Pecados automotivos - Cuidado com o bonitinho

Ao adquirir carro usado de particular, feira, agência ou concessionária, é preciso ter muito cuidado e não se iludir pela aparência para que o sonho não vire pesadelo

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.
postado em 04/05/2008 15:58 Caderno de Veículos /Estado de Minas
Arte de Lelis/EM
A fórmula usada pelos vendedores de carro usado é quase sempre a mesma: carroceria encerada, pneus e painel com "pretinho", interior aspirado e limpo, motor lavado e muita lábia em cima do comprador. Por isso, quem alimenta aquele sonho de comprar o primeiro carro, ou trocar o que tem por um mais novo, deve ficar bem atento para não cometer alguns pecados automotivos e levar aquele "bonitinho, mas ordinário", que vai dar, além de dor de cabeça, desfalque na conta bancária.

Senhor da rebimboca
A ajuda de um mecânico competente é sempre bem-vinda, para fazer análise geral do carro e identificar problemas mais sérios. Mas, se isso não for possível, o comprador deve observar se sai fumaça azulada do escapamento (sintoma de que o motor está queimando óleo e poderá, em breve, precisar de retífica); se a caixa de marchas faz barulhos diferentes (como ronco, por exemplo, que é sinal de problemas); se a suspensão range ou permite que a carroceria balance muito, ao passar por lombadas (o que significa que os amortecedores precisam ser trocados); se o volante está alinhado (pois quando ele entorta em cima, é sinal de que alguma coisa também entortou embaixo); e se os freios funcionam de forma perfeita (o pedal não deve estar esponjoso, a distância de parada não deve ser muito longa, entre outros).

O bom de lata
Se o bom mecânico é importante, o lanterneiro é fundamental, já o automóvel vale mais pelo estado da lataria e pintura. Esse profissional poderá identificar se o veículo sofreu acidente grave, se o reparo foi de boa qualidade, se há diferença nas tonalidades de pintura, entre outras. Mas, se o comprador não puder levar um lanterneiro, ele pode observar alguns fatores que podem dar pistas de batidas ou de deterioração: portas, capô, pára-choque e tampa traseira desalinhados; diferentes tonalidades de pintura, entre pára-lamas, portas, etc.; ondulações; bolhas na pintura (sinal de ferrugem); e se a pintura é original (algumas cores não existiam para certos modelos). O exame da lataria deve ser feito sempre à luz do dia, em locais claros.

Borracha pura
Na maioria das vezes, o pneu do carro a ser vendido está limpinho, com a aplicação do "pretinho". Mas o que importa é o seu estado, pois, se o comprador tiver que trocá-los, vai gastar um bom dinheiro porque pneu custa caro. Considerando que eles devem ser sempre substituídos aos pares, a brincadeira vai ficar caro (um pneu 175/70, uma das medidas mais comuns, custa cerca de R$ 150). Uma malandragem aplicada por alguns vendedores é virar o rasgo ou bolha para o lado interno, para esconder o problema. A outra é trocar os pneus gastos por remoldados, que são mais baratos, mas não oferecem a mesma segurança de um novo.

É muito chão
A maioria dos compradores se preocupa em olhar o hodômetro do veículo. Isso é importante, mas não garante nada, pois voltar a quilometragem é uma tarefa fácil para o profissional que já ficou conhecido como "Zé Marcha a Ré". Por isso, o fundamental é observar se a quilometragem registrada no hodômetro é compatível com o estado geral do carro. Muitas vezes a baixa quilometragem não condiz com o desgaste avançado das borrachas dos pedais, volante, pomo da alavanca do câmbio e revestimento dos bancos. Adesivos de trocas de óleo ou notas fiscais de manutenção podem também dar algumas dicas da quilometragem real.

Particular ou agência?
Se for fazer negócio com uma agência, o comprador deve optar por aquelas que estão há mais tempo no mercado, procurando também informações sobre a idoneidade do estabelecimento, junto a quem já tenha negociado com a empresa. É importante lembrar que, de acordo com o Código de Defesa do Consumidor (CDC), o cliente tem três meses de garantia, sem limitações. Ou seja, ele tem o prazo de 90 dias para reclamar nos órgãos de defesa do consumidor, sendo que, se o vício estiver oculto, esse tempo começa a contar quando ele se torna conhecido pelo consumidor, mesmo que o prazo de três meses tenha se esgotado. E a garantia não pode ser limitada a motor e câmbio (como fazem muitas agências) e, como não é obrigatória, se a loja oferece três meses de garantia, esse prazo se junta aos outros três garantidos pelo CDC.

Quem compra carro de particular deve saber que esse ato não é uma relação de consumo, ou seja, não é regida pelo CDC e sim pelo Código Civil, que prevê que "o bem adquirido pode ser rejeitado por vícios ou defeitos ocultos, que o tornem impróprio ao uso ou diminuam seu valor". Por isso, o comprador deve se cercar de alguns cuidados ao fazer o negócio, para poder reclamar posteriormente, caso aconteça algum problema: nome, endereço completo, CPF e identidade do vendedor. O prazo para reclamação é de 30 dias, a partir da entrega efetiva do veículo. Caso o vício apareça depois, o prazo começa a contar a partir da constatação do defeito.

Perda total
O comprador deve ter cuidado especial com aqueles carros batidos, que são dados como perda total (PT) pelas seguradoras, mas que acabam arrematados em leilões, recuperados e vendidos como se nada tivesse acontecido. Além do problema da insegurança, o consumidor desse tipo de veículo ainda tem o desgosto de não conseguir fazer seguro, pois as próprias seguradoras não aceitam (elas têm uma lista com os números de chassi desses carros). Uma das formas de evitar a compra de um carro PT é pesquisar entre as seguradoras, para saber se fariam seguro desse veículo.

Documentos e multas
É fundamental conferir toda a documentação original do veículo, que abrange Certificado de Licenciamento, Certificado de Registro (recibo de venda), IPVA e DPvat (seguro obrigatório); e conferir no site do Detran para saber se o veículo tem multa ou queixa de furto.
Encontre seu veículo

Últimas notícias

ver todas
10 de janeiro de 2011
18 de dezembro de 2009

Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação