços ou produtos desnecessários

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postado em 01/05/2008 09:43

A maioria das concessionárias e oficinas independentes trabalha de forma séria. Mas algumas insistem em empurrar serviços, produtos e procedimentos que não são necessários aos clientes, aumentando o tamanho da conta da oficina e o rombo no bolso do dono do carro. Os argumentos, geralmente, são convincentes, pois apelam para a possibilidade de futuros problemas, como “o senhor pode acabar ficando a pé”, ou: “Esse acessório pode proteger seu veículo em caso de acidente”. Outras vezes mexem com o ego do motorista, alegando que “seu carro vai ficar muito mais bonito”.

Limpeza de bolso

A limpeza das válvulas injetoras (bicos injetores) é a mais comum das enganações. Tão comum que levou o Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios do Estado de São Paulo (Sindirepa-SP), que representa 14.168 empresas do setor naquele estado, a promover, no início deste ano, uma campanha na imprensa especializada para “informar consumidores e esclarecer dúvidas sobre os procedimentos relacionados à limpeza do sistema de injeção eletrônica, que somente deve ser realizada depois do diagnóstico, com equipamento específico, que aponte anomalia no funcionamento da vazão e estanqueidade dos bicos injetores”. Aliás, a Ford afirma, no manual do Focus, que a limpeza é desnecessária.

Afinados

A prática também é comum em algumas oficinas de Minas, nas quais os mecânicos e consultores técnicos já afinaram a lábia para convencer o “próprio otário” do carro: “A limpeza é preventiva, pois seu carro não apresenta problemas hoje, mas pode deixá-lo na mão amanhã, com o entupimento do bico”. Ao buscar o veículo na oficina, o proprietário do carro recebe a conta com a discriminação de um serviço que não estava previsto: “limpeza da válvula injetora de combustível”. O procedimento pode aumentar o custo da revisão em cerca de R$ 150, se a limpeza for preventiva (aplicação de um líquido, injetado por uma mangueira, com o motor em funcionamento); ou em torno de R$ 250, se for corretiva (o serviço inclui a retirada do corpo das borboletas, onde ficam os bicos). Os sintomas da necessidade de limpeza dos bicos injetores são: dificuldade para dar a partida, perda de potência durante a aceleração, marcha lenta irregular e aumento do consumo de combustível.

Carbonizando o cliente

Outro golpe que tem freqüentado as ordens de serviços das oficinas ultimamente é a “descarbonização de motor”, que também costuma aparecer sob forma mais chique: “descontaminação do motor”. As empresas desonestas alegam que esse procedimento deve ser feito a cada 15 mil quilômetros, sob o risco de o consumo aumentar e de afetar o funcionamento do motor. Na verdade, esse serviço começa errado pela denominação, pois a descarbonização é feita apenas na câmara de combustão, em decorrência de uso de combustível de má qualidade, e jamais a cada 10, 15 ou 20 mil quilômetros. Depois, ele dificilmente será necessário em veículos cujos os filtros de combustível e óleo são trocados nos prazos corretos. Nessa, o proprietário do veículo desembolsa mais de R$ 100.

Filtrando a picaretagem

A conta da oficina também pode conter outras surpresas, como a “troca do filtro do ar-condicionado”, que nem sempre é necessária. Os manuais recomendam apenas que os mecânicos confiram, a cada seis meses, o estado desse componente. Isso não significa que seja necessário trocá-lo nesse período, pois a substituição vai depender muito das condições de uso. Quem trafega por estradas de terra e cidades muito poluídas pode ter que encurtar o prazo de troca.

Prejuízo cristalizado

O proprietário ainda nem pôs a mão no carro zero e já está sendo enganado. Geralmente, uma moça simpática, de sorriso bonito, vende um tipo de serviço que é totalmente desnecessário em um carro que acabou de sair da linha de montagem: a cristalização de pintura. A operação consiste em um polimento e aplicação de produto que realça o brilho da pintura. Na verdade, a cristalização é abrasivo e, por isso, diminui a camada de pintura. E, quanto mais fina, maior o risco de corrosão.

Pino no caminho

Algumas oficinas também tentar empurrar produtos para “proteger melhor o carro”, como é o caso do pino de reboque. O vendedor alega que, ao instalá-lo, o veículo fica livre daquelas batinhas na traseira, em manobras de estacionamento. O dispositivo pode até inibir os outros motoristas, na hora de estacionar, mas será destruidor em caso de uma batida mais forte na traseira. Ou seja, os danos causados ao monobloco são maiores com o pino do que sem ele. O proprietário também deve ficar atento e observar se o equipamento cumpre as exigências da Resolução 197 do Contran, que prevê que o mesma tenha “superfície arredondada, suporte para corrente, esfera maciça, ligação elétrica e ausência de luz de freio”; e se ele pode ser instalado em seu carro (o Denatran publica amanhã em seu site www.denatran.gov.br, a lista dos veículos que não podem receber o engate).

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