Pecados automotivos - Na zoeira da cidade

Quem roda no trânsito urbano deve tomar alguns cuidados para não ser engolido pela selva de pedra, evitando furtos, consumo exagerado, quebras e gastos desnecessários

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postado em 11/05/2008 15:00 Caderno de Veículos /Estado de Minas
Arte de Lelis/EM
Rodar na cidade grande requer alguns cuidados para manter o orçamento dentro dos limites do salário ou renda. Muitas vezes uma simples calibragem de pneus pode evitar aumento no consumo de combustível. Até a escolha do lugar onde estacionar pode ser fundamental para preservar a integridade do veículo. Vejas algumas dicas.

Cinto muito
O motorista que quer preservar a própria vida e a dos outros deve exigir que o passageiro do banco traseiro use o cinto de segurança. As desculpas para não usar são as mais absurdas: a (falsa) proteção proporcionada pelo "macio" encosto do banco dianteiro; preguiça; ou trajeto muito curto. O fato é que quem se senta no banco traseiro não usa o cinto. Além da multa de R$ 127,69 e da perda de cinco pontos no prontuário, o motorista corre sério risco de morte em caso de batida, assim como o passageiro. E, caso escapem da morte, são grandes as chances de lesões graves no rosto e na medula. Segundo dados do Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de Minas Gerais (DER-MG), o número de traumas em passageiros do banco de trás vem crescendo de forma significativa no estado. A falta do uso do cinto no banco traseiro já é responsável por cerca de 30% dos feridos no trânsito: nos hospitais, de cada 10 vítimas atendidas, três estavam no banco de trás sem o cinto.

Pára com isso
Se o dono quer preservar a integridade do possante, deve tomar alguns cuidados ao estacionar o carro na cidade. Para evitar os amigos do alheio, vidros quebrados e portas empenadas, ele não deve deixar objetos à vista (em cima dos bancos, no bagagito, etc.) e evitar estacionar em locais ermos e escuros. Vagas apertadas são um convite a danos em retrovisores e arranhões na pintura, provocados por pedestres e batidas de porta. Observe o estado da árvore que fornece aquela sombra fresca, pois essa proteção pode se transformar em prejuízo enorme se vier a cair sobre o carro. Também observe se o veículo está embaixo daquele prédio em construção que não tem telas de proteção, para que não seja bombardeado por pedras, pó de cimento e tinta, tijolos, massa de cimento etc. Não entregue a chave do carro para flanelinhas e nem conte com eles para trocar o talão de faixa azul, pois o resultado pode ser um bom desfalque no orçamento.

Na ponta do lápis
O combustível tem peso considerável no orçamento. Por isso, algumas dicas, muitas vezes procedimentos simples, podem ajudar a reduzir o consumo. No caso dos flex, o motorista deve multiplicar o preço da gasolina por 0,7 e checar se o resultado é maior ou menor que o valor do álcool. Se for maior, ele deve optar pelo derivado da cana e se, for menor, pelo derivado do petróleo. O dono do carro deve calibrar sempre os pneus, pois rodar com pressão 30% inferior àquela recomendada pelo fabricante do veículo pode aumentar o consumo em até 2,5%, em decorrência da maior resistência à rodagem. Manutenção também é essencial: alinhar suspensão/direção alinhados e trocar regularmente filtros e óleo. Rodar com aquele peso morto (pneus velhos, ferramentas não-utilizadas, peças que foram trocadas, cadeiras de praia etc.) também aumenta muito o consumo.

Perigo transparente
A maioria dos motoristas dá pouca importância ao pára-brisa do carro. Eles não ligam para pequenas trincas, ligam o limpador com o vidro sujo e trocam o original por qualquer produto mais barato no mercado paralelo. Mas acabam pagando caro pelo desleixo. Ao trocar o vidro laminado por um temperado, que é mais barato, o motorista arrisca a própria vida e a de todos os ocupantes, pois esse tipo de pára-brisa não tem a função de reter a pessoa dentro do carro e nem de evitar a entrada de objetos, como (muito comum nas estradas de Minas) uma pedra que caia de um caminhão de minério. Pequenas trincas acabam ficando enormes, se não forem consertadas, exigindo a troca de todo o pára-brisa. Rodar com trinca no pára-brisa pode gerar multa de R$ 127,69, perda de cinco pontos no prontuário e retenção do veículo. Lembre-se: pesquise para comprar pára-brisa, verificando concessionários e paralelo.

Fumaça e prejuízo
Além de aumentar a poluição sonora, o motorista que trafega com escapamento furado ou danificado eleva os gastos com combustível e comete infração grave. Pelo Código de Trânsito Brasileiro, o motorista que rodar com o escapamento do carro soltando fumaça ou gases, livre, silencioso defeituoso ou inoperante, estará cometendo infração grave, com multa de R$ 127,69, perda de cinco pontos no prontuário e retenção do veículo para conserto. Se o veículo estiver com todos esses problemas juntos, o motorista comete duas infrações, com prejuízo dobrado (R$ 255,38 e 10 pontos no prontuário), além da retenção do carro. Ele deve ter cuidado para não ser enganado na oficina, permitindo que o mecânico troque o catalisador em bom estado (para a retirada de metais nobres), por um falso catalisador (apenas um pedaço de cano oco).

Condições severas
Há motoristas que roda o tempo todo sob condições severas (aquelas previstas no manual do proprietário do veículo) e não faz a menor idéia do que isso repesenta. Eles acreditam que a sua rotina de ir e voltar para o trabalho, que fica perto de casa, ou uma simples ida ao supermercado, é um tipo de uso "leve" do veículo. Engano. Esse é o típico regime severo, no qual o veículo roda por vias urbanas, em trânsito congestionado, em velocidade média abaixo de 60 km/h e em percursos com menos de 15 minutos. Regime leve seria rodar a maior parte do tempo no trânsito livre e fluente, com velocidade média acima dos 60 km/h e em percursos com mais de 15 minutos. Por isso, se ele roda nessas condições, ele deve trocar o óleo e o filtro do óleo do motor por tempo (no máximo, a cada seis meses), para evitar a formação de borra, que pode levar ao travamento, exigindo a retífica do propulsor.

Quem carrega
Sobrecarregar o sistema elétrico do veículo é um dos pecados mais comuns atualmente. O motorista compra um veículo novo e instala grande quantidade de acessórios (som de alta potência, faróis de neblina, vidros elétricos, DVD e outros), que começam a puxar mais energia do que o alternador pode fornecer. Diferentemente do que se pensa, não é a bateria que gera a eletricidade que alimenta o sistema de ignição e todos os componentes elétricos, e, sim, o alternador. Por isso, o motorista, para não ficar literalmente a pé, deve trocar dois componentes essenciais, ao instalar esse monte de acessórios: a bateria e o alternador, que devem ser substituídos por outros, de maior amperagem.

Cuidado com os sapatos
Pneu custa caro. Para mantê-los, é preciso seguir os 10 mandamentos para preservá-los, sem cair em tentação: checar periodicamente a pressão (incluindo a do estepe) quando eles estão frios; trocar os pneus sempre que a banda de rodagem estiver gasta até as marcas TWI, mesmo que em apenas um ponto da banda; verificar o estado geral dos pneus periodicamente e/ou após impactos ou desgaste irregular; balancear os pneus regularmente, ou sempre que forem sentidas vibrações; verificar também o interior dos pneus quando ocorrerem impactos ou perfurações; não estacionar sobre manchas de óleo ou solvente, pois elas causarão danos aos pneus; obedecer aos limites de velocidade e carga; sempre que for trocar os pneus, respeitar a equivalência de medidas, mantendo a mesma em todas as rodas; estilo de direção e velocidade afetam diretamente a durabilidade dos pneus; e verificar as condições dos pneus periodicamente, com um revendedor ou técnico.

Clima mais seguro
Ar-condicionado não é mais uma questão apenas de conforto, mas também de segurança, ao permitir que os ocupantes rodem com os vidros fechados nas grandes cidades. Mas, para cuidar bem dele, evitando gastos desnecessários e outros problemas, o motorista deve trocar anualmente o filtro do sistema, que "limpa" todo o ar que entra dentro do veículo, para evitar mal cheiro e problemas de saúde, gerados por fungos e bactérias; não fumar no veículo, principalmente quando a recirculação (sistema fechado) estiver ligada; ligar o ar-condicionado pelo menos uma vez por semana, mesmo no inverno; e dar carga de gás a cada três ou quatro anos, nos equipamentos novos. Com o ar ligado, o carro perde de 3 a 7% de potência, dependendo do motor, e aumenta o consumo em cerca de 5%.
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